Vina Jackson - Cor do Desejo pdf

 Vina Jackson - Cor do Desejo pdf 



Ostras no jantar
No meio da Grand Central Station, ele me beijou.
Foi um beijo de amantes, breve, suave e carinhoso, cheio das recordações
persistentes de um dia passado em alegre negação e um lembrete de que
aquela seria nossa última noite juntos em Nova York. Ainda não tínhamos
falado do futuro nem do passado. Não ousamos. Era como se esses poucos
dias e noites fossem uma lacuna entre os dois espectros iminentes. Melhor
esquecê-los até que a inevitável passagem de tempo nos obrigasse a encarálos
de cabeça erguida.
Durante as 24 horas seguintes, seríamos amantes, apenas um casal
comum, como qualquer outro.
Mais uma noite e mais um dia em Nova York. O futuro registraria.
Parecia apropriado passar alguns dos nossos últimos minutos juntos na
Grand Central Station, um dos meus locais favoritos na cidade. Um lugar
onde passado e futuro se encontram, onde todos os fragmentos distintos de
Nova York se misturam (os ricos, os pobres, os punks e os rapazes e as
moças de Wall Street, turistas e transeuntes), cada um a caminho de vidas
diferentes, unidos apenas por alguns poucos minutos de pressa, todos
compartilhando brevemente a mesma experiência, correndo para pegar um
trem.
Estávamos no saguão principal, ao lado do famoso relógio de quatro
faces. Depois do beijo, olhei para a frente e em volta, como sempre fazia
quando estava ali. Eu gostava de olhar para as colunas de mármore e para os
arcos abobadados que sustentavam um céu mediterrâneo de cabeça para
baixo, a visão do zodíaco que cartógrafos antigos imaginavam que os anjos
ou as formas de vida alienígena podiam ter ao olhar dos céus para a Terra.
O prédio me lembrava uma igreja, mas, por sempre ter sido ambivalente
em relação à religião, eu tinha mais respeito pelo poder da ferrovia, prova do
desejo innito do homem de ir a algum lugar. Chris, meu melhor amigo em
Londres, sempre dizia que você não conhecia verdadeiramente uma cidade
até ter experimentado seu transporte público, e, se isso era verdade sobre
algum lugar, este lugar era Nova York. A Grand Central Station resumia
tudo de que eu gostava em Manhattan: era cheia de promessas e vibrava com
a energia das pessoas correndo de um lado para o outro, um verdadeiro
caldeirão de corpos em movimento; a opulência e o esplendor dos
candelabros dourados pendurados no teto eram uma promessa para todos
que passavam com nada além de 10 centavos no bolso de que, em algum
lugar à frente, a oportunidade esperava.
Coisas boas acontecem em Nova York; esta era a mensagem da Grand
Central Station. Caso você se dedicasse o bastante ao trabalho, se jogasse seu
sonho na arena, então um dia teria sorte e a cidade colocaria uma
oportunidade bem no seu colo.
Dominik pegou minha mão e me puxou pela multidão até a rampa que
levava à galeria dos sussurros no subsolo. Eu também nunca tinha ido à
galeria dos sussurros da Catedral de St. Paul em Londres; os dois estavam na
minha lista innita de lugares a visitar e coisas a fazer.
Ele me colocou no canto, de frente para um dos pilares que unia os arcos
baixos, e correu para o outro lado.
— Summer — disse ele, sua voz suave chegando pelo pilar com a clareza
de um sino, como se a parede estivesse falando comigo. Eu sabia que era um
fenômeno arquitetônico (ondas sonoras aparentemente viajando de um pilar
a outro pelo teto abobadado, nada além de pouco de magia acústica), mas
era sinistro mesmo assim. Ele estava a 3,5 metros de distância, de costas
para mim, mas era como se estivesse sussurrando bem no meu ouvido.
— Sim? — murmurei, virada para a parede.
— Vou fazer amor com você de novo mais tarde.
Eu ri e me voltei para olhar para ele. Ele sorriu para mim com malícia de
onde estava, do outro lado.
Ele andou até mim, segurou minha mão de novo e me puxou para outro
abraço. O tórax dele era agradavelmente rme, e Dominik tinha quase 30
centímetros a mais que eu, então mesmo de saltos eu conseguia descansar a
cabeça em seu ombro. Dominik não era corpulento, não malhava em
academia, ou pelo menos não que tenha mencionado, mas tinha um físico
magro e atlético e os movimentos uidos de alguém que gosta de estar no
próprio corpo. Aquele tinha sido um dia quente, perto do m de um verão
de Nova York, com o sol tão intenso durante o dia que dava para fritar um
ovo no asfalto. Ainda estava úmido, e, apesar de nós dois termos tomado
banho antes de sair do hotel de Dominik, eu conseguia sentir o calor da pele
dele emanando pela camisa. Seu abraço era como estar envolvida em uma
nuvem quente.
— Mas agora — sussurrou ele, desta vez no meu ouvido —, vamos comer.
Estávamos bem em frente ao Oyster Bar. Eu não me lembrava de ter
mencionado para Dominik meu amor por peixe cru, outra das minhas
idiossincrasias que ele adivinhou corretamente. Eu havia pensado em dizer
que ostras eram nojentas, só para deixar claro que ele nem sempre estaria
certo, mas eu queria ir ao Oyster Bar desde que cheguei a Nova York e não ia
desperdiçar a oportunidade. Além do mais, descono de qualquer pessoa
que não goste de ostras, e ele podia ser da mesma opinião. Eu não queria
contar uma mentira que pudesse se virar contra mim.
É um lugar popular, e quei surpresa por ele ter conseguido uma reserva
tão em cima da hora, embora, conhecendo Dominik, ele provavelmente
tivesse reservado bem antes sem mencionar o fato para mim. Ainda
tínhamos que esperar vinte minutos até nos sentarmos, mas o garçom
trouxe os cardápios imediatamente e esperou para anotar nossos pedidos de
bebida.
— Champanhe? — perguntou Dominik, pedindo uma Pepsi para si.
— Uma garrafa de Asahi pra mim, por favor — falei para o garçom, e vi a
sombra de um sorriso nos lábios de Dominik por eu ter ignorado a sugestão
dele.
— O cardápio daqui é enorme — disse Dominik. — Quer dividir umas
ostras como entrada?
— Você está tentando me encher de afrodisíacos?
— Se existe uma mulher que não precisa de afrodisíaco, Summer, essa
mulher é você.
— Vou encarar isso como um elogio.
— Que bom. Era mesmo um elogio. Tem algum tipo especial de ostras
que você prera?
O garçom voltou com nossas bebidas. Recusei com a mão quando ele
ofereceu um copo; cerveja é para ser tomada diretamente no gargalo. Tomei
um gole e olhei para o cardápio.
O restaurante tinha até ostras da Nova Zelândia, criadas no golfo de
Hauraki, perto da minha cidade natal. Senti uma dor fugaz, uma pontada
rápida de saudades de casa, a maldição do viajante cansado.
Independentemente do quanto eu gostasse da cidade em que estivesse, ainda
era ocasionalmente amaldiçoada pelas lembranças da Nova Zelândia. Frutos
do mar eram uma dessas coisas que me lembram de casa, de dias quentes e
noites frescas passadas junto ao mar, com os pés na areia macia e molhada
pela maré para pegar tuatua e pipi, os moluscos que crescem nas águas rasas
de praias arenosas, ou de noites de sexta na lanchonete local de 

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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