William Shakespeare - Hamlet PDF

 


Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, passada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.

William Shakespeare - Hamlet PDF 

CENA I
CENA – DINAMARCA
Elsinor – Terraço diante do castelo. (Francisco está de sentinela.
Bernardo entra e vai até ele.)
BERNARDO: Quem está aí?
FRANCISCO: Sou eu quem pergunta! Alto, e diz quem vem!
BERNARDO: Viva o rei!
FRANCISCO: Bernardo?
BERNARDO: O próprio.
FRANCISCO: Chegou na exatidão de sua hora.
BERNARDO: Acabou de soar a meia-noite. Vai pra tua cama,
Francisco.
FRANCISCO: Muito obrigado por me render agora. Faz um frio
mortal – até meu coração está gelado.
BERNARDO: A guarda foi tranqüila?
FRANCISCO: Nem o guincho de um rato.
BERNARDO: Boa-noite, então.
Se encontrar Marcelo e Horácio,
Meus companheiros de guarda, diga-lhes que se apressem.
FRANCISCO: Parece que são eles. Alto aí! Quem vem lá?
(Entram Horácio e Marcelo.)
HORÁCIO: Amigos deste país.
MARCELO: E vassalos do Rei da Dinamarca.
FRANCISCO: Deus lhe dê boa-noite.
MARCELO: Boa-noite a ti, honesto companheiro.
Quem tomou o teu posto?
FRANCISCO: Bernardo está em meu lugar.
Deus lhes dê boa-noite. (Sai.)
MARCELO: Olá, Bernardo!
BERNARDO: Quem está aí? Horácio?
HORÁCIO: Só um pedaço dele. O resto ainda dorme.
BERNARDO: Bem-vindo, Horácio. Bem-vindo, bom Marcelo.
MARCELO: Então, me diz – esta noite a coisa apareceu de
novo?
BERNARDO: Eu não vi nada.
MARCELO: Horácio diz que tudo é fantasia nossa
E não quer acreditar de modo algum
Na visão horrenda que vimos duas vezes.
Por isso eu insisti pra que estivesse aqui, conosco,
Vigiando os minutos atravessarem a noite
Assim, se a aparição surgir de novo
Ela não duvidará mais de nossos olhos,
E falará com ela.
HORÁCIO: Ora, ora, não vai aparecer.
BERNARDO: Senta um pouco, porém.
E deixa mais uma vez atacarmos teus ouvidos
Fortificados contra a nossa história –
O que vimos nessas duas noites.
HORÁCIO: Bem, vamos sentar, então,
E ouvir Bernardo contar o que ambos viram.
BERNARDO: Na noite passada,
Quando essa mesma estrela a oeste do pólo
Estava iluminando a mesma parte do céu
Que ilumina agora, Marcelo e eu –
O sino, como agora, badalava uma hora –
MARCELO: Silêncio! Não fala! Olha – vem vindo ali de novo!
(Entra o Fantasma.)
BERNARDO: Com a mesma aparência do falecido rei.
MARCELO: Você é um erudito; fala com ele, Horácio.
BERNARDO: Não te parece o rei? Repara bem, Horácio.
HORÁCIO: É igual – estou trespassado de espanto e medo.
BERNARDO: Ele quer que lhe falem.
MARCELO: Fala com ele, Horácio.
HORÁCIO: Quem és tu que usurpas esta hora da noite
Junto com a forma nobre e guerreira
Com que a majestade do sepulto rei da Dinamarca
Tantas vezes marchou? Pelos céus, eu te ordeno: fala!
MARCELO: Creio que se ofendeu.
BERNARDO: Olha só; com que altivez vai embora!
HORÁCIO: Fica aí! Fala, fala! Eu te ordenei – fala! (O Fantasma
sai.) MARCELO: Foi embora e não quis responder.
BERNARDO: E então, Horácio? Você treme, está pálido.
Não é um pouco mais que fantasia?
Que é que nos diz, agora?
HORÁCIO: Juro por Deus; eu jamais acreditaria nisso
Sem a prova sensível e verdadeira
Dos meus próprios olhos.
MARCELO: Não era igual ao rei?
HORÁCIO: Como o rei num espelho.
A armadura também era igual à que usava
Ao combater o ambicioso rei da Noruega
E certa vez franziu assim os olhos, quando,
Depois de uma conferência violenta,
Esmagou no gelo os poloneses
Em seus próprios trenós.
É estranho.
MARCELO: Assim, duas vezes seguidas, e nesta mesma hora
morta,
Atravessou nossa guarda nesse andar marcial.
HORÁCIO: Não sei o que pensar. Com precisão, não sei.
Mas, se posso externar uma opinião ainda grosseira,
Isso é augúrio de alguma estranha comoção em nosso Estado.
MARCELO: Pois bem; vamos sentar. E quem souber me
responda:
Por que os súditos deste país se esgotam todas as noites
Em vigílias rigidamente atentas, como esta?
Por que, durante o dia, se fundem tantos canhões de bronze?
Por que se compra tanto armamento no estrangeiro?
Por que tanto trabalho forçado de obreiros navais,
Cuja pesada tarefa não distingue o domingo dos dias de
semana?
O que é que nos aguarda,
O que é que quer dizer tanto suor
Transformando a noite em companheira de trabalho do dia?
Quem pode me informar?
HORÁCIO: Eu posso;
