William Shakespeare - Muito Barulho por Nada PDF

 


Um homem e uma mulher. Os dois igualmente inteligentes, bem articulados, espirituosos, rápidos em construir respostas espertas a todo tipo de afirmação ou pergunta. É nas falas de Beatriz e Benedicto, dois dos personagens mais queridos do público de Shakespeare, que se fundamenta a parte cômica desta peça, Muito barulho por nada. Quando se encontram os dois, armam-se verdadeiros combates entre esses esgrimistas das palavras, dois alérgicos ao casamento, para o prazer do leitor ou platéia.

O lado trágico da peça nasce de pérfida intriga armada por um homem despeitado e vingativo, carregado de ódio, e que se descreve assim: "É mais condizente com meu sangue ser desdenhado por todos que pavimentar a estrada para roubar a afeição de alguém. Assim é que, muito embora não se possa dizer de mim que sou um homem honesto e bajulador, não se pode negar que sou um patife franco e leal". Com provas falsamente arranjadas, uma inocente donzela é acusada de ser uma rameira. A história tem danças, festa de mascarados, cerimônia de casamento; tem flertes, tem príncipes e condes, damas nobres e damas de companhia; e a história tem calúnias, desafios para duelos, confrontações verbais, cerimônia fúnebre, até morte e fuga que se revertem. A história tem dores e amores; a história é teatro e é Shakespeare.

William Shakespeare - Muito Barulho por Nada PDF 

Cena I
Diante da casa de Leonato. Entram Leonato, Hero, Beatriz e
outros, com um mensageiro.
LEONATO — Vejo por esta carta que Dom Pedro de Aragão
chega hoje à noite a Messina.
MENSAGEIRO — Não deve estar longe; deixei-o a menos de
três léguas daqui.
LEONATO — Quantos fidalgos perdestes nesse encontro?
MENSAGEIRO — Apenas alguns oficiais, mas nenhum de
nome.
LEONATO — É dupla a vitória, quando o comandante retoma
com os seus efetivos. Pelos termos da carta venfico que Dom
Pedro conferiu muitas distinções a um jovem, florentino de
nome Cláudio.
MENSAGEIRO — Aliás, merecidas de sua parte e com justiça
reconheci das por Dom Pedro. Fez mais do que era de esperar
de sua idade, realizando sob a figura de cordeiro façanhas de
leão, façanhas que excederam tanto a expectativa, ao ponto de
não poderdes esperar o relato delas.
LEONATO — Ele tem aqui em Messina um tio que vai ficar
alegre com essa notícia.
MENSAGEIRO — Fui portador de cartas para ele que, ao
parecer, o deixaram tão alegre, que a alegria não pôde
manifestar-se modestamente, senão com uma ponta de
tristeza.
LEONATO — Desatou a chorar?
MENSAGEIRO — Que não tinha mais fim.
LEONATO — Comovente excesso de delicadeza! As faces mais
leais são as que se lavam desse modo; vale muito mais chorar
de alegria do que alegrar-se com o choro.
BEATRIZ — Podereis informar-me, por obséquio, se o senhor
Trincaferros já regressou da guerra?
MENSAGEIRO — Não sei a quem vos referis, senhorita; no
exército não havia nenhum oficial com esse nome.
LEONATO — Sobrinha, de que pessoa estás pedindo notícias?
HERO — Minha prima se refere ao senhor Benedito, de Pádua.
MENSAGEIRO — Ah! Já regressou, e mais prazenteiro do que
nunca.
BEATRIZ — Ele fixou aqui em Messina um edital de desafio a
Cupido, para uma competição de arco. Tendo lido o seu cartel,
o bobo do meu tio o subscreveu em nome de Cupido e o
desafiou para o tiro aos pássaros. Por obséquio: nesta guerra,
quantos inimigos ele matou e cometeu? Ou melhor: quantos ele
matou? Sim, que eu me comprometi a comer todos os que ele
matasse.
LEONATO — Realmente, sobrinha, sois implacável com o
senhor Benedito; mas o de que não tenho dúvida é que ele
saberá encontrar-te.
MENSAGEIRO — Ele prestou relevantes serviços nesta guerra.
