William Shakespeare - A Tempestade PDF

 


“A tempestade” é considerada a obra mais pessoal e ousada de Shakespeare. Relata a história de Próspero, duque de Milão, traído pelo próprio irmão e banido para uma ilha na companhia da filha. Depois de 12 anos no exílio, Próspero ? uma espécie de mago ? cria uma tempestade que faz naufragar o navio que leva seus desafetos, e pode finalmente colocar em prática a sua vingança.


William Shakespeare - A Tempestade PDF 

Cena I
(A bordo de um navio no mar. Tempestade, com relâmpagos e
trovões. Entram, por lados diferentes, Um comandante de navio
e um contramestre)
COMANDANTE — Contramestre!
CONTRAMESTRE — Aqui, comandante! Tudo bem?
COMANDANTE — Bem. Falai com os marinheiros. Pegai firme,
se não, iremos dar à costa. Mãos à obra! Mãos à obra!
(Entram marinheiros)
CONTRAMESTRE — Vamos, corações! Coragem! Coragem,
meus corações! Força! Coragem! Amainai a mezena! Prestai
atenção ao apito do comandante! — Sopra, vento, até
arrebentar, se houver espaço bastante!
(Entram Alonso, Sebastião, Antônio, Ferdinando, Gonzalo e
outros).
ALONSO — Cuidado, cuidado, bondoso contramestre! Onde
está o comandante? Sede homens!
CONTRAMESTRE — Por obséquio, ficai lá embaixo.
ANTÔNIO — Contramestre, onde está o comandante?
CONTRAMESTRE — Não o estais ouvindo? Mas, assim,
atrapalhais nosso trabalho. Permanecei nos camarotes; estais
mas é ajudando a tempestade.
GONZALO — Tende paciência, amigo.
CONTRAMESTRE — Quando o mar tiver paciência. Vamos,
fora daqui! Que importa a estes berradores o nome de rei? Ide
para os camarotes! Silêncio! Não nos prejudiqueis!
GONZALO — Bem; mas lembra-te de quem levas a bordo.
CONTRAMESTRE — Ninguém a quem eu ame mais do que a
mim próprio. Sois conselheiro, não? Se pudermos impor
silêncio a estes elementos e estabelecer ordem imediata, não
tocaremos em uma só corda mais. Recorrei a vossa autoridade;
mas se ela for inoperante, dai graças ao céu por terdes vivido
tanto e ficai nos camarotes preparados para o que vossa hora
vos reservou. — Coragem, meus corações! — Saí do caminho,
já disse! (Sai.)
GONZALO — Tenho muita confiança neste camarada. Não tem
cara de quem há de morrer afogado. Tem mais cara de
enforcado. Persisti, bondoso Fado, no enforcamento dele. Fazei
que a corda de seu destino seja nosso cabo, que o nosso
mesmo não oferece nenhuma resistência. Mas se ele não
nasceu para a forca, nossa situação é miserável.
(Saem. Volta o Comandante.)
CONTRAMESTRE — Amainai o joanete! Vamos! Depressa!
Mais baixo! Mais baixo! Experimentemos deixar só a vela
grande! (Ouve-se um grito no interior.) A peste leve esses
gritadores! Fazem mais barulho do que a tempestade e todas
as manobras. (Voltam Sebastião, Antônio e Gonzalo.) Outra
vez? que fazeis aqui? Será preciso largar tudo e perecer
afogado? Quereis ir para o fundo?
SEBASTIÃO — Que a bexiga vos ataque a goela, cão gritador,
blasfemo e sem caridade!
CONTRAMESTRE — Nesse caso, trabalhai!
ANTÔNIO — Vai te enforcar, mastim! Vai te enforcar, gritador
insolente e sem-vergonha! Temos menos medo de perecer
afogado do que tu.
GONZALO — Sirvo eu de fiador em como ele não morrerá
afogado, ainda que o navio fosse tão resistente quanto uma
casca de noz, e vazasse tanto quanto uma rapariga
incontinente.
CONTRAMESTRE — Orça! Orça! Largai duas velas! Virai de
bordo outra vez! Ao largo! Ao largo!
(Entram marinheiros com roupas molhadas.)
MARINHEIROS — Está tudo perdido! Vamos rezar! Vamos
rezar! Está tudo perdido! (Saem)
CONTRAMESTRE — Como! Teremos de ficar com a boca fria?
GONZALO — O rei e o filho rezam; imitemo-los, que o nosso
caso é o mesmo.
SEBASTIÃO — É intolerável!
ANTÔNIO — A vida temos à mercê de uns bêbedos,
trapaceiros no jogo. Aquele biltre de boca escancarada... Só
quisera ver-te a afogar, e que levado fosses por dez marés!
GONZALO — Espera-o mas é a forca, muito embora a isso se
opusessem todas as gotas de água e se alargassem, para
tragá-lo de uma vez.
(Rumores confusos no interior.) “Misericórdia!” “O navio está
abrindo! Naufragamos!” “Adeus, irmão!” “Estamos
naufragando!”
ANTÔNIO — Pereçamos com o rei. (Sai.)
SEBASTIÃO — Despeçamo-nos dele. (Sai.)
GONZALO — Daria agora mil estádios de mar por uma jeira de
terra estéril com urzes longas, tojo escuro... fosse o que fosse.
Seja feita a vontade lá de cima; mas preferia ter morte seca.
(Sai.)

Downolad


Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

Postar um comentário (0)
Postagem Anterior Próxima Postagem