Virgilio - Bucolicas pdf

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BUCÓLICA
A. E. Van Vogt
Banhando-se na luz brilhante de um sol longínquo, a Floresta vivia e
respirava. Captava a presença daquela nave que acabava de
aparecer, depois de ter atravessado as bru-mas leves da alta
atmosfera. Entretanto, sua hostilidade sis-temática para com aquela
coisa estranha, não veio acompa-nhada de alarma imediato.
Sobre dezenas de milhares de quilômetros quadrados, suas raízes
entrelaçavam-se subterrâneamente, e as frondes de suas árvores
inumeráveis balançavam-se, displicentemen-te, sob as carícias
múltiplas de uma brisa indolente. Acolá, estendendo-se sobre
colinas e montanhas, e ao longo de um mar quase interminável,
levantavam-se outras florestas, todas tão vastas e poderosas
quanto ela própria.
Tão longe quanto sua memória alcançava, a Floresta recordava-se
de ter resguardado o solo contra uma ameaça um tanto ininteligível.
Agora, a natureza daquela ameaça co-meçava a aparecer-lhe.
Provinha de naves análogas àquela que presentemente descia do
céu. A Floresta não conseguia 3
recordar-se claramente de que maneira, no passado, tinha
conseguido assegurar sua defesa, mas lembrava-se com bas-tante
clareza de que precisara lutar.
À proporção que ela se tornava mais consciente da aproximação da
nave, correndo acima dela num céu cinza-avermelhado, suas folhas
murmuraram umas para as outras a narrativa sem data de batalhas
feridas e ganhas. Pensamentos, em seu curso lento, espalhavam-se
ao longo dos canais sensórios, e os galhos mestres de milhares de
árvores começaram a tremer, quase imperceptivelmente. A
extensão daquele frêmito, propagando-se depressa para todas as
árvores, criou gradualmente um som, depois uma sensação tensa.
De início, aquilo foi quase insensível, tal brisa ociosa através de um
vale verdejante, mas depressa adquiriu am-plitude, e cresceu em
substância. O som fêz-se invasor, e a Floresta toda ergueu-se,
vibrante de hostilidade, espreitando a chegada daquela máquina
que vinha pelo céu.
Não teve de esperar muito tempo.
A nave cresceu, inclinando sua trajetória. Agora, que se havia
aproximado do solo, sua velocidade e seu volume apa-receram
maiores do que ela a princípio havia julgado. Planou, ameaçadora,
acima da Floresta próxima, depois abaixou-se ainda mais, sem se
preocupar com as copas das árvores.
Bosques inflamaram-se, galhos romperam-se, e árvores inteiras
viram-se varridas, como se não fossem senão seres insignificantes,
sem peso e sem vigor. A nave continuava sua descida, abrindo um
grande caminho através da Floresta la-mentosa e ululante, à sua
passagem. Pousou, enterrando-se profundamente no solo, três
quilômetros depois de haver roçado pela primeira fronde. Atrás dela,
a abertura de árvores partidas fremia e palpitava à luz do sol. Longo
e estrei-to caminho de destruição desenhava-se, agora. A Floresta
recordou-se, de súbito, que aquilo não era senão a repetição do que
já acontecera no passado.
Começou a amputar-se dos setores atingidos. Fêz refluir sua seiva e
cessou seu frêmito na área afetada. Mais tarde, enviaria novos
rebentos para substituir o que fora destruído, 4
mas no momento aceitava aquela morte parcial que sofrera, e
conhecia o medo. Era um medo tocado de cólera. Suporta-va
aquela nave jacente sobre seus troncos esmagados, sobre uma
parte de si própria que ainda não estava morta. Sentia o frio e a
dureza das paredes de aço, e tanto seu medo como sua cólera
aumentaram.
Um sussurro de pensamento propagou-se ao longo de seus canais
sensórios. Espera — dizia aquele pensamento
— há em mim a lembrança do tempo em que vieram outras naves
iguais a esta.
Sua memória, entretanto, recusava esclarecer-se. Tensa, mas
incerta, a Floresta preparou-se para empreender o seu primeiro
ataque. E começou a crescer em toda a volta da nave.Já há muito
tempo tomara ela consciência de seus for-midáveis poderes de
crescimento. Fora numa época em que ainda estava longe de cobrir
sua superfície presente.
Naquela ocasião, certo dia, percebera que bem depressa iria
encontrar-se em contato com outra floresta análoga a ela mesma.
As duas massas de árvores em crescimento, os dois colossos de
raízes entrecruzadas, aproximaram-se uma da outra, lentamente,
com prudência, em mútua mas vigilante fascinação, espantadas por
descobrirem que uma outra forma de vida idêntica tivesse podido
existir todo aquele tempo.
As duas florestas aproximaram-se, tocaram-se... e combate-ram-se
durante anos.
Enquanto durou aquela prolongada luta, cessou, prati-camente, todo
o crescimento de vegetação nas porções cen-trais da Floresta. As
árvores deixaram de se guarnecer de galhos. As folhas, por
necessidade, endureceram e substituíram-nos em suas funções,
durante períodos bem mais longos. As raízes desenvolveram-se
lentamente. Toda a força disponível da Floresta estava concentrada
nos seus meios de ataque e de defesa. Muralhas de árvores
edificavam-se numa noite. Raízes enormes, infiltrando-se
verticalmente no solo, cavavam túneis de vários quilômetros de
comprimento.

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Ahmed Zayed

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