BEATRIZ — É que tínheis mantimentos estragados, que ele
ajudou a consumir; é que um comilão de marca, dotado de
excelente estômago.
MENSAGEIRO — Em compensação, senhorita, é um soldado
valoroso.
BEATRIZ — Em compensação para senhoritas; mas em frente
de um guerreiro, como se comporta?
MENSAGEIRO — Guerreiro para guerreiro, homem para
homem. É um cavalheiro estofado de todas as qualidades
honrosas.
BEATRIZ — É isso mesmo; não passa de um indivíduo
estofado. Mas quanto à qualidade do enchimento... Ora bem,
somos todos mortais.
LEONATO — Meu caro senhor, não deveis interpretar mal as
palavras de minha sobrinha; entre ela e o senhor Benedito há
uma espécie de guerra de epigramas; não se encontram sem
que se peguem em alguma escaramuça de espírito.
BEATRIZ — Infelizmente ele não ganha nada com isso. No
último encontro, saiu com quatro espíritos estropiados, tendo
desde então ficado a sua pessoa sob o governo de um
somente. De forma que se ainda lhe restar suficiente espírito
para se aquecer, será de toda conveniência que o conserve
bem, para poder diferençar-se do seu cavalo, pois não dispõe
de mais nada que o faça passar por criatura racional. Quem é
agora o seu irmão de armas? Sim, que ele tem um por mês.
MENSAGEIRO — Será possível?
BEATRIZ — Muito facilmente possível; a lealdade, para ele, é
como a forma do chapéu, mudável com os caprichos da moda.
MENSAGEIRO — Pelo que vejo, senhorita, esse gentil-homem
não se acha inscrito em vosso livro de notas.
BEATRIZ — Não; que se o estivesse, eu queimaria o livro. Mas
dizei-me, por obséquio; quem é mesmo o seu irmão de armas?
Não apareceu nenhum Ferrabrás de poucos anos que se
dispusesse a fazer com ele uma viagem para o diabo?
MENSAGEIRO — Ele é sempre visto na companhia do muito
nobre Cláudio.
BEATRIZ — Oh Senhor! Vai grudar-se-lhe como uma doença!
Pega mais do que a peste, ficando a vítima imediatamente
louca. Deus proteja o nobre Cláudio! Se ele está contaminado
de Benedito, nem por mil libras poderá curar-se.
MENSAGEIRO — Desejam firmar amizade convosco,
senhorita.
BEATRIZ — Pois não, bom amigo.
LEONATO — Nunca vireis a ficar louca, sobrinha.
BEATRIZ — É certo; enquanto não tivermos um janeiro quente.
MENSAGEIRO — Dom Pedro vem chegando.
(Entram Dom Pedro, Dom João, Cláudio, Benedito, Baltasar e
outros.)
DOM PEDRO — Meu caro senhor Leonato, viestes ao encontro
de incômodos. É costume de todo o mundo evitar despesas,
mas vós as estais procurando.
LEONATO — Jamais vieram incômodos a esta casa sob a
forma de Vossa Graça; porque, sempre que os incômodos
partem, nos fica o sossego; ao passo que, com a vossa saída,
remanesce a tristeza e se despede a alegria.
DOM PEDRO — Aceitais de muito bom grado o peso do fardo.
Quero crer que esta é vossa filha?
LEONATO — Isso mesmo a mãe dela me afirmou muitas vezes.
BENEDITO — Tínheis alguma dúvida, para lho perguntardes?
LEONATO — Não, senhor Benedito, porque naquele tempo
ainda éreis criança.
DOM PEDRO — A resposta vos pegou de cheio, Benedito. Só
por isso imaginamos o que deveis ser depois de homem feito.
Em verdade, a filha revela a filiação nos traços fisionômicos.
Sêde feliz, senhorita, porque vos pareceis com um pai honrado.
BENEDITO — Se o senhor Leonato for o pai dela, sou capaz de
apostar por toda Messina em como ela não traria a cabeça
sobre os ombros, por mais que se pareça com ele.
BEATRIZ — Admira-me de que ainda insistais em dizer alguma
coisa, senhor Benedito; ninguém vos dá atenção.
