Varios Autores - Necropole - Historias De Vampiros pdf

 Varios Autores - Necropole - Historias De Vampiros pdf



“Necrópole – Histórias de Vampiros” é o primeiro volume de uma coleção dedicada à nova nata do suspense e do terror. Cada livro traz um tema diferente, que apresentam histórias distintas, e o mesmo cenário: a Necrópole, metrópole que noite e dia digere nossas almas, gerando em seu ventre cadáveres célebres e assassinos anônimos.


Necropole - Historias De Vampiros pdf

Rogai por Nós
Nada posso lhe dar que já não exista em você. Não posso abrir-lhe
outro mundo além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe
posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu ajudarei
a tornar visível o seu próprio mundo e isso é tudo.
Hermann Hesse
O GOTEJAR era hipnótico e Marcos tinha consciência de que
estava parado havia mais de duas horas observando aquilo. Sentia
que, se passasse mais algum tempo ali, perderia totalmente a sua
chance de retorno. Calculava que em meia hora estaria morto.
Em um último esforço desesperado, contorceu-se
ensandecido e uma das mãos finalmente escapou da correia, o suor
gelado auxiliando-o muito na empreitada. O velho gargalhava em
sua cadeira de rodas enquanto ele soltava o restante dos membros.
Quando terminou, ficou de frente para ele e sentiu seu próprio
coração batendo fraco, não obstante a força que despendera para
se libertar. Estava morrendo.
Ajoelhando-se, apanhou a grande garrafa que já estava quase
cheia e ergueu-a, com mais esforço do que necessitaria
normalmente. Seus olhos fitavam ora a garrafa, ora o velho.
— Você está fraco e indefeso. Os seguranças estão armados.
Ou isso ou a morte. Essas são suas escolhas — sibilou o velho,
como se proferisse uma sentença imutável.
Batalhas e vidas se perderam em momentos de indecisão.
Marcos não desejava ser mais uma vida perdida. Reinaria no inferno
se essa fosse sua única saída, pois já não acreditava no paraíso.
Tinha pessoas para ajudar. O líquido desceu (rio c grosso pela sua
garganta, mas, apesar da repulsa, ele o engoliu.
— Depois que acordar, não se esqueça de mim — disse o
velho ao ouvir a garrafa tombar vazia juntamente com o rapaz. —
Você tem que me matar. Entendeu?
O desmaio se mostrou inevitável e Marcos, apesar de toda a
sua determinação em permanecer consciente, deixou que as
pálpebras se cerrassem. Tentou se lembrar de tudo que vivera até
ali e como as coisas haviam se desencadeado. Retornou quatorze
anos no passado.
Seus olhos se fixaram na mão estendida e a sensação que o
invadiu foi uma imediata vontade de se erguer, de aceitar o apoio
daquele gesto simpático. No entanto, uma pequena mancha
vermelha, como um sinal de alerta, maculando a dobra interna de
um dos dedos à sua frente arrebatou-o de seus sonhos e jogou 0
mais uma vez de encontro à realidade. Coisas terríveis
aconteceram. O que mais o incomodava era o fato inegável de que
havia sido o causador do ocorrido. Fosse ou não aquilo que
desejara, era culpado.
Em um gesto abrupto, encostou o queixo sobre o peito e
cerrou os olhos, tentando ocultar a visão daquela mão.
Com a triste certeza de que se enganara havia poucos
momentos, rezou para a verdadeira Virgem, não a que o auxiliara e
lhe estendia a mão, mas sim a que estava acima do bem e do mal.
Unindo os dedos entrelaçados junto ao peito, orou por diversas
vezes, repetindo a cantilena que aprendera ainda antes de seus
sete anos de idade.
Mesmo após ouvir os passos se distanciando, ecoando pela
nave central da igreja, permaneceu imóvel, entoando sua ladainha
por mais de uma hora ininterrupta. Pedia à mãe de Deus que o
perdoasse pelo engano e rogava para que um dia a culpa e a dor
pudessem ser sanadas.
Exausto pelos acontecimentos do dia, Marcos chegou a um
ponto em que suas lágrimas secaram e, alheias à angústia que
ainda sentia, deixaram de rolar por sua face. O mesmo acabou
ocorrendo com suas palavras e as orações foram lentamente
morrendo em sua garganta, encerrando-se apenas em seus
pensamentos.
Ao erguer a cabeça e reabrir os olhos, a imagem do Cristo
Crucificado estava lá, sobre o altar, com a cabeça inclinada naquele
ângulo anormal parecendo estar voltada exatamente em sua
direção. O olhar triste e resignado não demonstrava nada; aqueles
olhos não estavam ali para consolá-lo e muito menos para
recriminá-lo. Girou a cabeça e avistou a imagem da Virgem à sua
direita, notando que o mesmo ocorria com a face dela, que, apesar
de não estar em uma posição tão extrema, parecia perfeitamente
voltar em sua direção um par de olhos ambíguos.
— Apenas imagens — balbuciou, olhando para a estatueta da
Virgem. — Mesmo você é apenas uma imagem. Eu pedi a sua ajuda
e acreditei que a senhora tinha vindo em meu auxílio. — Ele fungou
e passou a manga da blusa pelo nariz em um gesto exagerado. —
Eu acreditava, compreende? Acreditei que a senhora havia vindo
me amparar.
Ergueu-se e caminhou até ficar próximo da imagem.
— Quando rezei pedindo para que me protegesse, acreditava
que seria possível. Por isso, considerei um milagre quando a vi
chegando para me oferecer amparo. Acreditei realmente que era a
senhora quem havia ouvido minhas preces. Esta é a casa de Deus e
