William Goldoni - O Grito Da Esfinge 01 - Os Prisioneiros Da Eternidade PDF

 


William Goldoni - O Grito Da Esfinge 01 - Os Prisioneiros Da Eternidade PDF 

Página de um Diário Anônimo

"Meu amigo e eu não encontramos nem sinal da Luz de Osíris, do kopesh
de Hórus ou de qualquer outro grande achado arqueológico.
Enquanto procurava por meu amigo, Dr. Mendelson, entrei por engano
numa espécie de salão de culto religioso. No fundo da câmara havia uma
estátua de um deus com aparência de crocodilo. Era Typhon, o irmão e
inimigo do deus Osíris. Andei por entre as colunas de pedra na direção
do altar, na tentativa de encontrar alguma pista ou informação útil à
minha fuga. Fiquei minto assustado quando vi, espalhados pelo chão,
ossos e manchas negras - sangue, certamente. A estátua de Typhon, no
fundo da cripta, atraiu minha atenção de modo irresistível, e não
consegui deixar de me aproximar para observar detalhes. Por instantes,
perdi a pressa de encontrar meu amigo; a estátua era magnífica e seus
olhos vermelhos brilhavam de um modo especial. Senti admiração e ódio
pela relíquia perfeita do deus que brincava com nossas vidas. Quando
olhei para os olhos de Typhon, falei enraivecido:
— O que quer de nós, ser diabólico? Por que espalha a morte dessa
maneira?
E fiquei olhando para o ídolo, como se ele fosse capaz de me responder.
Virei-me para sair. Precisava encontrar o Dr. Mendelson. Nessa hora, um
vento frio, surgido não sei de onde, soprou forte. Senti cheiro de esgoto e
quase vomitei. Olhei de volta, achando que alguém escondido abrira
alguma porta. Mas não vi ninguém. Vi os olhos da estátua piscarem e tive
a impressão de ela ter se movido. Eu ia sair correndo quando, de repente,
ouvi uma voz estranha que me deixou paralisado:
— A Luz de Osíris e a saída... Quem não as quer, não é mesmo? Muito
sangue ainda irá brotar de corpos inocentes antes que os mortais
consigam essas duas coisas! Nunca deveria ter se aventurado a vir aqui,
seu verme imprestável! Teu destino está traçado! Há, há, há!
Uma gargalhada medonha seguiu-se e vi vultos escuros, ou sombras,
andando entre as colunas. Estava dominado pelo pavor, mas consegui sair
correndo pelas galerias como uma criança assustada. Quase me perdi nos
corredores. A essa altura, só me importava sair daquele lugar maldito,
cercado de feitiços e passagens secretas. O Dr. Mendelson também está
perdido. Ou morto.
Agora, após não sei quanto tempo preso aqui, a idéia de mover céus e
terra para filmar fossos e câmaras cheios de água me parece distante e
ridícula.
O que nos espera? Alguém está..."
Planalto de Gizé, Egito
17 de julho de 2003
23h 48min, hora local
NÃO PODERIAM ESTAR ALI ÀQUELA hora; era perigoso. Escondidos pela
escuridão da noite, dois vultos caminhavam rápido pelo chão poeirento
de uma necrópole{4} próxima às pirâmides de Gizé.
O mais alto e mais velho às vezes parava e consultava um pedaço de
papel com símbolos misteriosos. Vestido com calça jeans desbotada,
camiseta branca e um colete cinzento, levava uma pequena mala, um
cantil e o papel.
O mais jovem, um garoto franzino, trajando a túnica branca comumente
usada nos países islâmicos da África, seguia-o atentamente, sem nada
carregar.
Na planície desértica e arenosa, aqui e além, pedras espalhadas a esmo no
chão, partes de túmulos violados por todos os lados e um incontável
número de escombros de antigas construções dificultavam a caminhada.
O jogo de luz e sombra produzido pelo luar dava à antiga necrópole um
aspecto misterioso e assustador. A algumas centenas de metros dali, a
Grande Pirâmide de Gizé, assim como suas companheiras menores,
também estava magnificamente iluminada pelo luar argênteo.
Em certo instante, o rapaz tropeçou e caiu. Antes de se levantar, à sua
frente um escorpião preto saiu de uma toca e correu, escondendo-se atrás
de outra pedra.
— O presságio da morte... — murmurou preocupado para si mesmo.
Levantou-se e, com visível expressão de medo nos grandes olhos negros e
no tom da voz, sugeriu em inglês com forte sotaque árabe — Não prefere
vir durante o dia, senhor? É menos arriscado.
