Varios Autores - Firebirds pdf

 Varios Autores - Firebirds  pdf 




Uma antologia de contos para o público infanto-juvenil, escritos por alguns dos melhores autores das áres de fantasia e ficção científica da atualidade. O resultado é um livro divertido, provocante e surpreendente, feito por e para leitores apaixonados pelo mundo fantástico.

Firebirds pdf

Delia Sherman – O baile
Foi em junho que a mãe de Célia Townsend mencionou pela primeira
vez o assunto dos bailes de debutantes. Um dia após a formatura, elas
comentavam que Célia deveria retornar do Maine no final do verão e se
aprontar para o início das aulas como caloura na faculdade de Vassar.
— Você nem imagina tudo o que temos de fazer — a mãe foi avisando.
— Primeiro, tem o vestido. Temos que encomendá-lo e comprar os
sapatos antes de você ir. Não gosto de deixar as coisas para a última hora.
Célia parecia desinteressada.
- Que vestido?
- Seu vestido de debutante, querida. Para o Baile de Inverno, em
dezembro. E você vai precisar de um par, mas dá pra esperar até você se
enturmar na faculdade. Pena que você não conheça nenhum rapaz.
Célia poderia dizer que isso não era culpa dela, já que seus pais a tinham
mandado a uma escola só de meninas para que nada interferisse em seus
estudos. Mas apenas revirou os olhos.
— Você não vai encrencar com isso, vai, Cê? — a mãe disse, ansiosa. —
Eu sei que algumas de suas amigas acham essa coisa de baile antiquada e
sem importância, mas, francamente, eu não sei que diferença vai fazer
pra guerra do Vietnã você ir ou não a um baile de debutantes1.
Célia deu de ombros.
— Eu disse que iria, não disse?
Célia tinha vergonha de admitir, mas no fundo estava ansiosa pelo Baile
de Inverno com a dança tradicional das debutantes, chamada cotilhão. É
verdade que debutar era muito antiquado, mas era isso que a atraía. Célia
gostava do passado, ou ao menos de certas partes dele — como vestidos
longos, cabelos compridos, castelos, qualquer coisa que tivesse alaúdes ou
que lembrasse o som de alaúdes. Ela adorava o filme Romeu e Julieta
de Zeffireli, livros como Tom Jones, histórias antigas e canções
folclóricas tradicionais: baladas cheias de magia e de amantes unidos pelo
destino. O passado era romântico... As pessoas viviam aventuras naquela
época, as roupas eram legais, e coisas inesperadas aconteciam nos bailes,
como raptos e paixões súbitas. Célia, que nunca vivera uma aventura de
verdade nem se apaixonara, estava apostando alto no Baile de Inverno.
A realidade, contudo, mostrou-se tão romântica quanto uma reunião de
pais e mestres. Tudo bem quanto ao vestido; a barra tinha pétalas de
organza que ondulavam quando ela se mexia. A mãe, entretanto, não a
deixou prender o cabelo cor de mel com tiras de pérolas, como ela queria.
E foi um tédio ficar parada em pé no salão gelado, com mais trinta garotas
e seus pais, a mãe a toda hora arrumando seus cabelos e lhe dizendo para
endireitar as costas. E aí chamaram seu nome e ela entrou no salão de
baile, de braço dado com seu pai para o Grande Momento.
Que bela droga foi o Grande Momento! O brilho das luzes a fazia piscar e
ela perdeu o equilíbrio ao fazer a reverência, além de o pai ter pisado
numa das pétalas de organza e a arrancado fora.
Ela havia debutado na sociedade. Grande coisa. Se não fosse o fato de a
mãe estar satisfeita com ela uma vez na vida, teria sido melhor ficar em
casa.
Célia tirou um cigarro da bolsa de contas brancas, acendeu-o e apoiou os
cotovelos na toalha de mesa cor-de-rosa. Fumar era um dos maus hábitos
que ela adotara com a inebriante liberdade que estava experimentando
na faculdade, ao viver longe da mãe pela primeira vez na vida. O outro
era o namoradinho, que tinha conhecido nas festas dos alunos de Yale,
no outono. Seu nome era Guy Duvivier; ele descansava numa cadeira de
bambu dourada, os pés em cima do murinho num dos camarotes
particulares que circundavam o salão. Tinha o rosto longo e ossudo, olhos
de tigre com pálpebras pesadas, e cabelo ruivo preso com elástico num