tudo se faz possível, nada de mal pode conspurcar estas paredes,
nada de mal pode manchar este santuário. O mal não deveria entrar
aqui. Não na casa de Deus.
Olhou por cima do ombro para o confessionário e notou que a
vela dentro dele ainda permanecia acesa e a sombra do padre se
permitia entrever através das cortinas rendadas. Retirou os aparatos
de coroinha e deixou-os sobre o banco à sua frente. Seu sonho de
se tornar um sacerdote quando alcançasse a idade oportuna lhe
pareceu sem sentido e muito distante; apenas um sonho de criança,
abandonado e esquecido. Não perdera a fé em Deus, mas sabia
que Ele não estava ali naquela igreja.
Um gosto acre invadiu-lhe a garganta; tentou engolir a saliva,
mas sua boca estava seca. Parecia que, a cada passo que dava em
direção ao confessionário, aquele gosto metálico se acentuava.
Pensava no adendo da casa sacerdotal onde morava desde os nove
anos de idade, quando fora deixado por um pai que nunca tivera. O
padre Joshua o havia encontrado na porta da igreja, faminto,
perdido e com o esboço de uma oração fragmentada saindo de seus
lábios. Conversaram durante um bom tempo, até que, por fim, ele o
convidou para morar ali com outros meninos abandonados. Não
houve burocracia. Naquele local, encontrou um lar e um ideal de
vida. Quando completou doze anos, começou a dar assistência ao
padre nas missas como coroinha. A que fora celebrada algumas
horas atrás havia sido a sexta missa em que o auxiliara.
Esquecendo esses pensamentos, foi até o confessionário e
abriu a porta sem cerimônia. Normalmente não faria aquilo,
limitando-se a entrar na cabine da direita e fazendo a sua confissão
através da treliça de madeira. Mas, depois do que acontecera
naquela tarde, sentia-se no direito de encarar o padre nos olhos
durante a confissão. Sentia que tinha de fazê-lo.
Quando abriu a portinhola da cabina, retesou os ombros,
temendo que o padre gritasse. Nunca gritara antes, mas ele também
nunca havia transgredido as regras daquela forma. Não houve grito
algum e isso o deixou aliviado. Os olhos de Marcos encontraram os
dele e um misto de repulsa e ódio o invadiu. Imediatamente baixou o
olhar, tentando evitar o contato, mas nesse ato encontrou as mãos
do padre. Teve que se controlar para não sair correndo ao ver
aqueles dedos gordos e roliços. Tudo ao seu redor estava escuro e
ele desejava que a vela dentro do confessionário também estivesse
apagada. Seria mais fácil.
— Perdoe-me, padre, pois eu pequei. — Proferiu a frase por
tantas vezes em sua curta vida que as palavras saíam firmes,
independentes de seus sentimentos. — Não me confesso desde
esta manhã, mas, como sabe, contraí diversos pecados neste
período.
Esperou para ver se o padre tomaria alguma atitude, se faria
algo como atacá-lo. Temia realmente que tentasse agredi-lo da
mesma forma que havia feito pouco antes da missa e um espasmo
involuntário percorreu seu corpo. Sentiu uma grande repulsa ao
lembrar-se das mãos do padre e forçou-se conscientemente a
prosseguir.
— Quando fui ter com o senhor esta manhã — murmurou,
tentando firmar a voz — eu desejava apenas um conselho seu.
Quero ser um padre. — Fez uma pausa curta e corrigiu a própria
frase: — Eu queria ser um padre. Fui saber se poderia me ajudar,
pois sempre o respeitei e o tratei como se fosse um pai.
Considerava o senhor como um pai para todos nós.
Marcos ouviu um ruído familiar de passos e se deu conta de
que não estavam sós dentro da igreja. Pensou em olhar para trás,
em direção à porta, mas sentiu que precisava terminar com o padre
antes de se concentrar em outras coisas; caso contrário, não teria
coragem de concluir a confissão que iniciara.
— Nunca acreditei que um padre fosse capaz de fazer o mal a
outra pessoa. Estudei a Bíblia e sei que ela é composta
basicamente de violência, mas é um livro. A violência não faz parte
da Igreja, assim como... — ele tentou baixar o tom de voz que havia
elevado, mas não conseguia controlar sua raiva —... a sodomia não
deveria fazer.
Ergueu os olhos e viu que o rosto do padre continuava
imutável. A boca entreaberta como se fosse falar, mas nenhuma
palavra saía dela. Olhos fixos, mas totalmente inexpressivos.
— Eu havia ouvido histórias, visto outros garotos entrando em
sua cela e demorando a sair. Não achava que algo assim poderia
acontecer. Não queria acreditar. — Nesse momento, olhou por cima
de seu ombro e viu um vulto a poucos metros. Ignorou-o, pois sua
atenção tinha outro foco.
— Eu não tinha para onde ir, não tinha família, amigos, não
tinha nada, por isso o senhor abusou de mim. Agora, sei que não fui
o primeiro. — Aproximou-se, ficando a menos de um metro do
padre. — Mas tive fé e orei para a Virgem. Esta tarde, depois que
me violentou e me deixou sem opção, ajudei a celebrar a missa,
pois não conseguia pensar, não tinha escolha. Sentia uma raiva
intensa, mas ao mesmo tempo não sabia o que faria depois, por
isso me resignei a executar os serviços. Durante toda a missa, eu
rezava em silêncio para que a Virgem me ajudasse. Suplicava para
que ela me tirasse deste lugar.
— E, de certa forma, foi isso o que aconteceu.

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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