— Estamos quase chegando, Gassan — informou o velho, caminhando à
frente sem olhar para trás e acertando os óculos de armação metálica no
rosto.
Numa depressão do terreno, o ancião de barba branca bem aparada
ajoelhou numa laje rochosa, de superfície imperfeita, e começou a limpar
a areia para examinar sinais talhados. Um sorriso de triunfo perpassoulhe
os lábios finos. Deslizou a mão enrugada sobre figuras e hieróglifos
em relevo e comparou com o desenho que tinha nas mãos. Gassan o
ajudava.
Um inesperado vento frio começou a soprar, trazendo nuvens plúmbeas.
Um pássaro noturno emitiu um pio alto. Gassan ergueu-se de súbito,
assustado.
As nuvens acabaram por cobrir a lua e o ambiente ficou escuro. O vento
aumentou com surpreendente rapidez a ponto de levantar areia do solo.
Gassan tremia como uma folha de capim em dia de vento. Ele olhava
para os lados, temendo alguma coisa. Subitamente, virou para trás e
olhou para o topo da Grande Pirâmide. Dois clarões azulados, como se
fossem flashes fotográficos, porém muito mais fortes, surgiram de um
lado e de outro da montanha de pedra. Os olhos do garoto não se
arregalaram mais por não ser possível.
— Oh! As luzes! Eu vi as luzes! Não é da vontade de Allah que
continuemos aqui! Vamos embora professor, vamos logo!
O homem apoiou-se num joelho, para olhar para o garoto.
— Que luzes, Gassan? Deve ser algum teste dos equipamentos do show
noturno. Agora espere ali, atrás daquela pedra maior. Dali você verá se
alguém se aproximar. Vou seguir umas indicações aqui no meu mapa e
em seguida te encontro lá.
— Isso não é seguro, senhor! Os gênios da pirâmide estão nos mandando
sair daqui. Se desobedecermos, pagaremos caro por isso. Na minha
família conta-se a história de um homem que vinha aqui e...
— Gassan! Espere lá, ok? Só mais uns minutos e estaremos voltando para
o Cairo. Vá logo! — ordenou com impaciência, apontando para um
rochedo.
O jovem correu para a pedra indicada, cuja ponta de cima era visível da
depressão onde estavam. Ficou de pé ao lado do monólito olhando em
derredor como se alguém ou alguma coisa estivesse para surgir a qualquer
momento. Esfregava as mãos nervosamente e não tirava os olhos do topo
da Grande Pirâmide. De repente, ouviu barulhos, como se as rochas
fossem golpeadas por um martelo. A areia jogada pelo vento já
incomodava, entrando pela roupa e dificultando ficar de olhos abertos. O
barulho dos golpes na pedra cessou. Depois, um clarão amarelo, como o
de uma vela ou lanterna fraca, iluminou por um instante o lugar onde o
homem estava. Um grito rouco e abafado quebrou o silêncio. A voz do
homem sumiu e o clarão também.
O rapaz, trêmulo de medo e de olhos arregalados, aproximou-se
cauteloso.
— Teimoso! Por que vir a esta hora escavar? — sussurrou enquanto descia
com dificuldade a pequena ladeira da depressão do terreno onde havia
deixado o idoso — Professor? Professor, terminou?
O ruído do vento nos monumentos foi a única resposta.
— Oh! — o jovem pôs a mão na cabeça.
Apenas o cantil estava caído no chão, com a água derramada. As pegadas
do professor chegavam até um certo ponto da areia e depois
desapareciam. Nenhum rastro. Nenhum sinal.
Ao longe, um relâmpago clareou o horizonte, seguido do ribombar do
trovão. O vento frio tornou-se mais forte, erguendo poeira do chão. O
garoto, assustadíssimo, correu em volta do lugar, procurando atrás de
blocos de pedra e até em algumas frestas maiores nessas rochas, gritando
pelo professor.
— A maldição, a maldição... Oh, perdão Allah! Perdão para mim!
A tempestade de areia atingira o auge. Mesmo com a lanterna, Gassan
não enxergava além de três metros à frente. Com enorme dificuldade,
tropeçando e caindo algumas vezes, o desesperado rapaz conseguiu sair
da necrópole e chegar à estrada asfaltada. Pegou a lambreta estacionada e
rumou a toda velocidade para o Cairo. Teria sido, pensou, o cientista mais
um tragado pelo mistério daquele campo sagrado, onde extintas gerações
de nobres e magos repousavam com seus segredos impenetráveis ao
homem comum?

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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