William Shakespeare - As Alegres Senhoras de Windsor PDF

 


As Alegres Senhoras de Windsor de William Shakespeare. A peça é uma comédia sobre os costumes da sociedade Elisabetana inglesa da época de Shakespeare. Ela teria sido escritas em abril de 1597, e conta sua primeira publicação em 1602. O personagem principal, Sir John Falstaff, é um aristocrata decadente, gordo e com problemas de dinheiro. A trama desenvolve-se a partir de sua chegada em Windsor. Para obter algum dinheiro Falsataff decide cortejar duas damas ricas da sociedade.


William Shakespeare - As Alegres Senhoras de Windsor PDF 


Cena I
Windsor. Em frente à casa de Page. Entram o juiz Shallow,
Slender e o Reverendo Hugo Evans.
SHALLOW — Não, reverendo Hugo; não procureis dissuadirme;
levarei a questão ao Tribunal da Estrela. Ainda que ele
fosse vinte vezes sir John Falstaff, não zombaria de Roberto
Shallow, escudeiro.
SLENDER — Do condado de Gloster, juiz de paz e coram.
SHALLOW — Sim, primo Slender, e cust-alorum.
SLENDER — Sim, e rato-lorum, reverendo, e gentil-homem de
nascimento, que se assina armígero em toda nota, mandado,
quitação ou obrigação. Armígero!
SHALLOW — Perfeitamente; é o que faço e o que sempre
tenho feito nestes trezentos anos.
SLENDER — E a mesma coisa farão todos os descendentes
que o precederam e todos os antepassados que nascerem
depois dele; poderão usar no escudo de armas uma dúzia de
lúcios e de piorras brancas.
SHALLOW — É um escudo muito antigo.
EVANS — Uma dúzia de piorros ir muito bem num escudo
antigo. É de grande efeito, en passant. O piorro é um animal
familiar do homem, e significa amor.
SHALLOW — O lúcio é peixe fresco; mas o do escudo é
salgado.
SLENDER — E eu, primo, poderei esquartelar o escudo?
SHALLOW — Sim, com o casamento.
EVANS — Seria pena se o escudo ficasse esquartejado.
SHALLOW — Não; isso não se dará.
EVANS — Sim, por Nossa Senhora. Se ele tirar um quarto de
vosso escudo, só ficareis com três quartos, na minha modesta
opinião. Mas dá no mesmo. Se sir John Falstaff vos fez alguma
ofensidade eu, como homem da Igreja, ficarrei satisfeito se
puder exercer minha benevolência para promover a
regonciliação e o gompromisso entre vós.
SHALLOW — A Corte de Justiça irá tomar conhecimento do
caso. É um desordeiro.
EVANS — Não é gonveniente que a Gorte de Xustiça ouça falar
de desordens. A Gorte de Xustiça, ora vêde, gosta de ouvir falar
do temor de Deus; não de desordens; dou-vos esse
avisamento.
SHALLOW — Ah! Por minha vida! Se eu pudesse remoçar, a
espada decidiria a questão.
EVANS — Será melhor que os amigos sejam a espada, para
decidirem a guestão. Tenho outro plano na gabeça, que se der
resultados, produzirá grandes gonveniências: estou bensando
em Ana Page, a filha do mestre Jorge Page, que é uma péla
firgindade.
SLENDER — A menina Ana Page! Tem cabelos escuros e fala
com uma vozinha de senhora.
EVANS — É xustamente a melhor griatura do mundo inteiro que
poderíeis desejar. É dona de setecentas libras em dinheiro,
ouro e prata que lhe deixou o avô no leito de morte — que Deus
lhe dê uma poa ressurreição! — para quando ela se tornar
gapaz de completar dezessete anos. Bor isso seria um
conselho barar com nossas disgussõezinhas e arranjar o
casamento de mestre Abraâo com a senhorita Ana Page.
SHALLOW — Como! O avô dela deixou-lhe setecentas libras?
EVANS — Sim, e o bai vai deixar-lhe um becúlio ainda maior.
SHALLOW — Conheço essa pessoa; tem muitas qualidades.
EVANS — Setecentos libras e outras bersbectivas são poas
qualidades.
SHALLOW — Então vamos à casa do honesto mestre Page.
Falstaff estará lá?
EVANS — Então eu iria mentir? Desbrezo um mentiroso, como
desbrezo o hibócrita ou a bessoa que não diz a verdade. O
cavaleiro, sir John, está lá, com certeza. Mas beço-vos ouvir
quem vos deseja o pem. Vou pater na porta de mestre Page.
(Bate.) Olá! Deus apençoe esta casa aqui!
PAGE (dentro) — Quem bate?
