William Shakespeare - Noite de Reis PDF

 



O título original desta peça, Twelfth Night, refere-se à décima segunda noite depois do Natal; é a noite de 6 de janeiro, Dia de Reis. Na tradição britânica, o Dia de Reis encerra o ciclo de festejos natalinos, e o costume diz que patrões presenteiam empregados, você presenteia o carteiro que lhe traz a correspondência, etc. E divertir-se era a ordem do dia em tempos elizabetanos.

Nesta peça, um grupo arma uma cilada para fazer de bobo Malvólio, personagem que não sabe se divertir e muito menos aceitar a diversão dos outros. Uma segunda personagem que não está imbuída do espírito de diversão naquele Dia de Reis é Olívia, que guarda luto severo pela perda de seu irmão – até que isso perde sua importância quando ela conhece Cesário e por ele se apaixona. Aqui entra a genialidade shakespeariana, lidando de modo magistral com questões de amores não correspondidos, afetos impossíveis, identidades falseadas, e levando a trama cômica a um final feliz de acertamentos amorosos.

Os amores acontecem e desacontecem, o ser amado a um tempo pode ser um e a outro tempo pode ser outro. Não deixa de ser uma visão cética sobre o amor, que em Noite de Reis revela-se altamente circunstancial – e na maioria das vezes romanticamente cômico, ou comicamente apaixonado.

Esta edição, com nova tradução da professora Beatriz Viégas-Faria (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS), vem a enriquecer o catálogo de obras shakespearianas da Coleção L&PM POCKET, que já disponibiliza ao grande público edições cuidadas dos seguintes títulos: Hamlet, Macbeth, A megera domada, Muito barulho por nada, O rei Lear, Otelo, Romeu e Julieta, Sonho de uma noite de verão, A tempestade e Júlio César.

William Shakespeare - Noite de Reis PDF



Cena I
Um aposento no palácio do Duque.

[Música.] Entram Orsino, Duque de Ilíria, Cúrio e outros Lordes.

Duque – Se a música é o alimento do amor, não parem de tocar. Deem-me música em excesso; tanta que, depois de saciar, mate de náusea o apetite. Aquela toada de novo, com uma cadência que vai morrendo no final – ah, ela chegou aos meus ouvidos como o suave som que respira sobre um monte de violetas, roubando e devolvendo aromas. Basta, já chega! Não é mais tão suave como era antes. Ah, espírito do amor, como sois ávido e voraz – tanto que, indiferente à vossa capacidade, devorais tal qual os oceanos, e nada em vós adentra, independentemente de seu valor e nobreza, que não caia em anulação, que não passe a ter menor valia, até mesmo em questão de um minuto! Tantas formas abriga a imaginação amorosa, que chega a ser ela mesma fantástica.

Cúrio – O senhor vai sair para caçar, milorde?

Duque – O quê, Cúrio?

Cúrio – Um cervo.

Duque – Ora, sim, sou eu, um cervo, o mais nobre que há. Ah, quando meus olhos viram Olívia pela primeira vez, a mim pareceu-me que ela purgava o ar de todas as pestilências. Naquele instante transformei-me em um cervo, e os meus desejos desde então me perseguem, como cruéis e cruentos cães de caça.

Entra Valentino.

E então? Que notícias me trazes dela?

Valentino – Com sua licença, senhor, tenho a dizer que não fui recebido; mas da criada dela trago esta resposta: até que se tenha passado o calor de sete verões, o próprio ar não terá a visão de seu rosto descoberto; ela usará um véu, andará como freira enclausurada, umedecerá seus aposentos uma vez ao dia com a água e sal que lhe fere os olhos. Isso tudo para conservar o falecido afeto de um irmão, que ela deseja manter vivo e permanente em sua triste lembrança.

Duque – Ah, ela, essa que tem um coração construído de delicadeza, a ponto de pagar essa dívida de amor para com um irmão, como não irá ela amar, quando a rica e dourada seta de Cupido tiver matado o rebanho de todas as outras afeições que nela habitam; quando o fígado[1],.a mente e o coração, esses tronos soberanos, estiverem todos supridos e preenchidos com as doces perfeições de um mesmo e único rei! Vamos, andando, vocês vão na frente, rumo a doces canteiros de flores! Ideias de amor são mais preciosas sob o dossel de um caramanchão.

Saem.

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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