Zygmunt Bauman E Tim May - Aprendendo A Pensar Com A Sociologia EPUB

 



Zygmunt Bauman E Tim May - Aprendendo A Pensar Com A Sociologia EPUB


. Introdução .

A sociologia como disciplina

Neste capítulo analisaremos a ideia de aprender a pensar sociologicamente e sua importância no entendimento de nós mesmos, uns dos outros e dos ambientes sociais em que vivemos. Para isso, iremos considerar a sociologia uma prática disciplinada, dotada de um conjunto próprio de questões com as quais aborda o estudo da sociedade e das relações sociais.

Em busca de distinção

A sociologia engloba um conjunto disciplinado de práticas, mas também representa considerável corpo de conhecimento acumulado ao longo da história. Percorrer com o olhar a seção de sociologia das bibliotecas revela um conjunto de livros que representa essa área de conhecimento como uma tradição de publicação. Essas obras fornecem considerável volume de informação para novatos na área, queiram eles se tornar sociólogos ou apenas ampliar seu conhecimento a respeito do mundo em que vivem. São espaços em que os leitores podem se servir de tudo aquilo que a sociologia é capaz de oferecer e, com isso, consumir, digerir, dela se apropriar e nela se expandir. Essa ciência configura-se, assim, uma via de constante fluxo, e os novatos acrescentam ideias e estudos da vida social às estantes originais. A sociologia, nesse sentido, é um espaço de atividade contínua que compara o aprendizado com novas experiências e amplia o conhecimento, mudando, nesse processo, a forma e o conteúdo da própria disciplina.

Isso parece fazer sentido. Afinal, quando nos perguntamos “o que é a sociologia?”, podemos nos referir a uma coleção de livros em uma biblioteca, que dão conta do conteúdo da disciplina – esse é um modo aparentemente óbvio de pensar sobre a matéria, posto que, se alguém nos perguntar “o que é um leão?”, podemos pegar um livro sobre animais e indicar uma imagem específica. Nesse sentido, estamos apontando para a ligação entre palavras e objetos. Assim, portanto, palavras referem-se a objetos, que se tornam referentes para essas palavras, e, então, estabelecemos conexões entre uns e outras em condições específicas. Sem essa capacidade comum de compreensão, seria impossível a comunicação mais banal, aquela que não costumamos sequer questionar. Isso, entretanto, não é suficiente para um entendimento de maior profundidade, mais sociológico, dessas conexões.

Esse processo, contudo, não nos possibilita conhecer o objeto em si. Temos então de acrescentar algumas perguntas, por exemplo: de que maneira esse objeto é peculiar? De que forma ele se diferencia de outros, para que se justifique o fato de podermos a ele nos referir por um nome diferente? Se chamar um animal de leão é correto mas chamá-lo de tigre não, deve haver algo que leões tenham e tigres não, deve haver distinções entre eles. Só descobrindo essas diferenças podemos saber o que caracteriza um leão – o que é bem diferente de apenas saber a que objeto corresponde a palavra “leão”. É o que acontece com a tentativa de caracterizar a maneira de pensar que podemos chamar de sociológica.

Satisfaz-nos o fato de a palavra “sociologia” representar certo corpo de conhecimentos e certas práticas que utilizam esse conhecimento acumulado. Entretanto, o que faz esses conteúdos e essas práticas serem exatamente “sociológicos”? O que os torna diferentes de outros corpos de conhecimento e de outras disciplinas que têm seus próprios procedimentos?

Para responder a essa pergunta, poderíamos, voltando a nosso exemplo do leão, buscar distinguir a sociologia de outras disciplinas. Em muitas bibliotecas, as estantes mais próximas às de sociologia têm etiquetas como “história”, “antropologia”, “ciência política”, “direito”, “políticas públicas”, “ciências contábeis”, “psicologia”, “ciências da administração”, “economia”, “criminologia”, “filosofia”, “serviço social”, “linguística”, “literatura” e “geografia humana”. Os bibliotecários que as organizam talvez suponham que os leitores que pesquisam a seção de sociologia podem eventualmente chegar a um livro desses outros assuntos. Em outras palavras, considera-se que o tema central da sociologia deve estar mais próximo desses corpos de conhecimento que de outros. Talvez as diferenças entre os livros de sociologia e seus vizinhos imediatos sejam, então, menos pronunciadas do que as existentes entre sociologia e, digamos, química orgânica?

Faz sentido essa catalogação. Os corpos de conhecimento dessas matérias têm muito em comum, sendo preocupação de todas elas o mundo feito pelos seres humanos, aquele que só existe em decorrência de nossas ações. Todos esses sistemas de pensamento, cada um à sua maneira, se referem a ações humanas e suas consequências. Se, entretanto, exploram o mesmo território, o que os distingue? O que os faz tão diferentes um do outro que justifique cada qual ter um nome?

