Vários Autores - Histórias Góticas pdf

 Vários Autores - Histórias Góticas pdf 




Essa antologia reúne textos clássicos da literatura gótica, reunidos de fontes diversas e inéditos em ebook. São 51 contos e 19 poesias reunidas, abarcando desde clássicos primevos do gênero, essenciais, como “O Vampiro” de Polidori, “A Missa das Sombras” de France, “A Balada do Velho Marinheiro”, de Coleridge e “O Corvo”, de Poe. até outros representantes do gênero mais desconhecidos ou melhor dizendo, para ser fiel ao clima, obscuros. Além de outros conhecidos nomes do gênero, como Byron e Shelley, também estão reunidas insólitas contribuições de autores famosos noutros campos, como H.G. Wells, Honoré de Balzac e Daniel Defoe, o que só comprova a versatilidade da literatura desses autores.


Histórias Góticas pdf 

A TRISTE HISTÓRIA DE
THANGOBRIND, O JOALHEIRO
Lord Dunsany
Quando Thangobrind, o joalheiro, ouviu aquela tosse ominosa,
voltou-se de imediato para o caminho estreito. Era um ladrão de alto
renome, patrocinado pelos grandes e eleitos, pois tinha roubado
nada menos que o ovo de Moomoo, e durante toda a sua vida
roubara apenas quatro tipo de pedras: o rubi, o diamante, a
esmeralda e a safira. E, como é comum aos joalheiros, sua
honestidade era grande. Agora havia um Príncipe Mercador que o
procurara e oferecera a alma de sua filha em troca do diamante que
é maior que uma cabeça humana e que se encontrava sobre o colo
do ídolo-aranha, Hlo-hlo, no seu templo em Moung-ga-ling, pois
tinha ouvido que Thangobrind era um ladrão de confiança.
Thangobrind untou o corpo e saiu de sua loja, enveredando
secretamente por vias secundárias, e chegou até Snarp, antes
mesmo que alguém soubesse que ele tinha saído outra vez a
necócios ou desse pela falta da sua espada, que ficava guardada
num lugar sob a caixa registradora. Então, passou a se mover
somente à noite, escondendo-se durante o dia e afiando a lâmina de
sua espada, que ele chamava de Camundongo porque era lépida e
veloz. O joalheiro tinha métodos sutis para viajar, ninguém o viu
atravessar as planícies de Zid, ninguém o viu chegar a Mursk ou
Tlun. Oh, mas ele apreciava as sombras! Certa vez a lua,
despontando inesperadamente de uma tempestade, traíra um
joalheiro ordinário; mas não trairia Thangobrind. A sentinela apenas
viu arrastar-se uma silhueta furtiva e sorriu. “É apenas uma hiena”,
disseram. Uma vez, na cidade de Ag, um dos guardiões o pegou,
mas Thangobrind tinha se untado e escapou de suas mãos. Mal se
pôde ouvir o ruído de seus pés descalços na fuga. Ele sabia que o
Príncipe Mercador esperava pela sua volta, seus pequenos olhos
abertos durante toda a noite e brilhantes de cobiça.
Sabia que sua filha jazia acorrentada e gritando noite e dia.
Ah, Thangobrind sabia. E, não estivesse em serviço, teria se
permitido uma ou duas risadas. Mas negócio é negócio, e o
diamante que ele buscava ainda estava sobre o colo de Hlo-hlo,
onde permanecera pelos últimos dois milhões de anos desde que
Hlo-hlo criara o mundo e dera ao mundo todas as coisas exceto
aquela pedra preciosa chamada Diamante do Morto. A jóia era
roubada frequentemente, mas sempre dava um jeito de retornar ao
colo de Hlo-hlo.
Thangobrind sabia disso, mas não era um joalheiro comum e
esperava enganar Hlo-hlo, sem perceber a ponta de ambição e de
luxúria e que ambas são vaidades.
Com quanta ligeireza ele avançou entre as escarpas de
Snood! Ora como um botânico, perscrutando o chão; ora como um
dançarino, saltando entre saliências que desmoronavam. Já estava
escuro quando passou pelas torres de Tor, onde os arqueiros
atiravam flechas de marfim contra os estranhos, com o fim de
impedir que algum forasteiro alterasse suas leis, que são más, mas
que não são para serem alteradas por gente de fora. Atiravam à
noite guiando-se pelo som dos pés dos estranhos. Ó Thangobrind,
jamais houve um joalheiro como tu! Ele arrastou duas pedras atrás
de si, amarradas por cordas, e foi contra elas que os arqueiros
dispararam. Tentadora era a isca que haviam colocado em Woth, o
penduricalho de esmeraldas no portão da cidade. Mas Thangobrind
percebeu o cordão dourado que, a partir dele, ia até o alto da
muralha e os pesos que despencariam sobre ele se os tocasse, e
assim o deixou, embora o deixasse chorando, e por fim chegou a
Theth. Todos ali adoravam Hlo-hlo, embora tenham vontade de
acreditar em outros deuses, como atestam os missionários, mas
apenas como presas para as caçadas de Hlo-hlo, que traz as suas
auréolas – segundo dizem – penduradas em ganchos no seu cinto
de caça. E de Theth passou à cidade de Moung e ao templo de