EVANS — Aqui está a penedição de Deus e vosso amigo e o
juiz Shallow; e aqui está o jovem mestre Slender, que
porventura vos contará uma outra história, se o assunto não vos
desagradar.
(Entra Page.)
PAGE — Fico contente por ver que Vossas Senhorias estão
bem. Muito obrigado, mestre Shallow, pela caça que me
mandastes.
SHALLOW — Mestre Page, alegra-me ver-vos; que vos faça
muito bem ao coração bondoso. Desejara ter mandado melhor
caça; foi mal atirada. — Como vai passando a bondosa senhora
Page? — De todo coração me declaro vosso devedor, sim, para
sempre.
PAGE — Agradeço-vos, senhor.
SHALLOW — Agradeço-vos, senhor; quer concordeis, ou não,
muito obrigado.
PAGE — Folgo em ver-vos, bom mestre Slender.
SLENDER — Como está o vosso galgo fulvo, senhor? Ouvi
dizer que ele foi vencido na corrida de Cotsale.
PAGE — Não ficou decidido, senhor.
SLENDER — Não quereis confessar! Não quereis confessar!
SHALLOW — Não há de confessar, decerto. A falta é vossa! A
falta é vossa! É um bom cachorro.
PAGE — É um mastim, senhor.
SHALLOW — Senhor, é um bom cachorro; um belo cachorro.
Pode-se dizer mais? Bom e bonito. — Sir John Falstaff está
aqui?
PAGE — Está lá dentro, senhor. Eu ficaria satisfeito se pudesse
promover a reconciliação entre vós.
EVANS — Isso é fala de muito pom cristão.
SHALLOW — Ele me ofendeu, mestre Page.
PAGE — De algum modo, senhor, pois ele reconheceu a
própria culpa.
SHALLOW — Reconheceu a culpa, mas quem agüentou com
as conseqüências fui eu, não é assim, mestre Page? Ofendeume;
sim, ofendeu-me; palavra de honra, foi o que fez, podeis
acreditar-me. Roberto Shallow, escudeiro, declara-se ofendido.
PAGE — Aí vem vindo sir John.
(Entram Sir John Falstaff, Bardolfo, Nym e Pistola)
FALSTAFF — Então, mestre Shallow, tencionais apresentar ao
rei queixa contra mim?
SHALLOW — Espancastes meus homens, cavaleiro; mataste
um veado de minha propriedade e forçastes o pavilhão.
FALSTAFF — Mas não beijei a filha do vosso couteiro?
SHALLOW — Ora, coisa nenhuma! Tereis de responder por
isso tudo.
FALSTAFF — Neste momento; responderei por tudo isso que
dizeis. Pronto; está respondido.
SHALLOW — O Conselho irá ficar sabendo o que se deu.
FALSTAFF — Seria mais prudente ouvirdes um conselho, para
que não riam de vós no Conselho.
EVANS — Pauca verba, sir John, e balavras menos ferdes.
FALSTAFF — Nem verde nem verdura! Slender, quebrei-vos a
cabeça. Que pretendeis fazer contra mim?
SLENDER — Com a breca, senhor! Tenho na cabeça muita
coisa Contra vós e contra o vosso terno de trapaceiros,
Bardolfo, Nym e Pistola. Levaram-me para a taberna,
embebedaram-me e depois me esvaziaram os bolsos.
BARDOLFO — Era só casca de queijo.
SLENDER — Pouco importa.
PISTOLA — Então, Mefistófilo?
SLENDER — Pouco importa.
NYM — Acabemos com isso, digo! Pauca, pauca! Acabemos
com isso! É o meu humor.
SLENDER — Por onde anda o meu criado Simples, não
sabereis dizer-mo, primo?
EVANS — Baz, baz, por obséquio. Façam as bazes. Há três
árpitros neste negócio, de acordo com a minha gombreensão:
mestre Page, fidelicet mestre Page, eu mesmo, fidelicet eu
mesmo, e a terceira barte, por último e finalmente, o nosso
estalaxadeiro da Xarreteira.
PAGE — A nós três é que compete ouvir a questão e resolvê-la.
EVANS — Berfeitamente; vou tomar nota disso no meu livro;
depois trapalharemos na causa com a disgrição de que formos
cabazes.
FALSTAFF — Pistola!
PISTOLA — Ele ouve com as orelhas.
EVANS — O tiabo e sua mãe! Que frase é essa: “Ele ouve com
as orelhas?” Isso é afetação.
FALSTAFF — Pistola, bateste a carteira de mestre Slender?