Somos tentados a oferecer uma resposta simples para essas questões: divisões entre corpos de conhecimento devem refletir as divisões em seu universo de investigação. São as ações humanas (ou os aspectos dessas ações) que diferem umas das outras, e as divisões entre os diferentes corpos de conhecimento simplesmente levam em conta esse fato. Assim, a história diz respeito às ações que têm lugar no passado, enquanto a sociologia se concentra nas ações atuais. De modo similar, a antropologia trata de sociedades humanas em estágios de desenvolvimento diferentes daquele em que se encontra a nossa (independentemente da maneira como isso seja definido).

No que diz respeito a outros parentes próximos da sociologia, a ciência política tende a discutir ações relativas ao poder e ao governo; a economia lida com aquelas relacionadas ao uso de recursos em termos de maximização de sua utilidade por indivíduos considerados “racionais”, em um sentido particular do termo, assim como à produção e à distribuição de bens; o direito e a criminologia estão interessados na interpretação e aplicação de leis e normas que regulam o comportamento humano e na maneira como essas normas estão articuladas, como se tornam obrigatórias, são executadas e seus efeitos. Todavia, esse modo de justificar as fronteiras entre disciplinas torna-se problemático, pois assumimos que o mundo humano reflete divisões tão precisas que demandam ramos especializados de investigação. Chegamos então a um debate importante: como a maioria das crenças que parecem autoevidentes, essas divisões só se mantêm óbvias enquanto nos abstemos de examinar os pressupostos que as sustentam.

Então, de onde tiramos a ideia de que as ações humanas podem ser divididas em categorias? Seria do fato de que elas têm sido assim classificadas, e a cada uma tem se atribuído nome específico? Ou do fato de que há grupos de especialistas com credibilidade, considerados conhecedores e confiáveis, que clamam direitos exclusivos para estudar determinados aspectos da sociedade e nos suprir com opiniões fundamentadas? Do ponto de vista de nossas experiências, contudo, faz sentido repartir a sociedade entre economia, ciência política ou políticas públicas? Afinal, não vivemos um momento sob o domínio da ciência política e o seguinte sob o da economia; nem nos deslocamos da sociologia para a antropologia quando viajamos da Inglaterra para alguma região, digamos, da América do Sul; ou da história para a sociologia de um ano para outro!

Será que somos capazes de separar esses domínios de atividade em nossas experiências e, assim, categorizar nossas ações em políticas num momento e econômicas em outro porque antes de tudo fomos ensinados a fazer tal distinção? Então o que conhecemos não seria o mundo em si, mas o que nele estamos fazendo em termos de como nossas práticas são conformadas por uma imagem daquele mundo. Trata-se de um modelo construído com os blocos derivados das relações entre linguagem e experiência. Desse modo, não há divisão natural do mundo humano que se reflita em diferentes disciplinas acadêmicas. O que há, pelo contrário, é uma divisão de trabalho entre os estudiosos que se debruçam sobre as ações humanas, e isso é reforçado pela mútua distinção dos respectivos especialistas, com os direitos exclusivos de cada grupo quanto à decisão do que pertence e do que não pertence a suas áreas específicas.

Em busca da “diferença que faz a diferença”, deparamos com a questão: em que as práticas desses ramos de estudo diferem umas das outras? Existe similaridade nas atitudes de cada um deles em relação ao que escolheram como objeto de estudo. Afinal, todos exigem obediência às mesmas regras de conduta ao lidar com seus respectivos objetos. Todos buscam coletar fatos relevantes e garantir sua validade, e, então, testam e voltam a testar esses fatos no sentido de confirmar a confiabilidade das informações a respeito deles. Além disso, todos tentam colocar as proposições sobre esses fatos de tal maneira que elas sejam clara e inequivocamente compreendidas e confirmadas por evidências. Fazendo isso, procuram antecipar-se a contradições entre proposições ou mesmo eliminá-las, de modo que nunca duas afirmações opostas sejam consideradas verdadeiras ao mesmo tempo. Simplificando, todos eles tentam fazer jus à ideia de uma disciplina sistemática e apresentar seus achados de modo responsável.

Agora podemos afirmar que não há diferença na maneira como a tarefa dos especialistas, bem como sua marca registrada – a responsabilidade acadêmica –, é entendida e praticada. Quem reivindica a condição de especialista parece empregar estratégias similares para coletar e processar seus fatos: observa aspectos das ações humanas ou emprega evidências históricas e busca interpretá-las segundo modos de análise coerentes com essas ações. Logo, parece que nossa última esperança de encontrar o traço distintivo está nos tipos de questão que motivam cada campo, ou seja, aquelas que determinam os pontos de vista (perspectivas cognitivas) pelos quais as ações humanas são observadas, pesquisadas, descritas e explicadas por estudiosos dessas diferentes disciplinas.

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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