Winston Groom - Forrest Gump pdf

 Winston Groom - Forrest Gump




Provando numa narrativa com sabor de fábula, que mesmo os menos dotados podem tropeçar na História a cada momento, modificando os caminhos do mundo, este é um romance exemplar. Através de Forrest Gump, o escritor Winston Groom traça um painel delicioso da América de Elvis Presley, Kennedy, da Guerra do Vietnã, do movimento hippie e de Watergate.


Forrest Gump

Vou dizer uma coisa: ser idiota não é nenhuma caixa de chocolates.
As pessoas riem, perdem a paciência, são mesquinhas com você.
Dizem que se deve ser atencioso com os deficientes, mas vou dizer
uma coisa: nem sempre é assim. Mas não me queixo, porque acho
que levei uma vida muito interessante, por assim dizer.
Tenho sido um idiota desde que nasci. Meu QI está próximo de 70,
o que me define, segundo eles. É provável que eu seja quase um
imbecil ou, talvez, um retardado, mas, pessoalmente, prefiro pensar
em mim mesmo como um débil mental, ou algo assim — e não um
idiota —, porque quando as pessoas pensam em idiota, é certo
pensarem num daqueles idiotas mongolóides — aqueles que têm os
olhos juntinhos como chineses, e babam à beça, e brincam com
eles mesmos.
Bem, eu sou lento, disso não há dúvida, mas provavelmente
sou mais inteligente do que as pessoas imaginam, porque o que se
passa na minha mente é uma visão diferente da que vêem. Por
exemplo, posso pensar coisas muito bem, mas quando tento dizer
ou escrever, elas saem como uma espécie de gelatina, ou coisa
parecida. Vou mostrar o que quero dizer.
Outro dia, eu descia a rua e um homem trabalhava em seu
quintal. Ele tinha um monte de arbustos para plantar e me disse “—
Forrest, quer ganhar um dinheirinho?” — e eu disse — Ã-hã —, e
então ele me pôs para remover a sujeira. Foram uns dez ou doze
carrinhos de sujeira, na hora mais quente do dia, transportando a
torto e a direito. Quando acabei, ele tirou um dólar do bolso. Eu
devia mesmo é ter ficado com muita raiva por causa do baixo
pagamento, mas em vez disso, peguei o maldito dólar e tudo que
disse foi “obrigado”, ou algo pateta parecido e continuei a descer a
rua, enrolando e desenrolando o dólar na mão, me sentindo um
idiota.
Percebem o que quero dizer?
Mas eu sei alguma coisa sobre idiotas. Provavelmente é a
única coisa que sei, mas li sobre eles — desde o idiota daquele cara
Dochtoévski, até o bobo do Rei Lear, o idiota de Faulkner, Benjie, e
até mesmo o velho Boo Radley em To kill a mockingbird — ele era
um idiota sério. No entanto, o que mais gosto é do velho Lennie,
em Ratos e homens. A maioria desses caras escritores contam
direito — porque seus idiotas são sempre mais espertos do que as
pessoas reconhecem. Poxa, como concordo com isso. Qualquer
idiota concordaria. Hi, hi.
Quando nasci, minha mãe me deu o nome de Forrest por
causa do general Nathan Bedford Forrest, que lutou na Guerra
Civil. Mamãe sempre dizia que, de alguma maneira, éramos um
pouco parentes do general Forrest. E ele foi um grande homem, ela
dizia, exceto quando fundou a Ku Klux Klan depois que a guerra
acabou. Até minha avó dizia que era um bando de gente ruim. Com
o que até posso concordar, porque aqui, o Grão-Mestre Bispo, ou
seja lá como chama a si mesmo, tem uma loja de armas na cidade e,
certa vez, quando eu tinha uns doze anos, passava por lá e olhei a
vitrina, e ele tava pegando, lá dentro, uma corda grande usada por
carrascos pra enforcar. Quando me viu, botou ela em volta do
próprio pescoço, e puxou pra cima, como se estivesse se
enforcando, e pôs a língua pra fora, tudo isso só pra me assustar. Eu