SLENDER — Bateu, por estas luvas! Se não estou falando a
verdade, não quero nunca mais voltar a entrar no meu quarto
grande. Continha sete pences em moeda antiga e dois xelins de
jogo com a efígie de Eduardo, que eu comprara do moleiro
Yead à razão de dois xelins e dois dinheiros cada um; por estas
luvas!
FALSTAFF — É verdade o que ele está dizendo, Pistola?
EVANS — Non; é falso, se ele for um patedor de garteiras.
PISTOLA — Morador das montanhas! Estrangeiro! Sir John e
meu patrão! Com esta espada lanço o meu desafio, e nesses
lábios atiro o desmentido! Um desmentido! Pela escuma do
mar, é tudo falso!
SLENDER — Por estas luvas, então foi aquele ali.
NYM — Tende mais cautela, senhor e deixai dessas
brincadeiras. Preparar-vos-ei uma armadilha, se virardes contra
mim o vosso humor de quebra-nozes. Eis a nota da questão.
SLENDER — Por este chapéu, então foi aquele ali, de cara
vermelha. Por que embora eu não me lembre de tudo o que fiz,
quando me deixastes bêbedo, não sou um asno completo.
FALSTAFF — Que dizeis a isso, João Escarlate?
BARDOLFO — Ora, senhor, pela minha parte digo apenas que
o cavalheiro se embriagou até perder as cinco sentenças.
EVANS — Xinco xentidos, é o que quereis dizer. Quanta
ignorância!
BARDOLFO — E estando chupado, senhor, achava-se, como
se diz, com a caixa leve ultrapassando, portanto, suas
conclusões a meta.
SLENDER — isso; na hora também falastes latim. Mas pouco
importa. Enquanto viver, nunca mais hei de me embriagar, por
me ter acontecido isso, salvo se for em companhia de gente
honesta, civil e piedosa. Se tiver de embriagar-me, será com
pessoas que revelem temor de Deus, não com velhacos
bêbedos.
EVANS — É uma dexisão virtuosa, assim bossa Deus julgarme.
FALSTAFF — Senhores, ouvistes bem como tudo foi
contestado; ouviste perfeitamente.
(Entram Ana Page, com vinho, a senhora Ford e a senhora
Page.)
PAGE — Não, filha; leva o vinho para trás; beberemos lá
dentro.
(Sai Ana Page.)
SLENDER — Oh Céus! É a menina Ana Page!
PAGE — Então, senhora Ford?
FALSTAFF — Senhora Ford, por minha fé, chegais em boa
hora. Com vossa permissão, bondosa senhora. (Beija-a.)
PAGE — Mulher, dá as boas-vindas a estes cavalheiros.
Vamos; para o jantar temos um pastel quente de caça. Vamos,
cavalheiros; espero que afoguemos no copo os aborrecimentos.
(Saem todos, com exceção de Shallow, Slender e Evans.)
SLENDER — Daria quarenta xelins para ter agora o meu livro
de cantigas e sonetos. (Entra Simples.) Então, Simples? Por
onde tendes andado? Será preciso que eu mesmo me sirva,
não? Não tendes por acaso o meu livro de charadas?
SIMPLES — O livro de charadas? Então não o emprestastes a
Alice Shortcake no dia de Todos os Santos, uma quinzena
antes de São Miguel?
SHALLOW — Vamos, primo; vamos, primo. Nós vos
serviremos. Uma palavra, primo; uma palavrinha. Houve, por
assim dizer, uma proposição, uma espécie de proposição assim
por alto, da parte do nosso reverendo Hugo. Compreendeisme?
SLENDER — Perfeitamente, senhor. Haveis de encontrar-me
razoável. Se tal se der, farei o que aconselhar a razão.
SHALLOW — Sim, mas compreendeis o que quero dizer?
SLENDER — Compreendi, senhor.
EVANS — Prestai ouvido à sua moção, mestre Slender, que eu
vos farei a disgrição da coisa, se tiverdes gapacidade para
entendê-la.
SLENDER — Farei o que disse o primo Shallow; perdoai-me,
mas ele é juiz de paz do distrito em que mora, conquanto eu
seja pessoa tão humilde no meu.
EVANS — Mas a guestão é outra, mestre Slender, relativa ao
vosso gasamento.
SHALLOW — Sim, é esse o ponto, senhor.
EVANS — E isso! É isso! o ponto verdadeiro, com a senhorita
Ana Page.
SLENDER — Bem, se é assim, desposá-la-ei sob qualquer
condição razoável.
EVANS — Mas sentis por ela alguma afetaçom? Querremos
saber isso da vossa própria poca, ou de vossos lábios, porque
há filósofos que afirmam serem os lábios uma parcela da poca.
Por isso, precisamente, podeis lançar vossa inclinaçom para o
lado dessa senhorita.
