Vários Autores - Os mais belos contos alucinantes pdf

 Vários Autores - Os mais belos contos alucinantes pdf 




Antologia produzida nos anos 40, sendo a mais antiga que se conhece a ter em língua portuguesa um conto de Lovecraft: Os ratos nas paredes


Os mais belos contos alucinantes pdf 

Julgamento de assassínio
Charles Allston Collins & Charles Dickens
Tradução de Alfredo Ferreira
Sempre notei uma predominante falta de coragem, mesmo entre
pessoas de inteligência superior e cultas, em externar suas próprias
reações psicológicas que foram de natureza estranha. Quase todos
os homens receiam que o que possam contar em tal matéria não
encontre paralelo ou correspondência na vida íntima do ouvinte e se
torne suspeito ou ridículo. Um viajante digno de fé, que visse uma
criatura extraordinária, no gênero da serpente-marinha, não recearia
mencionar o fato. Mas se o mesmo viajante tivesse tido singular
pressentimento, impulso, transmissão de pensamento, visão (assim
chamada), sonho ou outra notável impressão mental, hesitaria
consideravelmente antes de o confessar. A essa reserva atribuo
grande parte da obscuridade na qual tais assuntos estão envolvidos.
Não comunicamos habitualmente nossas experiências dessas
coisas subjetivas como comunicamos as de origem objetiva. A
conseqüência é que o pouco que se sabe a esse respeito parece
excepcional, e de fato o é, por ser lamentavelmente imperfeito.
Com o que contarei não pretendo estabelecer, contestar, ou
apoiar teoria. Conheço a história do livreiro de Berlim, estudei o
caso dum falecido astrônomo real conforme foi relatada por sir
David Brewster e acompanhei nos pormenores um caso muito mais
notável de ilusão espectral, ocorrido dentro do círculo de meus
amigos. É necessário estabelecer, quanto a esse último, que a
vítima, uma senhora, não era aparentada comigo, nem em grau
afastado. Uma presunção errônea nesse sentido sugeriria a
explicação pra parte de meu caso, mas somente parte, o que seria
infundado. O caso não pode ser atribuído a predisposição
hereditária minha, pois não antes experiência semelhante nem tive
depois.
Não importa há quantos anos, poucos ou muitos, foi cometido na
Inglaterra certo assassínio que despertou grande interesse. Já é
demasiado o que ouvimos sobre os assassinos quando se
evidenciam pela atrocidade do crime, e se pudesse eu gostaria de
sepultar a lembrança desse bruto, ao qual me referirei, como seu
corpo foi sepultado na prisão de New Gate. Propositadamente me
abstenho de dar indício direto quanto à identificação do criminoso.
Logo que se descobriu o assassínio nenhuma suspeita recaiu, ou
antes deveria dizer, porque não posso ser preciso nos fatos, não foi
insinuado que recaísse suspeita, sobre o homem que foi mais tarde
levado a julgamento. Como nenhuma referência fosse feita a ele,
naquela ocasião, na imprensa, é obviamente impossível que
descrição sua possa ter sido publicada, no momento, pelos jornais.
É essencial que esse fato seja lembrado.
Desdobrando, ao desjejum, meu jornal matinal, no qual era
relatada aquela primeira descoberta, achei que o caso era
profundamente interessante e o li com a maior atenção. Li duas
vezes, senão três. A descoberta fora feita num dormitório, e, quando
pousei o jornal, tive a percepção dum lampejo, ímpeto, visão (Não
sei como chamar. Nenhuma palavra que possa me ocorrer é
suficientemente descritiva) no qual eu via passar aquele dormitório
em minha sala, como um quadro absurdamente pintado num rio
corrente. Embora quase instantâneo em sua passagem, era
perfeitamente claro, tão claro que eu distintamente e com sensação
de alívio notei a ausência do cadáver na cama.
Não foi nalgum lugar romântico que tive essa curiosa sensação
mas sim num apartamento em Piccadilly,{1} muito perto da esquina
da rua São Jaime. Foi inteiramente nova pra mim. Eu estava em
minha poltrona, naquele momento, e a sensação foi acompanhada
dum estremecimento que mexeu a cadeira a fora de posição. Mas
se deve notar que a cadeira deslizava com facilidade nos gonzos.
