Willian Kotzwinkle - E.T. - O Extraterrestre PDF

 


Ele tem medo. Está totalmente só. Encontra-se a 3 000 000 de anos-luz de sua casa.


Willian Kotzwinkle - E.T. - O Extraterrestre PDF 

Michael estava saindo para jogar futebol quando foi detido
pelo irmão.
— Tenho uma coisa para mostrar a você. Mas não se
esqueça de que me pertence.
— Está bem, está bem. Mas mostre logo o que tem. É um
zorrilho ou algo assim? Está no seu quarto? Mamãe vai matá-lo.
Elliott levou Michael pelo corredor.
— Tire as ombreiras — disse ele, ao entrarem no quarto. —
Pode assustá-lo.
— Não enche, Elliott.
Elliott levou-o até o armário.
— Feche os olhos.
— Por quê?
— Feche os olhos sem fazer perguntas, Michael.
O que estava dentro do armário era E.T., o Extraterreno, um
botânico intergalático perdido na Terra, de aparência monstruosa,
que encontrou na amizade de um menino de 10 anos a
sobrevivência e a salvação. É uma história terna, inesquecível, de
três crianças: Elliott, de 10 anos, Michael, seu irmão mais velho, e
Gertie, a irmã de cinco anos, que fazem amizade com uma estranha
criatura espacial, perdida na Terra e vivendo dentro de um armário.
Há também Harvey, o cachorro, que se sente abandonado
com a chegada do monstro do espaço, ficando inicialmente hostil e
depois se tornando amigo e defensor de E.T. E há Mary, a mãe das
três crianças, divorciada, solitária e carente de amor, por quem E.T.
se apaixona perdidamente.
A espaçonave flutuava gentilmente, ancorada por um facho
de luz arroxeada à terra lá embaixo. Se alguém se aproximasse do
local de pouso, poderia pensar, por um momento, que um
gigantesco enfeite antigo de árvore de Natal caíra do céu noturno,
pois a Nave era redonda, reflexiva, com requintados desenhos
góticos.
O fulgor suave, a dispersão de algo que parecia poeira de
diamante sobre o casco, faria com que se procurasse pelo gancho
ornamental em sua ponta, do qual devia pender de uma galáxia
distante. Mas não havia ninguém nas proximidades e a Nave ali
pousara deliberadamente, a inteligência que a comandava além de
qualquer erro de navegação. Contudo, um erro estava prestes a ser
cometido ...
A escotilha estava aberta, a tripulação saíra e se espalhara,
explorando a terra com instrumentos de formato estranho, como
pequenos elfos cuidando de seus jardins nevoentos e enluarados.
Quando aqui e ali a névoa se entreabria e a luz suave da Nave
incidia sobre eles, ficava evidente que não eram elfos, mas criaturas
de mentalidade mais científica, pois estavam colhendo amostras —
de flores, musgo, arbustos, árvores pequenas. As cabeças
disformes, os braços caídos e os troncos pequenos e roliços
levavam a pensar nos elfos. A ternura que demonstravam pelas
plantas podia aumentar essa impressão... se houvesse alguém da
Terra nas proximidades para observar. Mas não havia ninguém e os
botânicos do espaço estavam livres para trabalhar em paz.
Mesmo assim, eles estremeciam de medo quando um
morcego voava, uma coruja piava ou um cachorro latia a distância.
A respiração deles se acelerava então e uma camuflagem
semelhante a uma névoa os cercava, fluindo das pontas dos dedos
compridos das mãos e dos pés. Tornava-se então muito difícil
descobri-los. Se um caminhante solitário dali se aproximasse ao
luar, poderia passar pela área enevoada sem jamais saber que a
tripulação de uma espaçonave antiga ali estava.
A espaçonave era diferente. Ornamentos de enormes
árvores de Natal vitorianas não caem na terra com grande
freqüência. Sua presença é percebida — pelo radar, pela intuição
militar, por outros aparelhos de detecção. E aquele gigantesco
enfeite fora detectado. Era grande demais para ser ignorado. Não
havia nevoeiro protetor que pudesse ocultá-lo completamente, na
terra ou pendendo da árvore da noite. Assim, um contato é iminente.
Veículos do governo estão em movimento, técnicos do governo
estão ganhando o extra por trabalho noturno, sacolejando por
estradas secundárias, se comunicando pelo rádio, aproximando-se
do grande ornamento.
Mas a tripulação de botânicos ainda não está perturbada.
Sabem que dispõem de tempo. Sabem quanto tempo ainda vai
passar, com uma precisão de fração de segundo, antes que os
ruídos desagradáveis dos veículos terráqueos soem em seus
ouvidos. Já estiveram ali antes, pois a terra é vasta e há muitas
plantas para colher, quando se deseja possuir uma coleção
completa.
E continuaram a colher suas amostras, a névoa fluindo em
torno de cada um, ao voltarem para a Nave com os produtos do solo
da Terra.
Subiam pela escotilha e penetravam na suave claridade do
interior do lindo ornamento. Avançavam despreocupados pelos
corredores pulsando de maravilhas tecnológicas, até chegarem à
maravilha central da Nave: uma gigantesca catedral interior de
plantas da Terra. Aquela imensa estufa era o âmago da Nave, seu
propósito, sua especialidade. Havia ali flores de lótus de uma laguna
indiana, samambaias do coração da África, pequenos arbustos do
Tibete, amoreiras encontradas numa estrada rural perdida da
América. Havia ali, na verdade, uma amostra de todas as plantas da
Terra. Ou quase todas, pois o trabalho ainda não estava concluído.
Tudo vicejava. Se um especialista de um dos maiores
jardins botânicos da Terra entrasse naquela estufa, encontraria
plantas que nunca vira antes... exceto sob a forma fossilizada,
