Veronica Roth - Divergente pdf

 Veronica Roth - Divergente pdf 




Nesta versão futurista da cidade de Chicago, a sociedade se divide em cinco facções dedicadas ao cultivo de uma virtude – a Abnegação, a Amizade, a Audácia, a Franqueza e a Erudição. Aos dezesseis anos, numa grande cerimônia de iniciação, os jovens são submetidos a um teste de aptidão e devem escolher a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas. Para Beatrice, a difícil decisão é entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é – não pode ter os dois. Então, faz uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma. Durante a iniciação altamente competitiva que se segue, Beatrice muda seu nome para Tris e se esforça para decidir quem são realmente seus amigos – e onde se encaixa na sua nova vida um romance com um rapaz fascinante, porém perturbador. Mas Tris também tem um segredo, que mantém escondido de todos, pois poderia significar sua morte. Ao descobrir um conflito crescente que ameaça destruir sua sociedade aparentemente perfeita, ela também aprende que seu segredo pode ajudá-la a salvar aqueles que ama... ou destruí-la. A autora estreante Veronica Roth explodiu na cena literária com o primeiro livro da série DIVERGENTE – uma distopia cheia de decisões eletrizantes, traições devastadoras, consequências espetaculares e um romance inesperado.

Divergente pdf 


capítulo
um
HÁ UM ÚNICO espelho em minha casa. Fica atrás de um painel
corrediço no corredor do andar de cima. Nossa facção permite que
eu fique diante dele no segundo dia do mês, a cada três meses, no
dia em que minha mãe corta meu cabelo.
Sento-me em um banco e minha mãe permanece em pé atrás de
mim com a tesoura, aparando. Os fios caem no chão, formando um
anel loiro e sem graça.
Ao terminar, ela afasta os cabelos do meu rosto e os amarra em
um nó. Reparo em como parece calma e em como está
concentrada. Ela tem muita experiência na arte de perder-se em
pensamentos. Não posso dizer o mesmo de mim.
Espio minha imagem no espelho quando ela não está prestando
atenção, não por vaidade, mas por curiosidade. Um rosto pode
mudar muito em três meses. No meu reflexo, vejo um rosto estreito,
olhos grandes e redondos e um longo e delgado nariz. Ainda pareço
uma criança, apesar de ter completado dezesseis anos em algum
momento dos últimos meses. As outras facções celebram
aniversários, mas nós, não. Seria um ato de autocomplacência.
– Pronto – diz ela, ao prender o nó com um grampo. Seus olhos
surpreendem os meus no espelho. É tarde demais para desviar o
olhar, mas em vez de me censurar ela sorri, encarando nosso
reflexo. Franzo levemente as sobrancelhas. Por que ela não me
repreendeu?
– Hoje é o dia, afinal – diz ela.
– Sim – respondo.
– Você está nervosa?
Por um momento, encaro meus olhos no espelho. Hoje é o dia do
teste de aptidão que me mostrará a qual das cinco facções eu
pertenço. E amanhã, na Cerimônia de Escolha, escolherei uma;
escolherei o caminho que vou trilhar pelo resto da minha vida;
escolherei se devo ficar com minha família ou abandoná-la.
– Não – digo. – Os testes não precisam mudar nossas escolhas.
– Certo. – Ela sorri. – Vamos tomar o café da manhã.
– Obrigada. Por cortar meu cabelo.
Ela beija meu rosto e desliza o painel sobre o espelho. Acredito
que minha mãe poderia ter sido linda em um mundo diferente. Seu
corpo é magro sob o manto cinza. As maçãs de seu rosto são
salientes e seus cílios são longos, e, quando ela solta o cabelo à
noite, ele cai ondulante sobre seus ombros. Mas, como integrante
da Abnegação, ela é obrigada a esconder sua beleza.
Andamos juntas até a cozinha. Nas manhãs em que meu irmão
prepara o café, a mão de meu pai acaricia meus cabelos enquanto
ele lê o jornal e minha mãe cantarola ao limpar a mesa – é
justamente nessas manhãs que eu me sinto mais culpada por
querer deixá-los.
+ + +
O ônibus fede a fumaça. Cada vez que passa sobre um trecho
irregular de asfalto, sacode-me de um lado para o outro, mesmo que
eu esteja apoiada no banco para me manter parada.
Meu irmão mais velho, Caleb, está em pé no corredor, segurando
a barra de metal acima de sua cabeça para manter-se firme. Não
somos parecidos. Ele tem o cabelo escuro e o nariz curvado do meu
pai, e os olhos verdes e covinhas nas bochechas da minha mãe.
Quando era mais novo, esse conjunto de traços parecia estranho,
mas agora lhe cai bem. Se não fosse um membro da Abnegação,
tenho certeza de que as meninas da escola reparariam nele.
Também herdou o talento da minha mãe para o altruísmo.
Ofereceu seu assento no ônibus sem hesitar a um rabugento
membro da Franqueza.
O homem veste um terno preto e uma gravata branca: o uniforme
padrão da Franqueza. Sua facção valoriza a honestidade e enxerga
a verdade em branco e preto. Por isso se vestem assim.
Os intervalos entre os prédios diminuem e as estradas ficam mais
regulares à medida que nos aproximamos do centro da cidade. O
edifício que um dia foi chamado de Sears Tower, e que hoje
chamamos de Eixo, surge em meio à névoa, como uma pilastra
escura no horizonte. O ônibus passa sob os trilhos elevados. Nunca
entrei em um trem, embora eles nunca parem de circular e haja
trilhos por toda a parte. Apenas os integrantes da Audácia andam de
trem.
Há cinco anos, pedreiros voluntários da Abnegação restauraram
algumas das ruas. Começaram os consertos pelo centro e seguiram
