William Shakespeare - Antônio e Cleópatra PDF

 


Os cinco atos de Antônio e Cleópatra são repletos de intrigas políticas mescladas a fervorosas declarações de amor, onde está presente toda linguagem monumental de Shakespeare. Produzida em 1607, já quando a obra do autor inglês estava em uma fase plena e madura, esta tragédia tem como tema a relação entre o militar romano Marco Antônio e Cleópatra, a célebre rainha do Egito. O casal sonhava com o estabelecimento de um grandioso império no oriente, mas seus planos são interrompidos. Com o pretexto da morte de sua esposa Fúlvia, Marco Antônio, que vivia no Egito com a amante, é chamado de volta a Roma; na verdade por motivos políticos. Lá, se vê obrigado a casar com Otávia, irmã de Otávio Augusto, um dos líderes do Império Romano, que usa esse casamento como estratégia para manter Marco Antônio mais próximo ao governo. Ao tomar conhecimento da união, Cleópatra envia a Roma a falsa notícia de que cometera suicídio, e Marco Antônio, apaixonado e desiludido, põe fim à própria vida. A rainha, sabendo disso, encomenda a seus criados a víbora que lhe destilaria o veneno mortal. Os personagens marcantes e os diálogos impetuosos fazem de Antônio e Cleópatra, além de já consagrada como uma das principais obras históricas de Shakespeare, uma peça emocionante e envolvente em todos os seus momentos.

William Shakespeare - Antônio e Cleópatra PDF 


Cena I
Alexandria. Um quarto no palácio de Cleópatra. Entram
Demétrio e Filo.
FILO — Não! Passa da medida essa loucura do nosso general.
Aqueles olhos altivos que brilhavam como Marte com seu arnês
chapeado, dominando multidões de soldados em revista, ora se
abaixam, ora se desviam do ofício e devoção que lhes são
próprios, para uma fronte escura. Aquele grande coração, que
na grita das batalhas monumentais fazia que saltassem,
partidas, as fivelas da couraça, agora renegou o autodomínio,
para tornar-se a ventarola e o fole que acalmar tenta o ardor de
uma cigana. Vede onde eles vêm vindo! (Entram Antônio e
Cleópatra, com os respectivos séqüitos; eunucos a abanam.)
Tomai nota, e observareis como um dos três pilares do mundo
no palhaço de uma simples rameira se mudou. Examinai-os!
CLEÓPATRA — Se é amor, realmente, revelai-me quanto.
ANTÔNIO — Pobre é o amor que pode ser contado.
CLEÓPATRA — Vou pôr um marco, para o ponto extremo do
amor assinalar.
ANTÔNIO — Fora preciso descobrir novos céus, uma outra
terra.
(Entra um ajudante.)
AJUDANTE — Novas de Roma, meu bondoso chefe.
ANTÔNIO — Que estais! Vamos lá: resume a história.
CLEÓPATRA — Não, Antônio! Ouvi tudo. Talvez Fúlvia se
encontre estomagada, ou talvez ainda o César quase imberbe
vos haja ordens mandado peremptórias: “Faze isto e aquilo;
toma aquele reino, liberta este outro! Cumpre as minhas
ordens, se não quiseres receber castigo.”
ANTÔNIO — Como, querida?
CLEÓPATRA — Talvez? Não; é certo: não podereis ficar aqui
mais tempo; César já vos enviou a demissão. Por isso, Antônio,
ouvi: onde é que se acha a expressa ordem de Fúlvia... isto é,
de César... de ambos? — Fazei entrar os mensageiros. — Tão
certo como eu ser do Egito a rainha, Antônio, tu coraste. Esse
teu sangue é a maior homenagem feita a César, se não for o
tributo da vergonha que tuas faces pagam, quando a língua
estrídula de Fúlvia te repreende. Olá! Os mensageiros!
ANTÔNIO — Que se afunde Roma no Tibre e de seus gonzos
salte a gigantesca abóbada do império. Meu espaço é este
aqui. Todos os remos são argila, mais nada; nossa terra
cenagosa alimenta homens e brutos, indiferentemente. Com
nobreza viver é proceder desta maneira, (Abraça-a.) quando se
encontra um par tão ajustado, como se dá conosco. Desafio
todo o mundo, sob pena de castigo, para vir convencer-se de
que somos sem confronto possível.
CLEÓPATRA — Admirável falsidade! Por que casou com
Fúlvia, se não lhe tinha amor? Quero a aparência manter da
tola que não sou realmente; continuará Antônio sendo o
mesmo.
ANTÔNIO — Mas amimado agora por Cleópatra. Mas, pelo
amor do Amor e de seus brandos momentos, não gastemos
nosso tempo com debates fastientos. Nossas vidas não contêm
um minuto, um só, que deva passar sem nos deixar qualquer
ventura. Qual é o divertimento desta noite?
CLEÓPATRA — Ouvi os embaixadores.
ANTÔNIO — Que rainha implicante, em que tudo assenta bem:
repreender, rir, chorar, e em que se esforçam as paixões porque
em ti se tornem belas e admiradas. Nenhum correio, salvo se
vier de tua parte. Os dois, sozinhos, percorreremos hoje à noite
as ruas, para observarmos como vive o povo. Vamos, minha
rainha, que isso mesmo queríeis ontem. Não; ficai calada.
(Saem Antônio e Cleópatra com seus séqüitos.)
DEMÉTRIO — Como! Tão pouco caso faz Antônio de César a
esse ponto!
FILO — Algumas vezes, senhor, isso se dá, quando ele deixa
de ser Antônio e se desfaz um pouco daquela dignidade que
devia sempre estar com Antônio.
DEMÉTRIO — Fico triste por ver que ele confirma os
maldizentes da rua que sobre ele em Roma falam. Mas
esperemos que amanhã revele mais dígna compostura. Bom
repouso.
(Saem)

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Ahmed Zayed

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