BENEDITO — Oh, prezada senhorita Desdém! Ainda estais
viva?
BEATRIZ — Como poderia morrer o Desdém, se para
alimentar-se encontra matéria da espécie do senhor Benedito?
Onde quer que apareçais, a própria Cortesia se transforma em
desdém.
BENEDITO — É porque a Cortesia gosta de virar casaca. Mas
uma coisa é certa: com exceção de vós, todas as mulheres se
apaixonam por mim. Só desejara que o coração me dissesse
que eu não sou duro de coração, porque, para ser franco, não
dedico amor a nenhuma.
BEATRIZ — O que constitui verdadeira felicidade para as
mulheres, que, desse modo, ficam livres de um galanteador
importuno. Dou graças a Deus por ter o sangue frio; nesse
ponto nos parecemos. Prefiro ouvir meu cachorro latir para uma
gralha a ouvir um homem dizer que me dedica amor.
BENEDITO — Deus conserve sempre Vossa Senhoria com
semelhante disposição, que, desse modo, um gentil-homem
honesto evitará no rosto os arranhões que o Destino lhe tenha
reservado.
BEATRIZ — Se ele tiver um rosto como o vosso, os arranhões
não o deixarão pior.
BENEDITO — Daríeis uma excelente professora de papagaios.
BEATRIZ — É preferível uma ave da minha língua a um animal
da vossa.
BENEDITO — Só quisera que o meu cavalo fosse tão veloz
quanto vossa língua e que possuísse tão bom fôlego. Mas em
nome de Deus, prossegui vosso caminho; já terminei.
BEATRIZ — Terminais sempre com alguma partida de sendeiro.
Não é de hoje que vos conheço.
DOM PEDRO — Em resumo, é isso, Leonato... Senhor Cláudio
e senhor Benedito, o meu prezado amigo Leonato estende a
vós ambos o convite. Comuniquei-lhe que devemos demorar
aqui pelo menos um mês, desejando ele de coração encontrar
oportunidade para nos deter por mais tempo. Atrevo-me a jurar
que não é hipócrita e que seus votos lhe brotam do mais fundo
do coração.
LEONATO — Se jurardes, milorde, que vos tomareis perjuro. (A
Dom João.) Sede bem-vindo, milorde; uma vez que vos
reconciliastes com o príncipe vosso irmão, ponho-me ao vosso
inteiro dispor.
DOM JOÃO — Obrigado; não sou de muitas palavras, mas
agradeço-vos.
LEONATO — Apraz a Vossa Graça passar na frente?
DOM PEDRO — Vossa mão, Leonato; iremos juntos.
(Saem todos, com exceção de Benedito e Cláudio.)
CLÁUDIO — Benedito, viste a filha do senhor Leonato?
BENEDITO — Olhei para ela mas não a vi.
CLÁUDIO — Não é uma jovem de aparência virtuosa?
BENEDITO — Interrogais-me como o faz todo homem honesto,
para ficardes conhecendo minha opinião sincera, ou desejais
que vos fale como de costume, na qualidade de inimigo
declarado do sexo a que ela pertence?
CLÁUDIO — Não; desejo que me fales com toda a isenção de
ânimo.
BENEDITO — Então, por minha honra, sou de opinião que ela
é muito baixa para um alto louvor, muito morena para um belo
louvor e muito pequena para um grande louvor. O máximo que
eu posso conceder a favor dela é que se ela fosse diferente do
que é, não seria bonita, e não sendo senão o que é, não me
agrada.
CLÁUDIO — Pensas que estou brincando; peço-te que me
digas com sinceridade que tal a achaste.
BENEDITO — Tencionais comprá-la, para tirardes informações
a seu respeito?
CLÁUDIO — Poderia o mundo todo comprar semelhante jóia?
BENEDITO — Sim, a jóia e mais o escrínio. Mas estás falando
seriamente, ou estás fazendo o papel de zombador, para nos
dizeres que Cupido é um bom caçador de lebres e Vulcano um
carpinteiro admirável? Vamos, declarai logo a clave em que
precisamos ficar para que vos acompanhemos no canto.