Moung-ga-ling e, entrando, viu o ídolo-aranha, Hlo-hlo, sentado com
o Diamante do Morto a rutilar sobre seu colo, e olhando para o
mundo inteiro como uma lua cheia, mas uma lua cheia vista por um
lunático que dormiu demais sob os seus raios, pois havia no
Diamante do Morto um certo aspecto sinistro e uma porção de
coisas por acontecer que é melhor não mencionar aqui. A face do
ídolo-aranha era iluminada por aquela gema fatal. Não havia outra
luz. A despeito de seus membros estarrecedores e do corpo
demoníaco, sua face era serena e aparentemente inconsciente.
Um certo medo veio à mente de Thangobrind, um tremor
passageiro, não mais que isso. Negócio era negócio, e ele esperava
o melhor. Thangobrind ofereceu mel a Hlo-hlo e se prostrou diante
dele. Oh, como era esperto! Quando os sacerdotes saíram da
escuridão para apanhar o mel, tombaram inconscientes no chão do
templo, pois havia uma droga no mel que foi oferecido a Hlo-hlo. E
Thangobrind, o joalheiro, pegou o Diamante do Morto e o colocou
sobre o ombro e saiu do santuário. E Hlo-hlo, o ídolo-aranha, não
disse nada, mas sorriu discretamente quando o joalheiro fechou a
porta. Quando os sacerdotes despertaram do efeito da droga que
fora oferecida a Hlo-hlo junto com o mel, correram para uma salinha
secreta que tinha uma abertura para as estrelas e fizeram o
horóscopo do ladrão. Algo que viram no horóscopo pareceu
satisfazer os sacerdotes.
Por certo, Thangobrind não retornaria pela mesma estrada
pela qual viera. Não, ele foi por outra estrada, mesmo que
conduzisse ao caminho estreito, à casa-da-noite e à floresta-daaranha.
A cidade de Moung se elevou, muito alta, atrás dele – sacadas
e mais sacadas, eclipsando metade das estrelas –, quando ele
partiu. Embora, quando um patear suave como de pés de veludo
ressoou atrás dele, ele se recusasse a reconhecer que poderia ser o
que temia, ainda assim os instintos de sua profissão lhe disseram
que não era nada bom que qualquer ruído seguisse um diamante à
noite, e este era um dos maiores que negócio algum jamais pusera
em suas mãos. Quando chegou ao caminho estreito que conduz à
floresta-da-aranha, o Diamante do Morto parecendo frio e pesado, e
os passos de veludo parecendo ameaçadoramente próximos, o
joalheiro parou e quase hesitou. Olhou para trás; não havia nada.
Aguçou os ouvidos; agora não havia som. Então pensou nos gritos
da filha do Príncipe Mercador, cuja alma era a paga do diamante, e
sorriu e prosseguiu altivamente. Lá o espiava, apática, aquela
mulher sinistra e dúbia cuja casa é a Noite. Ele ainda não chegara
ao fim do caminho estreito, quando a mulher emitiu monotonamente
aquela tosse hedionda.
A tosse foi por demais significativa para ser subestimada.
Thangobrind voltou-se e de repente viu o que temia. O ídolo-aranha
não ficara em casa. O joalheiro colocou delicadamente o diamante
no chão e sacou da espada chamada Camundongo. E então
começou aquela famosa luta no caminho estreito, na qual a mulher
velha e sinistra cuja casa era a Noite pareceu ter tão pouco
interesse. Via-se logo que, para o ídolo-aranha, era tudo uma
horrível piada. Para o joalheiro era um compromisso imperioso. Ele
lutou e ofegou e foi obrigado a recuar lentamente pelo caminho
estreito, mas feriu bastante, com talhos compridos e terríveis, o
corpo profundo e macio de Hlo-hlo, até que Camundongo ficou tinta
de sangue. Mas, por fim, a gargalhada persistente de Hlo-hlo foi
demais para os nervos do joalheiro, e este, ferindo mais uma vez o
seu adversário demoníaco, tombou perplexo e exausto junto à porta
da casa chamada Noite, aos pés da mulher velha e sinistra, a qual,
depois que emitiu aquela tosse hedionda, não mais interferiu no
curso dos eventos. E então aqueles a quem compete essa tarefa
levaram Thangobrind para a casa onde os dois homens enforcam e,
cada um deles tirando do seu laço a mão esquerda, puseram esse
aventuroso joalheiro em seu lugar. Assim lhe adveio o destino que
receara, como todos os homens sabem, embora tenha sido há muito
tempo, e um pouco se aplacou a ira dos deuses invejosos.
E a filha única do Príncipe Mercador sentiu tão pouca gratidão
por esse grande ato de libertação que passou a praticar a
respeitabilidade do tipo militante, tornando-se agressivamente
enfadonha, e deu ao seu lar o nome de Riviera Inglesa, e fez
algumas trivialidades de lã sobre a capa do bule de chá, e enfim
nunca morreu, mas simplesmente faleceu, em sua residência

Download pdf 


Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

Postar um comentário (0)
Postagem Anterior Próxima Postagem