saí correndo e me escondi atrás de uns carros no estacionamento,
até alguém chamar a polícia, eles virem e me levarem pra casa, pra
mamãe. Por isso, o que quer que o general Forrest tenha feito,
fundar essa tal de Klan não foi uma boa idéia — qualquer idiota
diria a mesma coisa. Apesar disso, foi assim que ganhei meu nome.
Minha mãe é uma pessoa boa de verdade. Todo mundo diz
isso. Meu pai morreu logo depois que eu nasci, por isso nunca
conheci ele. Ele trabalhava no cais como estivador e, um dia, um
guindaste levantava uma rede com um grande carregamento de
bananas num dos
navios da United Fruit Company, e alguma coisa quebrou e as
bananas despencaram e esmagaram ele, deixando ele chato como
uma panqueca. Certa vez ouvi uns homens falando do acidente —
diziam que foi uma confusão danada, meia tonelada de bananas e
meu pai esborrachado embaixo. Não ligo muito pra bananas, a não
ser pra pudim de bananas. Disso eu gosto mesmo.
Minha mãe recebeu uma pequena pensão do pessoal da
United Fruit e aceitou hóspedes em nossa casa, o que deu pra gente
se virar. Quando eu era pequeno, ela me mantinha quase sempre
dentro de casa, pra que os outros meninos não me incomodassem.
Nas tardes de verão, quando estava muito quente mesmo, ela
costumava me colocar lá embaixo, na sala de visitas, e fechava as
venezianas, de modo que ficava escuro e fresco, e me preparava um
jarro de refresco de lima. Depois ficava ali conversando comigo, só
conversando, sem falar sobre nada em particular, como alguém
falaria com um cachorro ou um gato, mas eu me acostumei e
gostava disso porque sua voz fazia eu me sentir seguro e bem.
No começo, quando eu tava crescendo, ela deixava eu sair e
brincar com todo mundo, mas então ela descobriu que eles
implicavam comigo, e um dia um dos garotos bateu em minhas
costas com uma vara, enquanto eles me perseguiam, e a coisa foi
aumentando e virou uma surra de dar medo. Depois disso, ela me
disse pra nunca mais brincar com aqueles garotos. Tentei brincar
com as garotas, mas não era muito melhor, porque elas corriam de
mim.
Mamãe achou que seria bom eu ir pra escola pública porque
talvez isso ajudasse a eu ser como todo mundo, mas depois de
pouco tempo procuraram a mamãe e disseram que eu não devia
estar ali como todo mundo. Mas deixaram eu terminar o primeiro
ano. Às vezes, enquanto a professora falava, não sei o que se
passava na minha cabeça, mas eu começava a olhar pra fora da
janela, pros passarinhos, esquilos, e coisas que subiam e ficavam
num grande carvalho, e, então, a professora vinha e reclamava
comigo. Às vezes, acontecia uma coisa estranha comigo e eu
começava a berrar, e então ela mandava eu sair e sentar no banco
do corredor. As outras crianças nunca brincavam comigo, a não ser
para me enxotar ou fazer com que eu gritasse pra que pudessem rir
de mim — todas, menos Jenny Curran, que pelo menos não corria
de mim e às vezes deixava eu ficar do lado dela quando a gente ia
pra casa depois das aulas.
Mas, no ano seguinte, me botaram num outro tipo de escola
e vou dizer uma coisa: era esquisita. Era como se eles saíssem por
aí recolhendo tudo que é pessoa estranha e juntassem todas elas,
incluindo as de minha idade e mais novas até rapazes grandes de
dezesseis ou dezessete anos. Tinha retardos e espasmos de todo tipo
e meninos que não conseguiam nem comer, nem ir ao banheiro
sozinhos. Provavelmente eu era o melhor do bando.
Tinha um garoto grande e gordo. Ele devia ter mais ou
menos uns quatorze anos, e sofria de uma coisa que fazia ele tremer