Pelo menos isto é o que se murmura: nosso último rei,
Cuja imagem agora mesmo nos apareceu,
Foi, como vocês sabem, desafiado ao combate por Fortinbrás,
da Noruega,
Movido pelo orgulho e picado pela inveja.
No combate, nosso valente Rei Hamlet,
Pai de nosso amado príncipe,
Matou esse Fortinbrás; que, por um contrato lacrado,
Ratificado pelos costumes da heráldica,
Perdeu, além da vida, todas as suas terras,
Que passaram à posse do seu vencedor.
O nosso rei também tinha dado em penhor
Uma parte equivalente do seu território
A qual teria se incorporado às posses de Fortinbrás
Houvesse ele vencido.
Agora, senhor, o jovem Fortinbrás, príncipe da Noruega,
Cheio de ardor, mas falho em experiência,
Conseguiu recrutar, aqui e ali,
Nos confins de seu país,
Um bando de renegados sem fé nem lei
Decididos a enfrentar, por pão e vinho,
Qualquer empreitada que precise estômago.
No caso (como compreendeu bem claro o nosso Estado)
A empreitada consiste em recobrar,
Com mão de ferro e imposições despóticas,
As mesmas terras perdidas por seu pai.
Está aí, acredito,
A causa principal desses preparativos,
A razão desta nossa vigília,
E a origem do tumulto febril que agita o país.
BERNARDO: Acho que tudo se passa como disse.
Isso explica a visão espantosa,
Tão parecida com o rei, que foi e é a causa dessas guerras,
Ter vindo assombrar a nossa guarda.
HORÁCIO: Um grão de pó que perturba a visão do nosso
espírito.
No tempo em que Roma era só louros e palmas,
Pouco antes da queda do poderoso Júlio,
As tumbas foram abandonadas pelos mortos
Que, enrolados em suas mortalhas,
Guinchavam e gemiam pelas ruas romanas;
Viram-se estrelas com caudas de fogo,
Orvalhos de sangue, desastres nos astros,
E a lua aquosa, cuja influência domina o mar, império de Netuno,
Definhou num eclipse, como se houvesse soado o Juízo Final.
Esses mesmos sinais, mensageiros de fatos sinistros,
Arautos de desgraças que hão de vir,
Prólogo de catástrofes que se formam.
Surgiram ao mesmo tempo no céu e na terra,
E foram vistos em várias regiões,
Com espanto e terror de nossos compatriotas.
Mas calma agora! Olhem: ele está aí de novo! (O Fantasma
entra.)
Vou barrar o caminho, mesmo que me fulmine.
(Ao Fantasma.) Pára, ilusão! (O Fantasma abre os braços.)
Se sabes algum som ou usas de palavras,
Fala comigo.
Se eu posso fazer algo de bom,
Que alivie a ti e traga alívio a mim,
Fala comigo.
Se sabes um segredo do destino do reino
Que, antecipado por nós, possa ser evitado,
Fala comigo!
Se em teus dias de vida, enterraste
Nas entranhas da terra um tesouro, desses extorquidos,
Pelos quais, dizem, os espíritos vagueiam após a morte,
(O galo canta.)
Fala! Pára e fala! Cerca ele aí, Marcelo!
MARCELO: Posso atacá-lo com a alabarda?
HORÁCIO: Se não se detiver, ataca!
BERNARDO: Está aqui!
HORÁCIO: Está aqui!
MARCELO: Foi embora! (O Fantasma sai.)
Erramos rudo, tentando a violência,
Diante de tanta majestade.
Ele é como o ar, invulnerável,
E nossos pobres golpes uma tolice indigna.
BERNARDO: Ele ia falar quando o galo cantou.
HORÁCIO: E aí estremeceu como alguém culpado
Diante de uma acusação. Ouvi dizer que o galo,
Trombeta da alvorada, com sua voz aguda,
Acorda o Deus do dia,
E que a esse sinal,
Os espíritos errantes,
Perdidos em terra ou no mar, no ar ou no fogo,
Voltam rapidamente às suas catacumbas.
O que acabamos de ver prova que isso é verdade.
MARCELO: Se decompôs ao clarinar do galo,
Dizem que, ao se aproximar o Natal de Nosso Salvador,
O galo, pássaro da alvorada, canta a noite toda:
E aí, se diz, nenhum espírito ousa sair do túmulo.
As noites são saudáveis; nenhum astro vaticina;
Nenhuma fada encanta, nem feiticeira enfeitiça;
Tão santo e cheio de graça é esse tempo.
HORÁCIO: Eu também ouvi assim e até acredito, em parte.
Mas, olha: a alvorada, vestida no seu manto púrpura,
Pisa no orvalho, subindo a colina do Oriente.
Está terminada a guarda; se querem um conselho,
Acho que devemos comunicar ao jovem Hamlet
O que aconteceu esta noite; creio, por minha vida,
Que esse espírito, mudo pra nós, irá falar com ele.
MARCELO: Pois então vamos logo.
Eu sei onde encontrá-lo com certeza
A esta hora da manhã. (Saem.)

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Ahmed Zayed

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