T. H. White - O Único e Eterno Rei pdf

 T. H. White - O Único e Eterno Rei pdf 




"O Único e Eterno Rei", coleção de cinco livros que reúne a saga do Rei Arthur escrita por T. H. White.



Segundas, quartas e sextas eram dias de Beija-Mão e Summulae Logicales
e, no resto da semana, Princípios de Investigação, Recapitulação e
Astrologia. A preceptora sempre se atrapalhava com o astrolábio e, quando
ficava especialmente atrapalhada, ela o tomava das mãos de Wart, batendolhe
nos nós dos dedos. Não batia nos nós dos dedos de Kay porque Kay,
quando crescesse, seria Sir Kay, o senhor da propriedade. Wart era chamado
de Wart porque rimava mais ou menos com Art, e era uma abreviatura de
seu verdadeiro nome. Kay lhe dera esse apelido. Kay era chamado apenas
de Kay, pois era muito importante para ter apelido, e imediatamente teria
um ataque se alguém tentasse lhe dar um. A preceptora tinha cabelos ruivos
e uma ferida misteriosa com a qual conseguia grande prestígio ao mostrá-la,
a portas fechadas, para todas as mulheres do castelo. Diziam que estava no
lugar onde ela se sentava, e que fora causada por ter se sentado, por engano,
sobre uma armadura em um piquenique. Ela acabou se oferecendo para
mostrá-la a Sir Ector, que era pai de Kay, teve um ataque histérico e foi
mandada embora. Depois descobriram que ela havia passado três anos em
um hospício.
De tarde o programa era: segundas e sextas, torneio e equitação; terças,
falcoaria; quartas, esgrima; quintas, arco e flecha; sábados, a teoria da
Cavalaria, com as maneiras adequadas de se receber um golpe em qualquer
situação, terminologia da etiqueta da caça e perseguição. Se, por exemplo,
fizessem a coisa errada no toque de "mort" ou no "desmanche", eram
curvados sobre o corpo do animal morto e recebiam um golpe com o lado
cego da espada. Isso era chamado de ser laminado. Era uma grosseria, uma
espécie de brincadeira, como ter o cabelo raspado ao cruzar pela primeira
vez a linha do Equador. Kay, no entanto, nunca fora laminado, embora
errasse com freqüência.
Quando se livraram da preceptora, Sir Ector disse:
— Afinal de contas, maldição, os meninos não podem ficar correndo o dia
todo como desordeiros... afinal de contas, maldição? Deveriam ter uma
educação de primeiro grau. Quando eu tinha a idade deles, tinha toda essa
coisa de Latim e o resto às cinco, toda manhã. O tempo mais feliz de minha
vida. Passa o Porto.
Sir Grummore Grummursum, que ficou para passar a noite porque fora
surpreendido no meio de uma busca, depois de uma corrida especialmente
longa, disse que, quando tinha a idade deles, desaparecia toda manhã
porque ia atrás dos falcões em vez das lições. Atribuía a essa fraqueza o
fato de nunca ter conseguido passar do futuro simples de Utor. Ficava na
metade inferior da coluna esquerda, ele disse. Na página noventa e sete,
achava. Passou o Porto.
Sir Ector perguntou:
— Teve uma boa busca hoje?
— Oh, nada má — Sir Grummore disse. — Um dia esplendidamente bom,
na verdade. Encontrei um camarada chamado Sir Bruce Saunce Pite
cortando a cabeça de uma donzela em Weedon Bushes, corri atrás dele até a
Mixbury Plantation, em Bicester, daí ele fugiu de novo, e o perdi em
Wicken Wood. Deve ter sido uns bons quarenta quilômetros.
— Uma perseguição das boas — comentou Sir Ector. — Mas quanto a
esses meninos e todo esse Latim e tudo isso — acrescentou o velho
cavalheiro. — Amo, amas, entende?, e ficarem nesse corre-corre de
desordeiros: o que você aconselharia?
— Ah — disse Sir Grummore, colocando um dedo no nariz e dando uma
piscadela para a garrafa —, isso requer que se pense bem a respeito, se você
não se importa que o diga.
— De jeito nenhum — disse Sir Ector. — Muito gentil de sua parte dizer
seja o que for. Muito amável, com certeza. Sirva mais Porto.
— Bom esse Porto.
— Ganhei de um amigo.
— Mas quanto a esses meninos — disse Sir Grummore. — Quantos eles
são, você sabe?
— Dois — respondeu Sir Ector —, isto é, contando ambos.
— Eles não poderiam ser enviados a Eton, suponho? — perguntou Sir
Grummore cautelosamente. — Muito longe e tudo isso, bem sabemos.
Não era exatamente Eton que ele queria dizer, pois o Colégio da Sagrada
Maria só seria fundado em 1440, mas a um lugar do mesmo tipo. Também,
estavam bebendo hidromel e não Porto, mas mencionar o vinho moderno dá
uma idéia melhor.
— Não é tanto a distância — disse Sir Ector — mas aquele gigante — qualé-
mesmo-o-nome-dele? — que está no caminho. Tem de passar pela terra
dele, você sabe.
— Qual é mesmo o nome dele?
— Não consigo me lembrar no momento, por nada nesse mundo. É aquele
que vive perto de Burbly Water.
— Galapas — disse Sir Grummore.
— Exatamente esse.
— A única outra possibilidade — disse Sir Grummore — é ter um tutor.
— Você quer dizer um camarada que ensina.
— Isso mesmo — disse Sir Grummore. — Um tutor, você sabe, um
camarada que ensina.
— Sirva mais Porto — disse Sir Ector. — Você precisa, depois de toda essa
busca de hoje.
— Dia esplêndido — disse Sir Grummore. — Só que, atualmente, parece
que nunca se mata. Corre-se quarenta quilômetros e então, ou se cai no
chão, ou você o perde completamente. O pior é quando se começa uma
busca nova.
— Matamos todos os filhotes de nossos gigantes — comentou Sir Ector. —
Depois disso, eles o fazem correr, mas logo somem.

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Ahmed Zayed

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