em direção aos limites da cidade, até que seus materiais se
esgotaram. As ruas da região onde moro ainda são rachadas e
desiguais e não é seguro dirigir por elas. Mas isso não importa,
porque nós não temos carro.
A expressão de Caleb permanece tranquila enquanto o ônibus
treme, balança e arranca pela estrada. Com o manto cinza
dependurado em seu braço, ele segura a barra de ferro para manter
o equilíbrio. Percebo pelos movimentos constantes de seus olhos
que está observando as pessoas ao redor, esforçando-se para
enxergar apenas elas, e não a si mesmo. A facção da Franqueza
valoriza a honestidade, mas a nossa facção, a Abnegação, valoriza
o altruísmo.
O ônibus para em frente à escola e eu me levanto, espremendome
para passar entre o integrante da Franqueza e o banco da
frente. Ao tropeçar sobre os sapatos do homem, me apoio na mão
de Caleb. Minhas calças são longas demais e eu nunca fui muito
graciosa.
O edifício dos Níveis Superiores abriga a mais antiga das três
escolas da cidade: Níveis Inferiores, Níveis Medianos e Níveis
Superiores. Como todas as outras construções ao redor, ele é feito
de vidro e aço. Há uma enorme escultura de metal em frente ao
edifício que os integrantes da Audácia costumam escalar depois das
aulas, desafiando uns aos outros a subir cada vez mais alto. No ano
passado, vi uma das integrantes cair e quebrar a perna. Fui eu que
corri para chamar a enfermeira.
– Testes de aptidão hoje – digo. Caleb não é nem um ano mais
velho que eu, então somos da mesma série.
Ele acena com a cabeça ao atravessarmos a porta de entrada.
Meus músculos contraem-se quando entramos no prédio. Há um
clima de fome no ar, como se cada aluno de dezesseis anos
estivesse tentando devorar o máximo possível deste dia. É bem
provável que não caminhemos mais por estes corredores depois da
Cerimônia de Escolha. Quando escolhermos nossas novas facções,
elas se encarregarão de nos oferecer o restante dos nossos
estudos.
Nossas aulas hoje durarão metade do tempo, para que possamos
assistir a todas antes do teste de aptidão, que ocorrerá depois do
almoço. Meu coração já está acelerado, só de pensar.
– Você não está nem um pouco preocupado com o que ele pode
revelar? – pergunto a Caleb.
Paramos na bifurcação do corredor, de onde ele seguirá em uma
direção, para a aula de Matemática Avançada, e eu em outra, para a
aula de História das Facções.
Ele franze sua testa ao olhar para mim.
– Você está?
Poderia dizer-lhe que tenho me preocupado há semanas a
respeito do que o teste de aptidão vai me revelar: Abnegação,
Franqueza, Erudição, Amizade ou Audácia?
No entanto, apenas sorrio e digo:
– Não muito.
Ele sorri de volta.
– Bem... tenha um bom dia.
Sigo para a aula de História das Facções, mordendo o lábio
inferior. Ele não respondeu minha pergunta.
Os corredores são estreitos, embora a luz que entra pelas janelas
crie a ilusão de espaço, e são um dos poucos lugares em que
pessoas da nossa idade e de facções diferentes se misturam. Hoje,
os estudantes apresentam uma energia diferente, uma sensação de
último dia.
Uma menina de cabelos longos e encaracolados grita “ei!” perto
do meu ouvido, acenando para um amigo distante. Uma manga de
jaqueta esbarra na minha cara. De repente, um garoto da Erudição
vestindo um casaco azul me empurra. Perco o equilíbrio e bato no
chão com força.
– Sai da frente, Careta – diz ele rispidamente, e segue pelo
corredor.
Meu rosto esquenta. Levanto-me e me ajeito. Algumas pessoas
pararam quando eu caí, mas nenhuma ofereceu ajuda. Seus olhares
apenas me acompanham até o final do corredor. Esse tipo de coisa
tem acontecido com outros integrantes da minha facção há meses.
Os membros da Erudição têm divulgado relatórios antagônicos em
relação à Abnegação, e isso tem afetado nosso relacionamento na
escola. As roupas cinza, o corte de cabelo simples e o
comportamento modesto da nossa facção deveriam me ajudar a
esquecer de mim mesma e fazer com que as outras pessoas se
esquecessem de mim também. Mas agora eles fazem de mim um
alvo.
Paro em frente a uma janela da Ala E e espero a chegada dos
membros da Audácia. Faço isso todas as manhãs. Às 7h25 em
ponto, eles provam sua coragem ao pular de um trem em
movimento.
Meu pai chama os integrantes da Audácia de “endiabrados”. Eles
têm piercings, tatuagens e usam roupas escuras. Sua principal
função é proteger a grade que circunda nossa cidade. Proteger de
quê, eu não sei.
Eles deveriam me deixar chocada. Eu deveria me perguntar o que
a coragem, que é a virtude que mais valorizam, tem a ver com um
anel de metal pendurado no nariz. No entanto, sigo-os com os olhos
por onde quer que andem.
O apito do trem toca alto e o som ressoa em meu peito. O farol do
trem pisca enquanto a composição se desloca violentamente e
passa em frente à escola, com suas rodas rangendo contra os
trilhos de metal. Ao passarem os últimos vagões, uma quantidade
enorme de jovens com roupas escuras se atira do trem em
movimento, alguns caindo e rolando no chão, outros pisando em
falso por um momento antes de recobrarem o equilíbrio. Um dos
garotos coloca o braço em volta dos ombros de uma menina, rindo.
Assisti-los é uma atividade vã. Desvio o olhar da janela e
atravesso a multidão até a sala de História das Facções.

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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