Wallace David Foster - Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio Que Longe de Tudo PDF

 


Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo reúne alguns dos mais significativos ensaios de David Foster Wallace. Embora seja mais conhecido por sua obra de ficção, que inclui, entre outros títulos, o aclamado romance Infinite Jest (1996), Wallace também foi um ensaísta e repórter brilhante, que deixou marcas no jornalismo literário e exerce hoje uma influência comparável à de Hunter S. Thompson. Com a proposta de fornecer uma porta de entrada ao universo literário do autor, o volume abriga três reportagens — entre elas o famoso “texto do navio”, o relato de um cruzeiro pelo Caribe —, uma palestra sobre Kafka, uma crônica poderosa sobre o tenista Roger Federer e “Isto é água”, o discurso de paraninfo que se difundiu como um viral inspirador pela internet. Na reportagem que dá título ao livro, Wallace, enviado pela Harper’s a uma feira agrícola em Illinois, se sai com uma crônica hilária sobre o estilo de vida americano. Em “Pense na lagosta”, o autor aproveita a visita a uma feira gastronômica para refletir sobre a legitimidade ética de ferver lagostas vivas para degustá-las. Ao tratar desses e de outros temas, o autor ignora as convenções da apuração jornalística e se concentra nos detalhes mais inusitados. Humor, inteligência, inventividade e um poder de observação assombroso são as marcas desse estilo que influenciou toda uma geração de escritores.

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Prefácio
Preste atenção

 

Daniel Galera

 

Quando se diz que David Foster Wallace foi um dos escritores mais importantes de sua geração, leitores distantemente cientes ou mesmo íntimos de sua obra quase sempre pensam em sua prosa de ficção, em especial na sua obra-prima Infinite Jest, o romance de 1100 páginas publicado em 1996 que catapultou o autor à posição de ícone geracional nos Estados Unidos. Wallace também é tido como um escritor difícil, experimental, inclinado a testar ou mesmo torturar o leitor com virtuosismo técnico, exibicionismo vocabular, enumerações enciclopédicas, notas de rodapé em cascata e orações subordinadas que serpenteiam por páginas. Seus livros podem assustar pela extensão, pela linguagem, pela densidade e pela complexidade. Tudo isso é verdade.

Também é verdade que poucos autores recentes — ou nenhum, se ficarmos na esfera reduzida da literatura que por falta de termo melhor podemos chamar de “exigente” — foram capazes de estabelecer uma conexão tão íntima com seus leitores. Quando Wallace se matou, em 2008, aos 46 anos, a internet foi inundada por depoimentos emocionados de leitores que pareciam ter perdido um amigo próximo ou mesmo um parente. Era uma intimidade insuspeitada, cujas reais dimensões só se revelaram quando se espalhou a notícia chocante de que aquela voz, que para tantos soava como uma extensão de seus próprios discursos internos, a voz da autoconsciência, tinha se retirado do mundo sem aviso.

Essa comoção, fartamente documentada em fóruns literários, blogs e elegias póstumas nos cadernos culturais, deu nova relevância a duas perguntas: 1) Como uma obra tão marcada pela dificuldade pode gerar tamanha empatia? e 2) Como convencer o leitor em geral, e em particular o brasileiro, a se aventurar nesse terreno com fama de íngreme em busca das propagandeadas recompensas? A resposta para as duas perguntas pode estar na outra grande vertente da escrita de David Foster Wallace: as reportagens, ensaios e demais textos de não ficção.

Em 2005 a Companhia das Letras publicou no Brasil o livro de contos Breves entrevistas com homens hediondos, que até a chegada da presente antologia permaneceu sendo o único livro de Wallace traduzido no país. A recepção por parte da crítica e do público brasileiros foi muito tímida. Lançado originalmente em 1999, após o sucesso de Infinite Jest, o livro contém alguns de seus contos mais admirados e bem realizados, entre eles “Octeto”, “A pessoa deprimida”, “Para sempre em cima”, e algumas das entrevistas fictícias com homens hediondos que dão título ao volume. O conjunto é desigual, permeado de explorações estilísticas e metaficcionais, alternando momentos de poderoso envolvimento narrativo com exercícios de linguagem que podem funcionar para poucos. Podemos apenas especular se o primeiro livro de contos de Wallace, Girl with Curious Hair [Garota de cabelo esquisito], publicado em 1989 e em muitos sentidos mais acessível, teria atraído um número maior de leitores, e é compreensível que se tenha adiado até recentemente a aventura de traduzir um livro vasto e complicado como Infinite Jest no Brasil (o tradutor Caetano W. Galindo está se dedicando à empreitada). O fato é que, à exceção de um pequeno séquito de entusiastas, que em boa parte já tinha condições de desfrutar da produção do autor no idioma original, Wallace permaneceu praticamente desconhecido pelo leitor brasileiro até 2008, quando o choque de sua morte mudou um pouquinho a situação. Mas não muito.

O que nos traz a este livro. Por que uma antologia? Mais que isso, por que esta antologia?

