Varios Autores -Alem Do Tempo E Do Espaco pdf

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“Minha vida é muito mais complicada do que uma novela policial” — disse-me o japonês ao erguer-se da mesa do carro-restaurante. E acrescentou: “Um dia contarei tudo ao senhor”.
Ora, nós nos conhecêramos apenas meia hora antes, naquele trem da Alta Paulista. Conversáramos sobre vários assuntos e eu lhe dera algumas informações profissionais sobre parcerias agrícolas. Dos problemas da parceria tínhamos passado aos do cinema e destes aos da novela policial. Hoje estou certo de que a vida de Takeo pode servir de tema a uma novela comovente.
Trocamos os nossos cartões de visita e dois ou três anos correram sem que eu tivesse notícias do nipônico. Mas um dia fui surpreendido por uma longa carta, de difíceis garranchos que alinhavam uma língua mista e quase indecifrável.
Corri os olhos pelas garatujas e joguei, desanimado, a carta ao fundo de uma gaveta. Meio ano depois, ao ter notícia do estranho fato que estava celebrizando o cemitério de S. José do Abacateiro, e recordando que o japonês me falara sobre tal localidade ainda não mencionada nos mapas do Estado, corri à gaveta e iniciei a leitura, tradução e decifração daquelas vinte folhas fechadas pela assinatura de Takeo Matusaki.
I
“NASCI EM CHIMABARA”
Não foi fácil arrumar em frases claras o emaranhado de palavras que se acotovelavam no papelório do nipão. Na verdade reescrevi a carta, aproveitando-lhe as idéias e as informações
e omitindo alguns elementos desnecessários, inclusive o meu nome, que se repetia na abertura de todos os parágrafos, estropiado mas reconhecível. A versão que aproveitei é a que tem início na linha seguinte.
“Nasci em Chimabara, cidade plantada no lado oriental de uma ilha perto de Nagasáqui, e tinha onze anos quando o Imperador entrou na guerra mundial. Nessa época morávamos na ilha de Quio-Chu, em Facuoca, e meu pai exercia o ofício de mecânico. A guerra não o deixou em casa: seguiu como mecânico de viaturas. Então eu e minha mãe fomos para a casa de uma tia, em Omura, subúrbio de Nagasáqui. Lá vivemos alguns anos e eu ia crescendo enquanto meu pai servia nas ilhas do Pacífico.
II
O COGUMELO
Apesar de tudo a vida era agradável. As notícias da guerra eram sempre boas e na escola falava-se todos os dias de incríveis atos de heroísmo. Mas houve em nossa vida aquele momento em que ouvimos um estalo, e tivemos a impressão de que a terra se fendera de cima a baixo. Um clarão iluminou o céu, do lado de Nagasáqui, e depois um enorme cogumelo de fumo se plantou, frondoso, sobre a terra e foi subindo vagarosamente.
Os dias seguintes foram marcados por uma chuva de boatos e tudo era confuso. Firochima também fora destruída. Eu e outros meninotes começamos então a nos aproximar das cinzas de Nagasáqui, embora tal coisa fosse ferozmente proibida.
Renovavam-se os avisos: ninguém deveria chegar perto da cidade arrasada. Ninguém deveria beber a água dos riachos e das fontes da região. E nós, que ouvíamos as recomendações, jurávamos não beber tal água. Mas a verdade é que — como vocês ensinam — ninguém pode dizer “dessa água não beberei”...
III
OS FRUTOS DA MORTE

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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