Vários Autores - Space Opera: Odisseias Fantásticas Além da Fronteira Final pdf

 Vários Autores - Space Opera: Odisseias Fantásticas Além da Fronteira Final pdf 


Space Opera: Odisseias Fantásticas Além da Fronteira Final pdf 

A BIOSFERA TERRESTRE à beira da obliteração. De acordo com a
propaganda do Inimigo, a punição justa para servir de exemplo aos
outros vassalos do Império. A humanidade às portas da extinção, ou
pior, do avassalamento. E eu, de rabo equilibrado na ponta da
agulha, atrapalhado com a missão de evitar o holocausto inevitável
previsto há décadas.
“Medeiros?” – O isaac sussurra num latim alto e claro que só eu
posso ouvir.
Dentre miríades de pessoas e programas que me acessam o
cérebro em vários níveis a todo instante, reconheço o tom de meu
implante simbiótico artificial autoconsciente.
Mesmo se não reconhecesse seu tom de voz, ele é o único que me
chama de “Medeiros”. É como prefiro.
Para meus subordinados, cada vez mais distantes à medida que fui
galgando escalões, sou apenas “Almirante”.
Os poucos bons amigos que ainda estão vivos me chamam por
meu prenome: “Derek”.
Na Academia da Federação em órbita de Victoria, Alpha-Centauri
“A”, meu nome de guerra era “Morgan”, pois havia outro “Medeiros”
mais antigo que eu em nossa turma. O antigo xará tombou há mais
de meio século como tenente.
Já a humana que eu amo me chamava por um apelido ridículo. Só
que ela também já morreu mais de trinta anos atrás. A pessoa mais
importante da minha vida. Uma civil. Apenas mais uma das milhões
de baixas da Guerra.
Derek Medeiros Morgan. Nascido em Victoria no décimo quarto
ano da Era da Unificação, uma das primeiras crianças humanas
nascida sob a luz de outra estrela, da primeira leva geneticamente
preparada para a vida militar. Combinação equilibrada dos genomas
Medeiros e Morgan, o primeiro, originário da América do Sul e o
segundo, especialmente desenvolvido para a estirpe de colonos
natibélicos centaurinos.
Derek M. Morgan, Almirante da Federação Humana, a quem os
meios de comunicação solarianos se referem carinhosamente como
Derek “Maluco” Morgan. Não ligo. Assumo que se trata de elogio
para não pensar mais no assunto.
Contudo, o “M” é realmente de “Medeiros”. É assim que prefiro
ser chamado, porque é assim que penso em mim mesmo.
E meu isaac sabe disso.
– Prossiga – subvocalizo, absorto com o mar de dados gerado pela
agitação nervosa da oficialidade no nódulo de operações de combate.
“Último informe da Inteligência da Armada” – o isaac acusa o
recebimento do relatório.
– Resuma.
Vamos ver que irrelevância os gênios de plantão da nossa
intelligentzia militar descobriram sobre o Inimigo desta vez.
“Estimativa dos efetivos da esquadra invasora: 2.500
couraçados, 12.000 cruzadores pesados; número de naves
menores: ainda indeterminado. Nossas sondas no não-espaço
indicam ecos de presença de mais de 300 unidades de grande porte
prestes a emergir junto com a esquadra inimiga.”
– Naves transporte-de-tropas – reconheço, mordendo o lábio.
“É a hipótese mais provável. O efetivo de transportes pode
abrigar até quatro milhões de legionários imperiais.”
– Aquilo que a propaganda do Inimigo chama de “Corpos de
Avassalamento Planetário”.
“Tempo estimado para emersão do não-espaço: nove horas e
vinte minutos.”
– Ponto provável da emersão?
“A partir do perfil xenopsicológico de Tras Xerrogg, a Divisão de
Xenologia Militar estima com 83% de certeza que a emersão se
dará em algum ponto do cinturão de Kuiper. Máximo de
probabilidade aponta para uma distância de seis horas-luz do Sol.”
– Que estimativa de merda! – murmuro entredentes. O que
esperam que eu faça com apenas 83% de certeza?
Xerrogg é tido como um comandante de pulso firme, frio e
cauteloso. Não ousará microssaltos não-espaciais às cegas no interior
do Sistema Solar. O lado ruim dessa cautela é que jamais o
pegaremos com o mesmo truque que empregamos ao derrotar a XII
Esquadra Punitiva Imperial de Dflestor Gart na Batalha Phobicae em
59 E.U. O lado bom é que teremos algum tempo até que a esquadra
invasora atinja o Sistema Solar Interior. Mais algumas horas até o
desenlace final.
A partir de uma análise imparcial, eu diria que não temos muitas
chances.
– Capitânia em prontidão de combate, Excelência – a comandante
Carla Rodriguez declara num latim controlado, com sotaque
ligeiríssimo daquilo que imagino ser castelhano ou português,
vernáculos anteriores à Unificação e, portanto, à adoção do latim
como idioma oficial da humanidade.
Tal como o mandarim, o inglês e tantos outros vernáculos antigos,
ao que eu saiba, hoje em dia o português e o castelhano constituem
línguas mortas, somente articuladas em uns poucos habitats orbitais
