Willy Lindwer - Os últimos sete meses de Anne Frank pdf

 Willy Lindwer - Os últimos sete meses de Anne Frank



INTRODUÇÃO
Anne Frank tornou-se uma das figuras mais vigorosas da
Segunda Guerra Mundial, à qual o seu nome está ligado
indissoluvelmente, muito para além dos Países Baixos. O seu
Diário, redigido entre 12 de Junho de 1942 e 1 de Agosto de 1944,
período em que esteve escondida no "Anexo", publicado em mais
de cinqüenta países, foi incansavelmente montado no teatro,
programado na televisão ou projetado nas telas dos cinemas.
O Anexo foi convertido em museu e há numerosos anos que
atrai a Amsterdã centenas de milhares de visitantes do mundo
inteiro.
Anne escreveu a última página do seu Diário na terça-feira, 1
de Agosto de 1944. A 4 do mesmo mês, o Sicherheitsdienst (SD)
invadiu o Anexo ao número 263 da Prinsengracht e todos os
ocupantes foram detidos e levados. O relato autobiográfico de Anne
Frank termina aí. A prisão, deportação e extermínio constituem os
últimos capítulos não escritos do Diário. A clandestinidade e o
Anexo, nas páginas do diário, são varridos pela terrível realidade
dos campos de concentração alemães onde foi perpetrado o maior
genocídio de todos os tempos. Anne, a irmã Margot e a mãe
encontraram aí a morte.
Esses derradeiros meses da curta vida de Anne Frank
suscitaram, até agora, reduzido interesse, sem dúvida por se saber
pouco a seu respeito. Apenas se lhes referem um capítulo do livro
de Ernst Schnabel, Anne Frank, Spureines Kindes, 1958 (Anne
Frank, rasto de uma criança) e a introdução de Oe Dagboeken van
Anne Frank, 1986 (Os Diários de Anne Frank), publicados pelo
Instituto Nacional Holandês de Documentação sobre a Guerra.
Desconhece-se quase tudo desses sete meses e da maneira
como Anne suportou a horrível provação de Westerbork (Campo de
passagem nos Países Baixos) e de Auschwitz-Birkenau, para
sucumbir finalmente à doença, fome e esgotamento em Março de
1945, em Bergen-Belsen, poucas semanas antes da libertação
desse campo.
Passados mais de quarenta anos, poucas pessoas estão
dispostas a evocar esse período e capazes de o fazer: as
sobreviventes.
Durante muito tempo não puderam falar. Para algumas a
situação mantém-se. A pouco e pouco, aceitam e experimentam
então a necessidade de revelar uma vitória sobre si próprias e
vontade de testemunhar para a posteridade. Essas mulheres são as
últimas testemunhas daquele período irreal, insondável, da História
da Humanidade.
No filme e no livro, deportadas que, como Anne, se
encontravam em Westerbork, Auschwitz-Birkenau e Bergen-Belsen,
recuperam a voz e descrevem o que acontecia nos comboios e nas
casernas.
Conheceram Anne e sua família. Algumas eram amigas de
escola.
Ao reproduzir as entrevistas integralmente, o livro proporciona
uma imagem do meio e da história de cada uma e situa a época
num contexto mais amplo. Anita Mayer-Roos só é citada no filme
porque as suas declarações já foram objeto de uma publicação.
Existem versões um pouco diferentes dos últimos sete meses
da vida de Anne Frank. Talvez a exatidão histórica não seja
primordial. É mais importante descrever o que essas mulheres
conheceram, interrogarmo-nos sobre os limites da resistência
humana. O medo da morte, a sua presença contínua, o olhar
destituído de sentimentos ante a extinção dos outros. Os
pormenores ínfimos, porém essenciais, o desaparecimento de todas
as normas. Na sua tese publicada em 1952, o Dr. Eli Cohen
escreveu: "Não podemos exigir àqueles que nunca viveram lá que
imaginem em que consiste na realidade um campo de
concentração".
Após meses de pesquisas e diversas entrevistas, encontrei,
em parte graças ao Instituto Nacional Holandês de Documentação
sobre a Guerra, mulheres decididas a revelar, diante da câmara e do
microfone, as suas experiências pessoais. Todas conheceram ou
contataram com Anne e a família Frank. Atravessaram uma grande
provação e, cada uma à sua maneira, "sobreviveram", ou tentaram
aceitar. É um sofrimento que ficou enraizado para sempre.
São as porta-vozes de Anne.
Pareceu-nos importante ampliar os conhecimentos do grande
público, evocar a terrível angústia do campo de concentração depois
da vida no Anexo. A clandestinidade constituía um meio de escapar
à morte certa da deportação.
Ainda existem entre nós testemunhas das atrocidades de
Auschwitz. São as últimas pessoas que podem revelar, a partir da
sua própria experiência, em particular aos jovens, o que aconteceu
à história.
O fascismo, neonazismo, discriminação racial e anti-semitismo
estão sempre na ordem do dia. Ainda há quem conteste a
autenticidade do próprio Diário de Anne Frank. Algumas das
reações suscitadas pelo filme representam a prova! É por isso que
essas mulheres querem falar hoje, a fim de combater a injustiça da
nossa sociedade. O seu destino raramente foi evocado até ao
presente. O que contribuí para aumentar o horror.
Este livro descreve o que elas sentiam no momento das mais
intensas privações. O homem estava reduzido ao estado de animal.
A consciência humana aniquilada. É um milagre que conseguissem
sobreviver. Auschwitz e Bergen-Belsen tinham sido concebidos para
destruir.
Elas arcarão toda a sua vida com o enorme fardo dos últimos
sete meses.

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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