rabo de cavalo. Havia cinzas na lapela de seu paletó e uma expressão
meio abobalhada em seu rosto, resultado do baseado que ele escondia
embaixo da mesa.
Célia soltou uma baforada desgostosa e voltou os olhos para a pista de
dança. Lester Brown e sua renomada banda tocavam um foxtrote. A pista
de dança era um redemoinho de vestidos brancos e fraques pretos,
pontuados pelos vestidos dourados, escarlates e azuis das mães. Ela
avistou sua melhor amiga, Helen, deslizando com o namorado à margem
da massa de casais, os olhos nos olhos dele, parecendo feliz da vida.
Mexeu-se, inquieta, na cadeira dura e estreita.
— Vamos dançar — disse.
— Por quê? — Guy soltou um fio de fumaça fina e adocicada e deu mais
uma tragada.
— Isto é um baile, Guy. A gente tem de dançar num baile.
— Esse é um ritual de acasalamento que vem da época do dilúvio. — Ele
a olhou com malícia. — Nós não precisamos de um ritual sujo para
acasalar, não é, Cê?
Célia não tinha nenhuma intenção de transar com Guy. Quando
começara a sair com ele, achava que era um romântico, mas logo
percebera que ele só se vestia como tal. Infelizmente, ela já o tinha
convidado para aquele baile estúpido, e ele aceitara. Mais um comentário
desses e ela terminaria com ele naquela noite, mesmo que ficasse sem
namorado durante todo o inverno. Havia limites no que ela seria capaz
de fazer para deixar a mãe feliz.
A música terminou com o ressoar de aplausos bem-educados. Os casais
circularam pelo salão, cumprimentando amigos e mudando os parceiros.
A orquestra deu tempo para que todos acertassem os novos pares, e então
explodiu de novo, num chachachá rouco. As cortinas de seu camarote
particular se mexeram e alguém disse:
— Carmen Miranda de luvas brancas. Tudo a ver!
Célia não reconheceu a voz. Nem parecia a sua língua, uma voz de tenor
vibrante como um clarinete, cheia de matizes e harmonias. Ela olhou em
volta e viu um sujeito alto de fraque, afastando a cortina do camarote
com a mão.
- Pensei que estava sozinha — ele disse. — Desculpe.
- Não, não, entre — convidou Célia.
- E — Guy disse. — Entre. Traga seus amigos. Vamos fazer uma festinha.
O estranho soltou a cortina e veio para debaixo da luz. A primeira coisa
que Célia pensou foi que ele tinha o visual perigoso e descolado que Guy
gostaria de ter. Seu rosto era longo e as bochechas lisas, o nariz quase
romano, lábios finos e queixo pontudo. A pele era clara e seus cabelos
pretos estavam presos com uma fita preta. Da orelha esquerda pendia um
brinco.
- Guy Duvivier — Guy se apresentou, sem se levantar.
- Encantado — respondeu o estranho, e se inclinou. — Valentine Carter.
— Ele se voltou para Célia. — E você é Célia Townsend.
Célia sentiu que estava ficando vermelha.
- Como sabe disso?
- Você foi apresentada formalmente a todo mundo não faz nem uma hora
— ele sorriu para ela. — Gostei da sua reverência. Teve personalidade.
Fez-se uma pausa incômoda durante a qual Célia imaginou se ele estaria
zombando dela. Achou que não. Seus olhos eram de um escuro profundo,
intenso como um facho de luz, e se fixavam nos dela sem hesitação.
Embora não fosse nada tímida, ficou sem graça.
A banda passou do chachachá para a valsa. Sem tirar os olhos dela,
Valentine perguntou:
- Senhorita Townsend, concede-me a honra desta dança?
- Belo brinco — zombou Guy. — Seu namorado te deu de presente?
- Você está chapado — Célia revidou, friamente.
— É o tédio — Guy concordou. — Só assim pra aguentar o tranco. — Ele
estendeu a mão suada. — Vamos dar uns amassos?
Morta de vergonha, Célia olhou para Valentine, que educadamente fingia
observar os dançarinos na pista.
— Desculpe o Guy — ela disse. — Ele não é tão babaca quando não está
chapado. Eu adoraria dançar.
Valentine fez uma mesura com a cabeça — ela nunca tinha visto um
homem fazer isso sem parecer imbecil — e ofereceu-lhe o braço. Ela
apoiou os dedos nele e saiu do camarote, seguida por um resmungo de
Guy:
— Oh, cara! Célia? Que merda!

Download pdf 


Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

Postar um comentário (0)
Postagem Anterior Próxima Postagem