atrasados.
Observo a figura elegante, ligeiramente grisalha, dentro do
uniforme de combate, da comandante sentada na poltrona de
comando no nódulo de operações de combate da Parsifal, o
invulnerável que elegi como capitânia da Armada. Carla sorri e me
lança uma piscadela marota. Porque esse papo de “Excelência” é só
para constar nos registros. Depois de todos esses anos, ainda é uma
bela humana e uma excelente amiga. Não foram esses atributos, no
entanto, que me levaram a escolher a Parsifal como capitânia. Carla
é minha melhor comandante de invulnerável. Além disso, é
natibélica como eu. Somos exceções entre os oficiais de alta patente.
Assim como Carla Rodriguez, o Almirantado da Federação, a
oficialidade da Armada e os meios de comunicação solarianos
depositam uma confiança despropositada em minha capacidade de
derrotar os invasores.
Conheço os limites da minha competência. Por tudo que estudei e
aprendi, reconheço em Tras Xerrogg um comandante mais
experiente e mais talentoso do que eu.
Gostaria que Leda Tethis estivesse aqui e não em Capella, atuando
como embaixadora plenipotenciária da humanidade e conselheira
militar perante nossas fiéis aliadas carilybits.
Não apenas pelo fato da Velha – na verdade uns meros 27 anos
mais idosa do que eu – ter mais espirais galácticas sobre os ombros,
mas sobretudo por possuir muito mais experiência de combate.
Veterana das batalhas Prima e Phobicae, heroína da conquista do
Arsenal Jdaxedar em 63 E.U. sob o comando de Vanice Larionova,
libertadora dos quadrúpedes birnaxs, nossos mais novos aliados,
Tethis é uma lenda viva, capaz de inspirar bravura e lealdade no
cadete mais trêmulo e inexperiente.
Com a Velha, sim, a Armada teria condições de enfrentar a
genialidade de Xerrogg de igual para igual.
Contudo, até mesmo a legendária Leda Tethis não teria muitas
opções ofensivas ante a tremenda superioridade dos efetivos à
disposição de Xerrogg.
A questão, no entanto, é acadêmica. Pois além de estrategista
genial e guerreira exímia, Leda Tethis é fêmea e, como tal, muito
mais indicada do que eu para ajudar a erigir o poderio militar das
carilybits, essa sofisticada civilização aliada onde apenas as fêmeas
possuem intelecto, enquanto os machos não passam de reprodutores
descerebrados e objetos de prazer sexual mantidos em vastos haréns.
Por isto, Leda Tethis, mais antiga e experiente do que eu,
desperdiça sua genialidade há quase duas décadas em Capella, ao
passo que eu permaneço como comandante supremo da Federação
Humana no Sistema Solar.
Quando a humanidade mais precisa de sua maior heroína, ei-la a
40 anos-luz de distância, irremediavelmente remota, estimulando os
instintos belicosos da carileia e ajudando a reprogramar o complexo
industrial-militar de nossas aliadas mais fiéis.
•••
Há coisa de vinte anos, pouco antes de minha promoção ao
Almirantado, quando em visita oficial às nossas fiéis aliadas de
Capella por ocasião da assinatura do Tratado de Norgall, uma altahierarca
carily me perguntou como a Federação Humana conseguia
lutar contra um império que se estendia por boa parte deste braço da
Periferia e cujos súditos já haviam explorado milhões de mundos
quando humanos e carilybits não passavam de caçadores
paleolíticos.
Naquele tempo, as carilybits ainda não conheciam os humanos
muito bem.
Contudo, acreditaram em mim – tanto quanto era possível
acreditar num macho humano – quando expliquei que a Guerra é
mais do que estilo de vida. É nossa razão de ser.
É a mais pura verdade. Não seríamos coisa alguma sem a Guerra.
Não teríamos conquistado todas as glórias que trouxemos para a
Terra e para o Sol no último século.
Devemos à Guerra tudo o que temos hoje. Tudo o que somos.
Guerra sem esperança de vitória, contra o inimigo alienígena
muito superior, em tecnologia, números e material.
Nossa razão de viver.
Porque não há outra saída. Não há mais volta. A decisão foi
tomada quando resolvemos que não queríamos nos tornar vassalos
do Eterno Império Ry’whax.
A Guerra nos obrigou a unificar o Sistema Solar sob um só
governo, um único idioma e a concentrar todas as energias da
espécie ao propósito exclusivo de sobreviver. Para enfrentar um
império cuja vastidão e os recursos desafiavam a imaginação
humana.
A Guerra nos forçou a desvendar os segredos tecnológicos do
Inimigo.
Foi a Guerra que nos levou à unificação e à diáspora estelar, pois
sempre soubemos que a melhor forma de defesa é o ataque. Entre as
estrelas, graças às instruções extraídas aos bancos de dados das
belonaves capturadas ao Inimigo, descobrimos centenas de espécies
alienígenas vassalas do Império.