Fui até uma das janelas (havia duas no aposento, que ficava no
segundo andar) pra refrescar os olhos no movimento de Piccadilly.
Era uma clara manhã de outono e a rua estava cintilante e alegre. O
vento era forte. Quando olhei a fora, uma lufada trouxe do parque
uma quantidade de folhas secas, que um remoinho levantou numa
coluna espiral. Quando a coluna caiu e as folhas se dispersaram vi
dois homens no lado oposto da rua, caminhando de oeste a leste.
Iam um atrás do outro. O homem da frente olhava várias vezes a
trás sobre o ombro. O segundo o seguia, a uma distância de cerca
de 30 passos, com a mão direita levantada ameaçadoramente.
Primeiro a singularidade e persistência daquele gesto de ameaça
num logradouro público e movimentado atraiu a minha atenção, e
depois a circunstância ainda mais notável de que ninguém o
observasse. Ambos os homens abriam caminho entre os outros
pedestres com suavidade dificilmente compatível mesmo com a
ação de caminhar numa rua pavimentada. E nenhuma pessoa, que
eu pudesse ver, dava passagem, os tocava ou olhava. Ao passarem
diante de minha janela ambos me fitaram. Vi os dois rostos muito
distintamente e sabia que poderia os reconhecer em qualquer lugar.
Não que eu tivesse observado conscientemente algo
particularmente notável nos dois rostos, exceto que o homem da
frente tinha um aspecto singularmente abatido e que o rosto do
homem que o seguia era cor de cera velha.
Sou solteiro e todo meu pessoal é constituído pelo criado e sua
esposa. Meu emprego é em uma certa filial de banco e gostaria que
minhas obrigações como chefe de secção fossem tão leves quanto
em geral se supõe. Me fizeram ficar na cidade naquele outono,
quando eu necessitava duma mudança de ar. Eu não estava doente
mas não andava passando bem. O leitor que tire a melhor
conclusão possível de eu me sentir cansado, ter uma sensação de
abatimento geral por causa da vida monótona que levava, e de estar
ligeiramente dispéptico. Tenho a garantia dum médico afamado de
que meu estado geral de saúde naquela época não merecia maior
atenção e estou afirmando isso duma resposta escrita a meu
pedido.
Conforme a circunstância do crime, gradualmente se
encaminhando ao desfecho, se apossavam cada vez mais
fortemente da opinião pública, eu as conservava afastadas da
minha, procurando saber tão pouco quanto possível sobre elas, no
meio da excitação geral. Mas sabia que fora pronunciado contra o
indigitado assassino um veredicto de assassínio voluntário e que
fora preso em New Gate e aguarda o julgamento. Sabia também
que o julgamento fora adiado à próxima audiência da corte criminal,
sob a alegação de conveniência geral e de falta de tempo à
preparação da defesa. É possível que também soubesse, mas acho
que não, quando, ou aproximadamente quando, começariam as
audiências às quais o julgamento fora adiado.
Minha saleta, quarto de dormir e quarto de vestir, eram todos no
mesmo andar. Com o último não existe comunicação a não ser
dentro do dormitório. Na verdade há uma porta nele, que outrora
comunicava com a caixa das escadas mas parte da armação de
meu banheiro fora, e estivera durante vários anos, fixada através
dela. Na mesma época, e como parte do mesmo arranjo, a porta
fora pregada e recoberta encima com lona pintada.
Numa noite, já tarde, eu estava em meu quarto de dormir, dando
algumas instruções a meu criado, antes de me deitar. Tinha o rosto
voltado à única porta de comunicação em uso ao quarto de vestir,
que estava fechada. Meu criado estava de costas a essa porta.
Enquanto estava falando consigo, a vi se abrir, e um homem olhar
nela e me fazer um aceno misterioso e insistente. Aquele homem
era o que ia em segundo lugar Piccadilly afora e que tinha a cara cor
de cera velha.
A figura, tendo acenado, recuou e fechou a porta. Sem outra
demora além do tempo que gastei em atravessar o dormitório, abri a
porta do quarto de vestir, e olhei a dentro. Tinha na mão uma vela
acesa. Não sentia esperança íntima de ver o vulto no quarto de