SHALLOW — Primo Abraão Slender, sois capaz de amá-la?
SLENDER — Espero que sim, senhor; hei de amá-la como
convém a uma pessoa razoável.
EVANS — Pelos santos e pelas santas de Deus! Dizei com
bositividade se podeis lançar vossos desejos para o lado dela.
SHALLOW — É isso que deveis fazer. Trazendo ela um bom
dote, estareis disposto a desposá-la?
SLENDER — Partindo de vós a proposta, primo, farei muito
mais do que isso, com qualquer razão.
SHALLOW — Não; compreendei-me, compreendei-me, querido
primo. Tudo o que faço, primo, é visando o vosso bem. Podeis
amar a rapariga?
SLENDER — Desposá-la-ei, senhor, se assim o determinardes.
Se no começo não houver grande amor, o céu poderá fazê-lo
diminuir, quando se formar conhecimento mais íntimo, depois
de estarmos casados e de termos outras oportunidades de
ficarmos nos conhecendo. Espero que com a intimidade
aumente a antipatia. Mas se me disserdes: “Casai com ela!”
casarei, e pronto. Estou dissolvido e dissoluto a fizer isso.
EVANS — Resposta de blena disgrição, tirante o erro da
balavra “dissoluto.” Segundo o nosso bensamento, a balavra
deveria ser “resoluto.” Sua intençom é poa.
SHALLOW — Sim, estou certo de que o primo tem boa
intenção.
SLENDER — Se não tivesse, quisera que me enforcassem.
SHALLOW — Aí vem vindo a bela senhorita Ana. (Volta Ana
Page.) Senhorita Ana, só por amor de vós, quisera ficar moço
outra vez.
ANA — O jantar está na mesa; meu pai deseja a presença de
Vossas Honras.
SHALLOW — Estou às suas ordens, bela senhorita Ana.
EVANS — Que Deus seja louvado. Não podeis faltar à pênção.
(Saem Shallow e Evans.)
ANA — Vossa Senhoria não se dignará, também, de entrar?
SLENDER — Não, muito obrigado, em verdade, de todo o
coração. Estou passando muito bem.
ANA — O jantar vos espera, senhor.
SLENDER — Não estou com fome; muito obrigado, em
verdade. — Maroto, vai logo; embora sejas meu criado, vai
servir ao primo Shallow. (Sai Simples.) Às vezes, um juiz de paz
poderá ficar agradecido a um amigo que lhe empreste seu
criado. Até à morte de minha mãe só terei a meu serviço três
criados e um pajem. Mas que importa? Por enquanto, vivo
como fidalgo pobre.
ANA — Não poderei voltar sem levar Vossa Senhoria; os outros
não se assentarão à mesa, enquanto não chegardes.
SLENDER — Por minha fé, não comerei nada; agradeço-vos
como se tivesse comido.
ANA — Entrai, senhor, por obséquio.
SLENDER — Muito obrigado; preciso passear um pouco aqui
fora. Há dias quebrei a canela numa luta de espada e adaga
com um professor de esgrima; três assaltos por um prato de
ameixas ao forno. Por minha honra, desde esse dia não suporto
o cheiro de comida quente. Por que ladram tanto vossos cães?
Haverá ursos na cidade?
ANA — Creio que sim, senhor; ouvi falar que há.
SLENDER — Gosto muito de briga de ursos; mas ferro logo
uma discussão, como não há outro na Inglaterra. Ficais com
medo, quando vedes um urso solto, pois não?
ANA — Realmente, senhor.
SLENDER — Para mim, isso, hoje, é como comer e beber. Já vi
Sackerson solto mais de vinte vezes e o segurei pela corrente.
Mas, posso afiançar-vos: as mulheres gritavam e choravam,
que não é possível descrever. Às mulheres, de fato, não
suportam esse espetáculo; são animais muito ferozes.
(Volta Page.)
PAGE — Vinde, gentil mestre Slender; vinde; estamos à vossa
espera.
SLENDER — Não quero comer nada, senhor; muito obrigado.
PAGE — Pelo galo e pela pega, senhor, não podeis recusar.
Vinde! Vinde!
SLENDER — Então, por obséquio, ide na frente.
PAGE — Entrai, senhor.
SLENDER — Senhorita Ana, passai na frente.
ANA — Eu não, senhor; entrai, por obséquio.
SLENDER — Em verdade, não serei o primeiro. Em verdade,
pronto! Não vos farei semelhante ofensa.
ANA — Por obséquio, senhor.
SLENDER — Prefiro ser descortês a ser importuno. Se houver
ofensa, é vossa; pronto!
(Saem.)

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Ahmed Zayed

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