Por causa da Guerra, a população humana quadruplicou nas
últimas doze décadas. Colonizamos centenas de planetas em dezenas
de sistemas estelares. Construímos uma Armada de belonaves
capazes de singrar o não-espaço e estender o poder da humanidade
aos confins da Periferia.
Não fosse a Guerra, ainda estaríamos restritos ao Sistema Solar,
talvez para sempre, divididos em dezenas de governos planetários
hostis uns aos outros.
Antes da Guerra, raros humanos viviam mais de 200 anos. Hoje,
graças às técnicas desenvolvidas a partir da ciência arrancada à
matriz tecnológica do Inimigo, a expectativa de vida das duas últimas
gerações pulou para mais de 400 anos. Claro que só humanos das
castas civis almejam sobreviver até a aurora do seu quarto século.
Para nós, militares natibélicos, a existência é tão repleta de perigos,
combates, ataques e missões suicidas, que poucos chegam à velhice.
A Guerra transformou a humanidade numa cultura de âmbito
cósmico. Uma civilização respeitada. A Federação Humana é a líder
inconteste e fonte de inspiração de todas as espécies tecnológicas da
Periferia que sonham um dia escapar aos tentáculos do Império
Ry’whax.
A Guerra talvez tenha sido uma bênção para a humanidade.
Mas não para mim.
Porque houve um detalhe que não ousei revelar à alta-hierarca
carily. A Guerra me tirou Judy, a única humana que amei em quase
um século de vida adulta.
Não que eu não me sinta resignado com a perda.
Na ocasião em que recebi a notícia de sua morte, quando ela
regressava de Alpha-Centauri, por um instante desejei ter estado
junto dela a bordo da Shapley, a nave de pesquisas abatida durante
uma das raras incursões inimigas nas cercanias do Sol.
A sandice logo me saiu da cabeça. Afinal, desejo de morrer
constitui sentimento antipatriótico.
Como falei, a Guerra é nossa razão de viver. Já não há muitos
humanos nascidos na época antebélica. Nas novas gerações, a
maioria das castas militares é composta por natibélicos. O
sofrimento da perda dos entes queridos é inerente a esse conflito que
se desenrolava desde antes de eu nascer e que provavelmente
continuará muito após minha morte. Mesmo na hipótese improvável
de eu atingir a velhice.
Pois tudo indica que a Armada Humana não irá sobreviver aos
próximos dias.
Quanto à humanidade, ainda que sobrevivamos, é de todo
provável que nos tornemos uma espécie vassala do Império. E a
Terra decerto terá sua biosfera obliterada para servir de exemplo às
espécies alienígenas que ousaram se rebelar em nosso apoio.
Meu destino, mas que o de qualquer outro, está ligado à
sobrevivência da Armada.
Porque hoje estou no comando de todas as forças humanas no
Sistema Solar e estamos às vésperas de uma operação maciça. A
maior tentativa de invasão já encetada contra um sistema humano
nestes 112 anos, desde a eclosão da Guerra.
A esquadra imperial prestes a se materializar a seis horas-luz do
Sol é a maior já reunida por Gorrik. Nossos analistas afirmam que o
total de belonaves reunido para formar a esquadra invasora
corresponde a quase um terço da Armada Imperial. Nem em nossos
prognósticos mais pessimistas, imaginávamos que o Inimigo
conseguisse reunir tamanho efetivo meros dois anos após a queda da
Liga do Comércio e a restauração da dinastia Oridok.
A Federação é muito menor do que o Império. Por isto, nove
décimos da Armada Humana se encontra hoje reunida no Sistema
Solar. Mesmo assim, a esquadra que o Império envia agora contra
nós possui mais do que o dobro dos efetivos que a humanidade
congrega na gravitosfera solar. Não espanta que os meios de
comunicação do Inimigo tenham batizado essa força invasora de
“Esquadra Invencível”. Os estrategistas do Imperador Oridok XXII
sabem que não podemos resistir a uma força tão poderosa. No fundo,
por mais que afirmemos o contrário, também o sabemos.
Para piorar essa situação crítica, a esquadra imperial é comandada
pessoalmente por Tras Xerrogg, o Magnífico, almirante do Império
tido como maior estrategista de espaço profundo de sua geração.
Por isto tudo, não consigo me manter resignado com a morte de
Judy Carpatus. Porque sempre me consolei com a esperança de que
viveria para ver o dia em que venceríamos a Guerra. De que eu
vingaria não só a morte da minha amada, mas todos os milhões de
humanos mortos em batalhas da Armada ou ataques às populações
planetárias.
Agora, estamos não só às portas da derrota final, como da
subjugação definitiva da humanidade, da carileia e de outras
espécies. Tragédias irreversíveis prestes a ocorrer durante o meu
comando no Sistema Solar.

Download pdf 


Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

Postar um comentário (0)
Postagem Anterior Próxima Postagem