CLÁUDIO — Para os meus olhos, é a mais encantadora
criatura que eu tenho visto.
BENEDITO — Pois eu ainda posso ver sem óculos e não
enxergo isso. Aí está sua prima que se não fosse a fúria de que
é possuída, a excederia tanto em formosura como o faz o
primeiro dia de maio com o último de dezembro. Mas espero
que não estejas com idéia de virar marido, não?
CLÁUDIO — Se eu tivesse jurado o contrário, não confiaria em
mim mesmo, no caso de Hero consentir em se tornar minha
esposa.
BENEDITO — Chegamos a esse ponto? Já não terá o mundo
um só homem que não ponha o gorro na cabeça com cuidado?
Não poderei ver nunca um solteirão de sessenta anos? Se
assim é, não demores; se estás tão desejoso de pôr o pescoço
na canga, deixa-te marcar logo pelo jugo e suspira os domingos
perdidos. Olha! Dom Pedro vem vindo à tua procura.
(Volta Dom Pedro.)
DOM PEDRO — Que segredo vos deteve aqui, para não
entrardes na casa de Leonato?
BENEDITO — Desejara que Vossa Graça me obrigasse a vo-lo
revelar.
DOM PEDRO — Intimo-vos a fazê-lo, pela obediência que me
deveis.
BENEDITO — Estais ouvindo, Conde Cláudio? Eu posso ser
tão discreto quanto um mudo; podeis ficar certo disso. Mas a
obediência.., tomai nota: é a obediência que me obriga. Ele está
apaixonado... De quem? É o que Sua Graça perguntará...
Prestai, agora, atenção no laconismo da resposta de Hero, a
pequena filha de Leonato.
CLÁUDIO — Se assim fosse, já estaria declarado.
BENEDITO — É tal qual como nos velhos contos, milorde: Não
é assim, não foi assim; permita Deus que não venha a ser
assim.
CLÁUDIO — Se minha paixão não se modificar em pouco
tempo, não permita Deus que seja por outro medo.
DOM PEDRO — Amém, se lhe tendes amor, porque ela é
merecedora disso.
CLÁUDIO — Falais assim para sondar-me, milorde.
DOM PEDRO — Por minha fé, estou dizendo o que penso.
CLÁUDIO — O mesmo se dá comigo, milorde; por minha fé.
BENEDITO — E comigo também, milorde; por minha dupla
honra e minha dupla fidelidade.
CLÁUDIO — Sinto que lhe tenho amor.
DOM PEDRO — Sei que ela é digna disso.
BENEDITO — Enquanto a mim, nem sinto como ela possa ser
amada, nem sei como possa ser digna disso; o próprio fogo não
me tiraria do corpo semelhante convicção; morrerei na fogueira
convencido disso.
DOM PEDRO — Sempre foste um herege obstinado no
menoscabo à beleza.
CLÁUDIO — Sem muita força de vontade ele não se poderia ter
conservado nessa posição.
BENEDITO — O ter sido eu concebido por uma mulher lhe
assegura os meus agradecimentos; o fato de me ter ela criado,
me deixa, igualmente, reconhecido; mas vir eu a ter na fronte
uma buzina de chamar cães ou a pendurar meu corno em um
boldrié invisível, é o que todas as mulheres me perdoarão. Por
não querer fazer-lhes a injustiça de desconfiar de alguma delas,
reservo-me o direito de não confiar em nenhuma. A conclusão
— que só redundará em proveito para mim — é que desejo
continuar solteiro.
DOM PEDRO — Antes de morrer ainda hei de te ver pálido de
amor.
BENEDITO — De cólera, de doença ou de fome, milorde; não
de amor. Se em qualquer tempo provardes que eu perdi mais
sangue com o amor do que possa recuperar com o vinho,
arrancai-me os olhos com a pena de um fazedor de baladas e
pendurai-me à porta de um bordel, como emblema do cego
Cupido..
DOM PEDRO — Seja; se em algum tempo te mostrares infiel a
esse princípio, fornecerás ótimo assunto para as sátiras.
BENEDITO — Se o fizer, colocai-me em uma garrafa, como um
gato, para servir de alvo de pontaria, e batei amigavelmente no
ombro de quem acertar em mim, dando-lhe o nome de Adão.
