William Hjortsberg - Coração Satânico PDF

 



Nova York, 1955. Entre bairros negros e casarões decadentes circula Harry Angel, detetive particular ao velho estilo. Sua mais apavorante aventura começa com um telefonema de Louis Cyphre. O estranho cliente pede um serviço simples: que Angel localize o músico Johnny Favorite, um astro da canção desaparecido anos antes. No rastro de Favorite, Harry Angel mergulha num mar de sombra e pesadelo, onde cada testemunha pode morrer e cada pista se dissolve em sangue. Em meio a rituais de magia negra, a trama cresce em tensão e mistério, até um desfecho imprevisto e chocante. Mas é nos detalhes — que incluem um tórrido caso de amor — que o autor tece uma teia brilhante, repleta de simbolismo e capaz de eletrizar o leitor.

William Hjortsberg - Coração Satânico PDF 

ERA UMA SEXTA-FEIRA 13, e um palmo de neve derretida, resquício do
dia anterior, ainda cobria as ruas. Do outro lado da Sétima Avenida as
manchetes se sucediam no luminoso ao redor da fachada de terracota da Torre
Times: HAVAÍ É ACEITO COMO 50? ESTADO DA UNIÃO: CONGRESSO APROVA
LEI POR 232 VOTOS A 89; SANÇÃO DA LEI POR EISENHOWER ASSEGURADA.
Havaí, doce terra de abacaxis, sol, surfe e saias requebrando ao sabor da brisa
tropical, embaladas pelo som das guitarras típicas, os ukuleles.
Girei a cadeira na direção da Times Square. No Claridge, o outdoor de
Camel despejava grossos anéis de fumaça sobre o tráfego agitado. Dias antes,
graças a pintores suspensos por andaimes, o garboso cavalheiro do anúncio, a
boca petrificada num "O" de permanente surpresa, trocara seu sobretudo e
chapéu de brim escuros por uma roupa mais leve, listrada, e chapéu-panamá;
apesar da falta de poesia, o fumante era o mensageiro da primavera na
Broadway.
Meu prédio fora construído antes da virada do século: quatro andares
de tijolos, fuligem e excremento de pombos, o telhado tomado por cartazes
anunciando vôos para Miami e várias marcas de cerveja. Havia uma charutaria
na esquina, um salão de pôquer, duas barracas de cachorro-quente e, no meio
do quarteirão, o Teatro Rialto, cuja entrada espremia-se entre a de uma livraria
pornográfica e a de uma loja de trucagens, com suas vitrines cheias de
almofadas, daquelas que fazem barulho quando alguém senta nelas, e imitações
de cocô de cachorro.
Meu escritório ficava no segundo andar, ao lado da Eletrólise Olga,
Importadora Teardrop e do Escritório de Patentes Ira Kipnis. Letras douradas
de vinte centímetros garantiam minha supremacia sobre a vizinhança: Agência
de Detetives Crossroads, nome que comprei, junto com o negócio, de Ernie
Cavalero, de quem me tornara assistente ainda no tempo da guerra, recémchegado
à cidade.
Eu estava de saída para um café quando o telefone tocou:
– Senhor Harry Angel? — perguntou a voz distante de uma secretária.
— Herman Winesap, da Mclntosh, Winesap and Spy chamando. — Balbuciei
qualquer coisa e ela completou a ligação.
A voz suave de Herman Winesap entrou na linha, anunciando que eu
falava a um procurador. Isso significava que seus honorários eram altos;
alguém que se intitula advogado sempre custa muito mais barato. Winesap se
exprimia tão bem que o deixei comandar a conversa:
– A razão pela qual liguei, senhor Angel, foi certificar- me da
disponibilidade de seus serviços no momento.
– Algo relacionado com sua firma?
– Não. Falo em nome de um de meus clientes. O senhor está
disponível?
– Depende do trabalho. Preciso de alguns detalhes.
– Meu cliente prefere discuti-los pessoalmente. Ele sugeriu que
almoçassem juntos hoje. No Top of The Six, à uma em ponto.
– Talvez você possa me dizer o nome de seu cliente, ou devo procurar
por alguém usando um cravo vermelho?
– Tem um lápis à mão? Vou soletrá-lo para você.
Escrevi Louis CYPHRE no bloco de anotações e perguntei como se
pronunciava; Herman Winesap exibiu sua classe, acentuando o erre como um
professor da Berlitz faria. Perguntei então se o cliente era estrangeiro:
– O senhor Cyphre possui passaporte francês, embora eu não esteja
certo quanto a sua verdadeira nacionalidade. Quaisquer perguntas que queira
fazer, ele ficará muito satisfeito em respondê-las durante o almoço. Posso dizer
a ele que o espere?
– Estarei lá, à uma em ponto.
O procurador Herman Winesap ainda fez alguns gentis comentários
finais antes que eu pudesse acender um de meus charutos preferidos em
comemoração.

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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