Varios Autores - Necropole - Historias De Fantasmas pdf

 Varios Autores - Necropole - Historias De Fantasmas pdf 




“Necrópole – Histórias de Fantasmas” é o segundo volume da série de uma coleção dedicada à nova nata dos suspense e do terror. A cada livro, um tema diferente, sempre com escritores brasileiros, que apresentam histórias distintas, mas o mesmo cenário: a Necrópole, metrópole que noite e dia digere nossas almas, gerando em seu ventre cadáveres célebres e assassinos anônimos.


Necropole - Historias De Fantasmas pdf 

Catarse
Não olhemos para trás com fúria, nem para frente com medo, mas
ao redor com atenção.
James Thurber (1894-1961)
MAL TIVERA tempo de soltar um palavrão.
Em um instante todo o seu mundo virou uma seqüência de
flashes e estampidos, e ele sabia que o haviam encontrado.
Qualquer esperança de escapar havia escorrido pelo ralo com
aquela surpresa. Num momento ele afiava indolentemente sua faca
em uma gasta pedra de amolar. No seguinte, rolava e fugia pelo
chão imundo, desesperado por encontrar algum lugar para se
abrigar. No auge da adrenalina, jogou-se dentro daquele velho e
abandonado freezer industrial, batendo a porta em seguida com
força exagerada. Balas atingiram e ricochetearam no metal pelo
lado de fora, mas não a penetraram. Ouviu as risadas se
aproximando e num gesto rápido sacou a faca e com um golpe
violento expôs o mecanismo do trinco. Enfiou a ponta entre as
engrenagens e bloqueou seu movimento bem a tempo, pois logo em
seguida eles chegaram e tentaram abrir a porta. Sentiu cada gota de
suor escorrendo em sua testa e pescoço quando o mecanismo
começou a balançar. Apertou com mais força a faca contra as
engrenagens, até que ela se partiu no último quarto da lâmina,
danificando irremediavelmente a tranca. Ninguém poderia entrar ou
sair de lá. Ouviu os xingamentos e blasfêmias abafados do lado de
fora, mas eles rapidamente foram substituídos por risadas de novo.
Em seguida, ouviu ruídos de coisas sendo arrastadas e encostadas
junto à porta e soube que não sairia tão cedo daquele lugar, mesmo
se conseguisse por um milagre consertar a tranca avariada. Algum
tempo depois as vozes desapareceram, abandonando-o por
completo. Respirou fundo, tentando acalmar o coração agitado em
seu peito. Apenas quando finalmente a tremedeira da adrenalina
passou é que se deu conta de sua situação.
Em sua mente a palavra “idiota” teimava em se repetir numa
constância irritante. Era óbvio que eles o seguiriam até o galpão da
velha fábrica. O que ele tinha na cabeça? Era para lá que todos os
que tinham alguma coisa a esconder ou de quem fugir iam, pois
ficava distante o suficiente do centro, em uma região tão inóspita e
abandonada que nem mesmo a polícia tinha coragem de se
aproximar. Não entendia exatamente por que razão havia escolhido
aquele lugar. Era como se uma voz em sua mente o conduzisse até
lá. E com isso, acabou dando a eles exatamente o que queriam: um
lugar discreto para uma execução sumária. De brinde, ainda
ganharam uma lenta e agonizante tortura, enquanto ele ficava lá,
preso e condenado a morrer de fome e sede, pois era certo que
ninguém viria resgatá-lo.
No escuro, verificou o estado de sua faca. Estava torta e a
ponta havia desaparecido, deixando a extremidade da lâmina quase
completamente retangular. “Ótimo, maravilha!”, analisou com um
sorriso amargo. Jogou-a com raiva no chão e passou a verificar o
ferimento na perna. A calça de moletom estava empapada de
sangue, mas o ferimento havia sido de raspão. Chegou a perfurar a
pele e atravessar um músculo de sua coxa, mas nada fatal. Apenas
havia perdido temporariamente o movimento da perna. Xingando em
voz baixa, rasgou uma faixa do tecido da calça e improvisou um
