Trevian - Shibumi pdf

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O
Washington
s números lampejaram na tela 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3... e então o
projetor foi desligado e luzes se acenderam em luminárias
embutidas nas paredes da sala de projeção privativa.
A voz do projecionista surgiu, aguda e metálica, pelo interfone.
— Pronto quando o senhor estiver, sr. Starr.
T. Darryl Starr, única pessoa na platéia, apertou o botão no
painel de comunicação situado à sua frente.
— Ei, amigão? Me diga uma coisa. Afinal, para que servem todos
esses números que aparecem antes do filme?
— São chamados de guia, senhor — respondeu o projecionista. —
Eu os colei no filme só para fazer uma piadinha.
— Uma piadinha?
— Sim, senhor. Quer dizer... por causa do tipo de filme... fica
engraçado ter uma guia comercial, o senhor não acha?
— Engraçado, por quê?
— Bem, quer dizer... com todas as reclamações sobre a violência
nos filmes e toda essa história.
T. Darryl Starr grunhiu e coçou o nariz com as costas da mão.
Então desceu os óculos escuros em estilo de piloto que empurrara
para o alto da testa quando as luzes foram desligadas.
Piadinha? Seria muito melhor que não fosse uma porra de uma
piadinha, não tinha merda de graça nenhuma! Se alguma coisa
tivesse dado mal, seria o meu rabo que eles iam comer. E se o menor
detalhe estivesse mesmo errado, pode apostar o seu saco que o sr.
Diamond e sua equipe vão descobrir. Malditos detalhistas! Desde
que eles assumiram o controle das operações da CIA no Oriente
Médio, parece que ficam de pau duro cada vez que descobrem o
menor deslize da gente.
Starr mordeu a ponta do seu charuto, arrancou-a, cuspiu no chão
acarpetado, lambeu o charuto com os lábios franzidos e acendeu-o
com um fósforo de madeira que riscou na unha do polegar. Como o
Principal Agente de Campo, ele tinha acesso a charutos cubanos.
Afinal de contas, militares têm seus privilégios.
Ele se espichou e empoleirou as pernas em cima da poltrona à
sua frente, como costumava fazer, ainda garoto, ao assistir os filmes
no Cinema Lone Star. E, se o garoto da frente reclamasse, Starr se
ofereceria para enterrar um nabo no rabo dele. O outro garoto
sempre amarelava, porque todo mundo em Fiat Rock sabia que T.
Darryl Starr era uma espécie de selvagem capaz de fazer qualquer
garoto lamber a lama do chão.
Isto fora há muitos anos e porradas, mas Starr ainda era uma
espécie de animal. Era isto de que se necessitava para ser o Principal
Agente de Campo da CIA. Isto, e experiência. E conhecer as manhas.
E patriotismo, lógico.
Starr consultou o relógio: dois minutos para as quatro. O sr.
Diamond tinha marcado a sessão para as 4h, e chegaria as 4h
pontualmente. Se o relógio de Starr não marcasse exatamente 4h
quando Diamond entrasse na sala de projeção, ele não teria dúvidas
de que seu relógio precisava de uma revisão.
Ele apertou novamente o botão de comunicação.
— Como é que está o filme?
— Não está mau, considerando as condições em que foi rodado —
respondeu o projecionista. — A iluminação do Aeroporto
Internacional de Roma é meio enganosa... uma mistura de luz
natural com lâmpadas fluorescentes. Tive de usar uma combinação
de filtros que diminuiu muito minha profundidade de campo e ficou
bem difícil conseguir foco. E quanto à qualidade da cor...
— Não venha me contar os seus probleminhas de criança mijona!
— Me desculpe, senhor. Eu estava só tentando responder à sua
pergunta.
— Bem, não me enche o saco!
— Senhor?
A porta da sala abriu-se com um repelão. Starr lançou um olhar
ao seu relógio; o ponteiro dos segundos indicava cinco segundos após
as quatro. Três homens caminharam rapidamente pelo corredor. Na
frente, vinha o sr. Diamond, um homem rijo com quase 50 anos
cujos movimentos eram rápidos e enérgicos, e cujas roupas,
impecavelmente cortadas, refletiam seus rígidos hábitos mentais.
Logo atrás vinha o Primeiro Assistente do sr. Diamond, um sujeito
alto, meio desengonçado, com um vago ar de acadêmico. Não sendo
homem de perder tempo, Diamond tinha o costume de ditar
memorandos mesmo quando se deslocava de uma reunião para
outra. O Primeiro Assistente levava um gravador na cintura,

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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