DOM PEDRO — Está bem; o tempo o provará. Há de chegar o
tempo em que, no jugo, se curve o altivo touro.
BENEDITO — O altivo touro pode fazê-lo; mas, se em algum
tempo o sensato Benedito se dobrar sob o jugo, tirai os cornos
ao touro e colocai os em minha fronte, mandando que um trocatintas
qualquer pinte o meu retrato e, com letras bem grandes,
como nos avisos: “Aqui se vende um bom cavalo”, escreva
embaixo do quadro: “Aqui podeis ver Benedito, o homem
casado”.
CLÁUDIO — Se isso chegasse a acontecer, ficarias um louco
de chifres.
DOM PEDRO — Está bem; se Cupido não esvaziou o carcás
em Veneza, dentro de pouco tempo hás de tremer, para castigo
de tua rebeldia.
BENEDITO — Sim, se houver na hora algum tremor de terra.
DOM PEDRO — Bem, sabereis acomodar-vos às
circunstâncias. Mas por enquanto, senhor Benedito, ide à casa
de Leonato, apresentai-lhe meus cumprimentos e dizei-lhe que
não faltarei à ceia, pois é certeza ter ele feito grandes
preparativos.
BENEDITO — Reconheço-me dotado de capacidade suficiente
para semelhante embaixada. Com isso, eu vos entrego...
CLÁUDIO — ... à proteção de Deus. Datada em minha casa, se
casa eu possuísse...
DOM PEDRO — ... aos seis de julho. Do amigo certo, Benedito.
BENEDITO — Nada de zombarias, nada de zombarias. O
assunto de vossos discursos, apresenta, por vezes, moldura de
pedacinhos muito mal ajustados. Antes de dizerdes graças
antiquadas, deveis examinar a consciência. E com isso me
despeço. (Sai.)
CLÁUDIO — Poderá Vossa Alteza ora ajudar-me?
DOM PEDRO — Ao teu dispor o meu amor se encontra: dá-lhe
lições, para que vejas logo quão facilmente tudo ele assimila,
uma vez que te seja de vantagem.
CLÁUDIO — Leonato tem mais filhos, caro príncipe?
DOM PEDRO — Além de Hero, nenhum, que é sua única
herdeira. Estás gostando dela, Cláudio?
CLÁUDIO — Oh, milorde! Ao partirdes para a guerra que ora se
acha concluída, apenas olhos de soldado lhe pus, aos quais
seu todo parecia agradável, sem que a rude tarefa com que
então me defrontava dar o nome de amor me consentisse a
essa impressão primeira. Mas agora, já de retorno, quando os
pensamentos guerreiros abandonam seus lugares, desejos
delicados e inefáveis afluem para aí, todos instando comigo
sobre o encanto irresistível da bela e jovem Hero e
proclamando-me que antes de ir para a guerra eu já a adorava.
DOM PEDRO — És qual apaixonado que, com um livro de
palavras, aturdes os seus ouvintes. Se amas a Hero formosa,
não desistas. Junto dela e do pai, hei de empenhar-me para
que tua, alfim, ela se torne. Não foi para esse fim que te
puseste a me desenrolar tão linda história?
CLÁUDIO — Como tratais com jeito os namorados cuja doença
no rosto se revela! O medo, tão-somente, de que a minha
paixão vos parecesse muito súbita me levou a aplicar-lhe o
paliativo de um discurso com tantos circunlóquios.
DOM PEDRO — Por que fazeres mais comprida a ponte do que
a largura máxima do rio? Tens a necessidade como escusa. O
recurso está à mão. Que amas, é certo; de mim dependerá darte
o remédio. À noite, ouvi dizer, vai haver baile. Nessa ocasião,
com tal ou qual disfarce, farei o teu papel, apresentando-me
como Cláudio à linda Hero, para ao colo lhe despejar quanto no
peito eu tenha e o ouvido cativar-lhe ao só embate de uma
história de amor, irresistível. Depois, ao pai direi o que se
passa. A conclusão é que ela será tua. Ponhamos logo em
prática esse plano.
(Saem.)

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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