curativo, pois o sangue escorria lentamente pelo orifício calcinado
em sua pele, e não pretendia morrer por causa de um ferimento tão
ridículo.
Riu da própria sorte. Aquele não era o primeiro revés de sua
curta e atribulada vida. “Lembre-se da batida na rua de baixo”,
pensou, recordando-se do que até então fora o mais próximo da
morte que ele jamais estivera. O cheiro do esgoto invadiu sua
memória da mesma maneira que tinha feito com suas narinas
naquela vez. Esgoto que foi ao mesmo tempo sua rota de fuga e a
causa de uma infecção que quase o matou. Mas ele sobrevivera,
mesmo indo contra todas as chances. Só precisava se acalmar e
uma solução viria. Sempre vinha. Só não podia perder a cabeça.
A escuridão do compartimento arruinado não permitia que ele
fizesse uma inspeção mais detalhada, mas cambaleou junto às
paredes enferrujadas de modo a ao menos traçar o perímetro onde
ele se encontrava. Seis passos de comprimento por quatro de
largura. Do tamanho exato de um mausoléu improvisado, um
depósito para sua futura carcaça.
Sacudiu a cabeça, tentando espantar aqueles pensamentos.
Só por desencargo, tentou forçar novamente o trinco da porta
hermética. Tentou uma, duas vezes, quase estourando uma veia em
sua têmpora por causa do esforço, mas nem o trinco nem a porta se
moveram um milímetro sequer. Finalmente, desabou no chão
empoeirado. Não, aquela não seria sua saída. Os rapazes de Zé
Bruxo, aliados à sua estupidez, haviam garantido isso. Que ironia!
Conseguiram matá-lo sem sujeira, sem dor de cabeça. Só
precisaram levar o cadáver em potencial para dentro de seu esquife
e lacrá-lo lá dentro. Uma simples arapuca na qual ele tinha caído
como um passarinho retardado.
Mas não iriam vencê-lo. Não daquela maneira tão banal.
Ouviu seus tímpanos reverberarem com seus batimentos cardíacos
e sua respiração forçada, e fechou os olhos. Esforçou-se para
respirar fundo três vezes. Sem pânico, sem desespero. Era apenas
mais um problema, igual a tantos outros. Na verdade, até melhor,
pois quando conseguisse escapar estaria oficialmente morto para
seus perseguidores e pronto para recomeçar tudo do zero. Estava
farto daquela vida insana.
Ergueu-se com dificuldade. A perna doía como se estivesse
em chamas, mas ele imediatamente depositou a dor no fundo do
cérebro. Não era hora de se lamentar por causa de um ferimento tão
pequeno. Já havia sobrevivido até a um pulmão perfurado por uma
faca, durante a briga com Sardinha. Briga da qual, apesar do
ferimento, ele saiu vitorioso. Não seria um mero tiro na coxa que o
mataria. Apoiou-se na parede e rapidamente tateou-a. Procurou por
algum tipo de duto de ventilação ou abertura. Amaldiçoou-se por ter
abandonado a velha lanterna do lado de fora. Mas como poderia ter
pensado naquilo durante o tiroteio? Sacudiu a cabeça. Poderia
divagar o quanto quisesse depois. Mas agora ele tinha que ser
prático, arrumar um jeito de fugir daquele túmulo imundo e
fedorento. Tateou freneticamente as paredes de metal, a ferrugem e
a tinta velha desmanchando sob suas mãos ansiosas, até que
finalmente seus dedos alcançaram uma grade. Quase chorou de
alegria.Mas a alegria foi imediatamente substituída pela frustração. A
grade não possuía mais do que quinze centímetros de lado. Mesmo
que conseguisse abrir a passagem, seria impossível atravessá-la.
Em desespero, socou a parede e gritou até que suas mãos
doessem. Caiu sentado novamente no chão, chorando e soluçando.
Era o fim, eles tinham finalmente conseguido pegá-lo. Não havia
escapatória, iria morrer naquele maldito freezer. E por quê? Por
quê?

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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