todo como se estivesse na cadeira elétrica, ou algo assim. A srta.
Margaret, nossa professora, mandou eu ir ao banheiro com ele,
quando ele precisava ir, pra que ele não fizesse nada esquisito. Mas,
de qualquer jeito, ele fez. Eu não sabia como fazer ele parar, por
isso me tranquei num dos compartimentos e fiquei ali até ele acabar
e, daí, levei ele de volta pra sala.
Fiquei nessa escola por cinco ou seis anos. Não era ruim de
todo. Deixavam que a gente pintasse com os dedos e fizesse
pequenas coisas, mas em geral, só ensinavam coisas como amarrar
os sapatos e não babar a comida, nem ficar furioso, nem gritar e
berrar e espalhar cocô em tudo. Quase não usavam livros — a não
ser pra mostrar como interpretar os sinais de rua, e coisas como a
diferença entre banheiros de Cavalheiros e de Senhoras. De
qualquer modo, com todos aqueles malucos graves seria impossível
transmitir qualquer coisa mais que isso. Além do mais, acho que a
intenção era nos manter longe da raiva dos outros. Afinal, quem
quer ver um bando de retardados andando à solta? Até eu podia
entender isso.
Quando fiz treze anos, algumas coisas estranhas começaram
a acontecer. Primeiro, comecei a crescer pra cima. Cresci quinze
centímetros em seis meses, e minha mãe tinha de estar sempre
encompridando minhas calças. Também comecei a crescer pro
lado. Quando eu tinha dezesseis, media um metro e noventa e oito e
pesava cento e vinte e um quilos. Eu sei por que me levaram e me
pesaram. Eles disseram que simplesmente não conseguiam
acreditar.
O que aconteceu depois causou uma mudança significativa
em minha vida. Certo dia, eu voltava pra casa da escola de birutas e
um carro parou ao meu lado. O cara me chamou e perguntou meu
nome. Eu disse e, então, ele perguntou qual era minha escola e
como nunca tinha me visto por ali. Quando falei da escola de
birutas, ele perguntou se eu já tinha jogado futebol. Balancei a
cabeça. Acho que devia dizer que já tinha visto meninos jogando,
mas que eles nunca deixavam eu jogar. Mas como já disse, não sou
muito bom em conversas longas, por isso fiz que não com a cabeça.
Isso foi umas duas semanas depois das aulas recomeçarem.
Mais ou menos três dias depois, eles vieram e me tiraram da
escola de birutas. Minha mãe estava lá, e também o cara do carro e
mais duas pessoas que pareciam seus capangas — acho que pro
caso de eu aprontar alguma coisa. Pegaram tudo que era meu e
colocaram numa sacola de papel marrom e disseram pra eu me
despedir da srta. Margaret, e de repente ela começou a chorar e me
deu um grande abraço. Depois, eu disse adeus a todos os outros
birutas, e eles estavam babando, tendo ataques, batendo nas
carteiras com os punhos. E daí fui embora.
Mamãe foi na frente com o cara e eu fiquei no banco de
trás, entre os capangas, igualzinho como a polícia faz naqueles
filmes quando levam você pra “central”. Só que a gente não tava
indo pro centro. A gente ia pra nova escola secundária que tinham
construído. Quando chegamos, eles me levaram pra sala do diretor,
e mamãe, eu e o cara entramos, enquanto os dois gorilas esperavam
no vestíbulo. O diretor era um homem velho de cabelos grisalhos
com uma mancha na gravata
e calças largas, e parecia que também tinha saído da escola de
birutas. Todos nos sentamos e ele começou a explicar coisas e a me
fazer perguntas, e eu só balançava a cabeça, mas o que eles
queriam é que eu jogasse futebol. Isso eu entendi por mim mesmo.

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Ahmed Zayed

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