vestir e não vi.
Consciente de que meu criado ficara assombrado, me voltei a ele
e disse:
— Derrick, queres acreditar que em meu juízo perfeito imaginei
ver um...
Como nesse momento lhe encostasse a mão no peito,
estremeceu violentamente cum movimento brusco de recuo e disse:
— Ó, meu-deus! Sim, senhor. Um morto acenando!
Agora não acredito que João Derrick, meu fiel e dedicado criado
havia mais de vinte anos, tivesse impressão de ter visto aquela
figura, antes de eu lhe tocar. A mudança de fisionomia foi tão
espantosa, quando lhe toquei, que plenamente acredito que por
algum oculto processo absorveu a impressão de mim, naquele
momento.
Mandei João Derrick trazer aguardente, lhe dei um bom gole e
gostei de tomar um. Não lhe disse palavra do que precedera o
fenômeno daquela noite. Refletindo no caso, tinha certeza de que
nunca vira aquela cara antes, exceto naquela ocasião em Piccadilly.
Comparando a expressão quando acenara à porta com a expressão
de quando me fitara ao passar na rua, cheguei à conclusão de que
na primeira ocasião quisera se imprimir em minha memória e na
segunda se certificara de que seria imediatamente reconhecido.
Não me senti muito tranqüilo naquela noite, embora sentisse a
certeza, difícil de explicar, de que a figura não voltaria. Ao clarear o
dia caí num sono profundo, do qual fui despertado por João Derrick
chegando junto a minha cama cum papel na mão.
Aquele papel, ao que parecia, fora causa duma altercação, à
porta, entre seu portador e meu criado. Era uma intimação pra eu
fazer parte do júri na próxima audiência da corte criminal central em
Old Bailey. Eu nunca fora antes intimado pra tal júri, como João
Derrick bem sabia. Acreditava, não estou certo se com razão, que
essa classe de jurado era geralmente escolhida entre pessoas de
posição inferior a minha, e a princípio se recusara a receber a
intimação. O homem que a distribuía tomara o caso de maneira
muito fria. Dissera que meu comparecimento ou não
comparecimento não lhe interessava. Ali estava a intimação. E eu
devia fazer uso dela por minha conta-e-risco, e não dele.
Durante um dia ou dois fiquei indeciso sobre se deveria atender
àquele convite ou não tomar conhecimento. Não tive consciência de
inclinação misteriosa, influência ou atração, por uma ou outra
decisão. Disso tenho certeza, como tenho de toda outra alegação
que aqui faço. Finalmente decidi, como uma quebra na monotonia
de minha vida, que iria.
A manhã marcada foi a dum dia invernoso de novembro. Havia
um denso nevoeiro castanho em Piccadilly, que se tornou
positivamente preto e num grau muito opressivo a leste de Barra do
Templo.{2} Encontrei os corredores e escadarias do tribunal
profusamente iluminados a gás e a própria sala de audiência
igualmente iluminada. Penso que até ser conduzido pelos
funcionários a dentro do velho tribunal e ver como estava repleto.
Não sabia que o assassino seria julgado naquele dia. Penso que até
ser assim introduzido no velho tribunal com ingente dificuldade, não
sabia a qual das duas instâncias do tribunal minha intimação me
levaria. Mas isso não deve ser tomado como uma asserção positiva,
porque em sã consciência não estou certo sobre algum desses dois
pontos.
Tomei assento no lugar reservado aos jurados aguardarem, e
olhei em volta do tribunal tão bem quanto pude através da nuvem de
nevoeiro e respiração que o enchia pesadamente. Notei a névoa
negra flutuando como uma cortina escura no lado de fora das
grandes janelas, e notei o som abafado de rodas na palha ou cortiça
acamada na rua. Também o sussurro do povo reunido lá fora, que
um apito agudo, ou um som ou grito mais alto ocasionalmente
varava. Pouco depois os dois juízes entraram e tomaram lugar. O
zunzum na sala se acalmou de maneira impressionante. Foi dada
ordem pra conduzir o assassino à barra. Quando apareceu
reconheci nele o primeiro dos dois homens que desciam Piccadilly.

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Ahmed Zayed

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