impressas em carvão. Seus olhos certamente ficariam
esbugalhados ao descobrir vivas as plantas com que os dinossauros
haviam-se banqueteado, plantas dos primeiros e incalculáveis
jardins da Terra, de milênios atrás. Haveria inevitavelmente de
desmaiar e seria revivido com ervas dos Jardins Suspensos da
Babilônia.
A umidade gotejava do teto, com nutrientes que
alimentavam as incontáveis espécies que embelezavam o centro da
Nave, a mais perfeita coleção de vegetação da Terra, tão antiga
quanto a própria Terra, tão velha quanto os próprios botânicos, que
iam e vinham, as rugas nos cantos dos olhos também parecendo
fósseis, gravadas por imensas eras de acumulação.
Um deles entrou agora, trazendo uma erva local, as folhas já
caídas. Levou-a para uma pia e colocou-a num líquido que afetou
sua disposição imediatamente, as folhas de repente revivendo, as
raízes tremulando. Ao mesmo tempo, de uma janela em roseta por
cima da pia, saiu uma luz suave, banhando a planta e fazendo com
que ficasse empertigada, ao lado da vizinha, uma pequena flor
antediluviana.
O botânico extraterrestre contemplou-a por um momento, a
fim de verificar se estava tudo bem, depois virou-se e tornou a
atravessar a estufa. Passou por baixo de cerejeiras japonesas em
flor, flores amazônicas e algumas amostras de raiz-forte comum,
que se inclinaram ternamente em sua direção. Ele afagou-as e
seguiu adiante, tornando a passar pelo corredor que pulsava e
saindo pela escotilha iluminada.
De volta ao ar noturno, seu corpo exalou outra vez uma
tênue névoa, que o cercou, enquanto se adiantava para colher
novas plantas. Um colega passou por ele, levando uma raiz de
pastinaga. Os olhos dos dois não se encontraram, mas outra coisa
ocorreu: os peitos luziram simultaneamente, um brilho vermelho
interior da região do coração, inundando a pele fina e transparente.
E depois se afastaram, o que estava com a pastinaga e o outro, de
mãos vazias, descendo por uma encosta rochosa, a luminosidade
do coração outra vez escura. Envolto pela névoa, ele entrou num
mato alto, alcançando sua cabeça. Saiu do outro lado, à beira de um
bosque de sequóias.
Curiangos cantavam, insetos zumbiam nas sombras,
enquanto ele andava. A barriga naturalmente dilatada roçava o chão
do bosque, fantasmagoricamente, embora fosse uma disposição
perfeitamente conveniente, proporcionando-lhe um centro de
gravidade baixo e estável. Não era uma forma que os habitantes da
Terra pudessem aceitar prontamente, os pés grandes com
membranas saindo quase diretamente da barriga caída, as mãos
compridas pendendo nos lados, como um macaco. Por esse motivo,
ele e seus companheiros tinham uma timidez de milhões de anos,
jamais sentindo a propensão a fazer contato com qualquer outra
coisa além da vida vegetal da Terra. Podia ser uma deficiência, mas
observavam as coisas há tempo suficiente para saber que sua linda
Nave seria para os terráqueos antes de tudo um alvo e que eles
próprios seriam encarados basicamente como material para
taxidermistas, a serem expostos em campânulas de vidro.
Por isso o extraterrestre se movia cautelosamente,
atravessando o bosque em silêncio, os olhos esquadrinhando ao
redor, olhos bulbosos, enormes, convexos, como os de um sapo
gigante. Ele sabia qual a possibilidade de sobrevivência de um sapo
assim numa rua"da cidade e não tinha a menor dúvida de que a sua
era igual. Quanto a dar sábios conselhos à humanidade, na sede de
algum governo internacional... era totalmente impossível, quando se
tinha o nariz como uma couve-de-bruxelas amassada, sendo a
aparência geral a de uma enorme opúncia.
Ele continuou andando, silenciosamente, furtivamente, as
mãos roçando nas folhas. Que outros visitantes do espaço, de forma
mais familiar, se tornassem os mestres da humanidade. Seu único
interesse era uma pequena muda de sequóia que o olho
protuberante avistara lá na frente, há algum tempo.
Parou ao lado, examinou-a, depois desenterrou-a,
murmurando em sua língua espacial cascalhosa palavras de
formato estranho. Mas a sequóia pareceu compreender e o choque
para o sistema de raiz foi neutralizado, pairando na palma grande e
pregueada.
Ele virou-se e uma tênue claridade alcançou seus olhos,
uma claridade que o atraía, da pequena comunidade suburbana no
vale, além das árvores. Há algum tempo que estava curioso e
aquela noite seria a última oportunidade para investigar, pois estava
terminando um estágio da expedição. A Nave deixaria a Terra por
um período prolongado, até a próxima grande mutação na
vegetação do planeta, um período que se poderia assinalar em
séculos. Aquela noite seria a última oportunidade de dar uma
espiada pelas janelas.
Ele saiu do meio das árvores e abaixou-se à beira de um
aceiro, na encosta da colina. O mar de casas iluminadas lá embaixo,
com um brilho amarelado, era tentador. Ele atravessou o aceiro, a
barriga roçando no mato baixo. Na longa viagem de volta pelo
espaço teria alguma coisa a oferecer a seus companheiros: a
história daquela pequena aventura entre as luzes, uma solitária
criatura com a aparência de uma opúncia no meio dos humanos. As
rugas antigas nos olhos sorriram.

Download

Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

Postar um comentário (0)
Postagem Anterior Próxima Postagem