Como era de se esperar, o suicídio de David Foster Wallace, justamente por seu caráter trágico e impactante, despertou um interesse renovado por sua vida e obra nos Estados Unidos e no resto do mundo. A revelação de que ele sofria de depressão crônica desde a adolescência — surpreendente se contemplamos a ambição e a consistência de sua produção, mas também coerente com detalhes conhecidos de sua biografia e sobretudo com a precisão exasperante com que tratou do tema em seus contos e romances — e a informação de que havia deixado os originais inacabados de seu primeiro romance desde Infinite Jest (publicado em 2011, The Pale King foi recebido com entusiasmo por público e crítica) contribuíram para consolidá-lo rapidamente como uma figura literária cultuada.

Ainda em 2008, poucas semanas após a morte de Wallace, quando já começavam a surgir os primeiros sinais desse reconhecimento póstumo, entrei em contato com sua agente, Bonnie Nadell, propondo organizar e publicar no Brasil uma antologia de seus textos de não ficção, escolhendo os melhores dentre os mais acessíveis, na esperança de apresentá-lo uma segunda vez aos leitores brasileiros e quem sabe, no futuro, abrir caminho para a publicação do restante de sua obra no país. O que parecia ser um tiro no escuro acabou acertando o alvo. A agente não apenas gostou da ideia como informou que uma experiência semelhante havia sido realizada na Alemanha, resultando em boa recepção não somente para a antologia, mas também para outros títulos de Wallace traduzidos na sequência. Montei o projeto com a ajuda dela, e a Companhia das Letras embarcou sem titubear.

Exponho aqui a gênese desta antologia para esclarecer que não se trata necessariamente de uma coleção dos melhores textos dentro do conjunto da obra do autor, tampouco dos melhores ou mais importantes dentro de toda sua produção não ficcional. A intenção é a de oferecer uma introdução, ou, melhor ainda, uma apresentação do autor para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecê-lo ou não conseguiram se sentir envolvidos por seu trabalho num primeiro contato e, ao mesmo tempo, tornar disponíveis também em língua portuguesa alguns textos que os leitores iniciados conheciam apenas no idioma original. Sendo assim, buscou-se uma seleção sucinta e ao mesmo tempo variada de reportagens, palestras e ensaios. A proposta é reforçada pelo fato de que alguns de seus melhores e mais importantes textos de não ficção estão entre os mais acessíveis e bem-humorados.

Além disso, é um erro ver a não ficção de Wallace à sombra de sua ficção, o que espero que venha a ficar claro após a leitura dos textos. O próprio Wallace gostava de desdenhar de suas incursões no mundo da reportagem e do ensaio. Numa entrevista concedida ao programa de televisão The Charlie Rose Show em 1997, logo após a publicação de seu primeiro volume de ensaios, A Supposedly Fun Thing I’ll Never Do Again [Uma coisa supostamente divertida que eu nunca mais vou fazer], ele declarou: “Penso em mim como um escritor de ficção, e um escritor de ficção sem lá muita experiência, então se tem alguma gracinha por trás de vários ensaios do livro, essa gracinha é ‘Ai, puxa, olha só para mim, um não jornalista que foi enviado para cobrir essas coisas jornalísticas’”. A gracinha por trás da própria tirada autodepreciativa é que muitos ensaios de Wallace são brilhantes e influentes justamente por causa dessa persona de escritor brincando de jornalista, a qual se revela por meio de uma grande inventividade narrativa e um assombroso poder de observação. A marca deixada por Wallace no jornalismo literário atual é comparável à de Hunter S. Thompson e pode ser verificada no estilo de novos ensaístas americanos como John Jeremiah Sullivan.

No conjunto, sua não ficção elabora com humor, sofisticação intelectual e uma atenção descomunal ao detalhe os mesmos temas centrais de sua ficção, entre os quais podemos citar o narcisismo como motor da alienação moderna, o poder destrutivo da ironia alçada à condição de visão de mundo totalizante, o niilismo travestido de liberdade e inconformidade, o preço espiritual dos vícios (em especial o vício em entretenimento) e a questão do que podemos fazer para tentar fugir da prisão de nossas próprias cabeças, caso esta não seja uma batalha perdida. A julgar por boa parte do que escreveu, Wallace tinha esperança na batalha. Numa entrevista de 1993,1 ele afirmou: “A ficção pode oferecer uma visão de mundo tão sombria quanto desejar, mas para ser realmente muito boa ela precisa encontrar uma maneira de, ao mesmo tempo, retratar o mundo e iluminar as possibilidades de permanecer vivo e humano dentro dele”.

 

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Ahmed Zayed

Hello all My name is Ahmed Zayed I am Egyptian.I am very interested about languages, animals,Drawing,Comics and history also I like to write a short stories about our lives I am writing because I would like to share what I am thinking about with people who even far from me and for me this the way that people can communicate so finally I could bring my books over here I wish that every one will read will like and I will support u with many more books I am waiting for your feed back

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